O Comércio
Exterior Brasileiro despontou a partir de 2003 como uma oportunidade
para o futuro econômico da Nação.
Grandes mudanças ocorrem no Brasil desde então : o Real
"esqueceu" de procurar seu ponto de equilíbrio exportador - em
cenário de contínua queda do Dólar
no mundo, e o agronegócio teve fases de altas e baixas, enquanto
que minério de ferro e petróleo davam saltos de
crescimento nas vendas.
Porém, muito pela frente ainda dependerá da
renovação tecnológica que o País
apresentará ao mundo nos próximos anos. Veja os INDICADORES
ECONÔMICOS do Brasil.
Para chegar-se a um modelo de renovação, ou mesmo,
revolução
tecnológica, passando por forte evolução em Pesquisa Científica e Desenvolvimento
Tecnológico com Inovação (PD&I), e seus resultados nas esferas de
emprego civil e militar,
é necessário que a Economia do País seja antes conduzida de modo
estável e realmente profissional,
com planejamento a longo prazo, além da duração de
um, dois ou três
governos de mentalidades opostas.
Como exemplo, ainda aguarda-se em
2007 do Governo Federal políticas
industrial e de serviços abrangentes, amparadas pelo investimento em áreas
sociais, com uma
política exterior engajada na promoção comercial, na abertura de mercados e em
investimentos de longo prazo.
O Brasil deve buscar fortalecer os
laços de amizade com
aqueles que possam, sobretudo, impulsionar a expansão de seu ''espaço da
prosperidade''.
Aposta-se hoje na
expansão do Mercosul para um Mercado da América do Sul, e
em acordos bilaterais e multilaterais
com China, Índia, Associação do Sudeste Asiático, Rússia,
África do Sul e África, e Grupo de 22 Países do Oriente Médio.
Mas nunca deve-se deixar para trás
mercados ricos como os EUA e a União Européia (UE), que merecerão novos e gigantescos
esforços comerciais.
Foram adiadas as negociações para o acordo com a UE e a ALCA sumiu do mapa de vez desde 2005. Mas esses acordos eram focados
pelo lado brasileiro no agronegócio e na ideologia
política, o que foi um erro crasso de estratégia.
Enquanto isso, a indústria poderia vender-lhes dezenas de
bilhões de Dólares a mais, anualmente, mesmo sem qualquer
acordo. E isso acontece sabendo-se
que quase 70 % dos produtos industriais entram nos EUA com
alíquota zero.
No Brasil, os responsáveis pelo Governo e por sua
política externa dão-se ao luxo de não considerar
o mercado americano para as nossa indústrias como uma prioridade
básica. Pois veja no quadro abaixo no quê isso deu :
COMÉRCIO MUNDIAL
PARTICIPAÇÃO EM %
PERÍODO
|
BRASIL
|
CORÉIA
|
CHINA
|
1980-1984
|
1,2
|
1,2
|
1,2
|
1985-2002
|
1,0
|
2,4
|
2,5
|
2003-2005
|
0,903
|
2,8
|
7,1
|
2006
|
0,933
|
2,7
|
8,0
|
VAR. MÉDIA PIB 1980 - 2006 (*)
|
0,9
|
5,5
|
8,5
|
Fontes : OMC e Bancos Centrais
(*) PIB per Capita
De fato, o Brasil vem
perdendo espaço no mercado consumidor dos EUA e UE, para onde as
exportações têm crescido significativamente menos
do que as vendas de outros já nem tão emergentes, como as
agora poderosas China e Índia (acima de 20 %).
Só em 2005, as
exportações brasileiras para americanos e europeus
cresceram, respectivamente, 12 % e 10 %, bem abaixo do ritmo das vendas
totais do País, que aumentaram 23 %.
Os chineses aprenderam o que os americanos querem há 25 anos. Em
1985, exportavam US$ 7 bilhões ao ano para lá. Já
em 2005, venderam para os EUA o equivalente a US$ 243,4 bilhões,
quase 35 vezes mais.
Entre 2002 e 2005, o peso
dos EUA e da UE na pauta brasileira de exportações recuou
quase 10 pontos percentuais. Em 2002, ambos compravam 51 % dos produtos
exportados pelo Brasil, percentual que caiu para 41,6 % em 2005.
O País precisa
lançar-se ao mundo de forma inédita e
audaz, guiado pelo Presidente e investindo no potencial de sua
aeronave FAB-01
para dezenas de grandes viagens pelos vários continentes.
Deveria até mesmo levar junto grandes comitivas com centenas de
empresários (cada um pagando os seus custos) em 2 futuros EMB-190 da Presidência ou do MDIC.
Deveriam ser criados Centros Comerciais Brasileiros nos EUA, UE e
Ásia, para exposições fixas, que também
seriam itinerantes pelas grandes cidades das regiões. Esses
Centros seriam uma evolução sobre os atuais Centros de
Distribuição de Produtos.
O País tem hoje 5 (cinco)
Centros de Distribuição de Produtos pelo mundo, em Miami,
Lisboa, Frankfurt, Dubai e Varsóvia, este inaugurado em janeiro
de 2007. Se na Europa já há 3 (três) Centros, nos
EUA não há nada mais que Miami, o que é
irrisório.
Somente 4 (qautro) grandes Centros Comerciais : na Flórida -
Miami, em Chicago, em Nova York e na rica Califórnia - Los
Angeles, serviriam de apoio a feiras e exposições em
todos os 50 estados americanos. Só para este mercado, dois
aparelhos EMB-190 (até mesmo com parte dos custos em troca de
fazer-se propaganda da Embraer) poderiam ficar à
disposição do MDIC.
O retorno seria a forte multiplicação
de exportações para esses mercados em poucos anos
e os investimentos se pagariam várias e várias vezes por
décadas à frente.
DESTINO DAS
EXPORTAÇÕES
BRASILEIRAS EM 2005
|
REGIÃO
|
%
|
|
UNIÃO
EUROPÉIA
|
23,8
|
|
EUA
|
21,7
|
|
ÁSIA
|
14,0
|
AMÉRICA LATINA
|
12,0
|
MERCOSUL
|
9,8 |
ÁFRICA
|
4,9
|
|
ORIENTE
MÉDIO
|
3,6
|
EUROPA
ORIENTAL
|
2,5
|
OUTROS
|
7,7
|
Fonte : MDIC
O País deve lutar em todos
os cantos para incrementar suas exportações, tanto de mercadorias como
de serviços, substituir importações plausíveis até ganharem
escala e também virarem exportações
e, por último e mais
importante, perseguir novas
oportunidades
de desenvolvimento de negócios, em novas áreas do País, sempre com
criatividade
e inovação.
Substituições de
importações são vitais nas áreas de petróleo, gás natural,
química e eletroeletrônica, que apresentam déficit comercial conjunto de quase
US$ 10 bilhões ao ano, desnecessariamente.
Serviços externos também são importantes
para a evolução do Comércio Exterior, pois
possuem alto valor agregado e implantam maquinários que se
utilizam de produtos e suprimentos nacionais.
Novas oportunidades surgem a todo
instante, como a descoberta de gás natural na Bacia de Santos,
chamada de "Bolívia do Litoral Paulista", que quase triplicou as
reservas nacionais de gás para 700
bilhões de m3 (250+450).
E uma das grandes oportunidades das próximas décadas
chama-se MERCADO
DE CARBONO com seus "CRÉDITOS DE
CARBONO". Com eles, o
Brasil produzirá e venderá biocombustíveis e
veículos ao mundo, além de levar adiante extensos
projetos de reflorestamento, a fim de conter o aquecimento global.
Será possível produzir
biodiesel em larga escala a partir da mamona plantada no semi-árido nordestino e até
exportar US$ 7 bilhões
ao ano de álcool anidro para o Japão, sendo esse apenas o início de um
longo caminho, pois em 2007, os EUA entraram no circuito em busca de ETANOL.
BIOCOMBUSTÍVEIS como o álcool e o biodiesel
representarão ao Brasil um saldo comercial superior a US$ 100
bilhões em 2015, para que sejam atingidas as crescentes metas de
redução de emissões de carbono, que aquecem o
Planeta.
Com a
área plantada atingindo 250
milhões de hectares, a
produção de grãos chegará a inimagináveis 600 MILHÕES DE TONELADAS
anuais de alimentos em alguns anos.
Já o cultivo de 170 mh no
Nordeste e na Amazônia deverá render, aproximadamente,
incríveis 13,8 BILHÕES DE TONELADAS de cana e plantas oleaginosas que,
beneficiados, responderão com 544
BILHÕES DE LITROS de BIOCOMBUSTÍVEIS
ao ano.
Serão 3,43 bilhões de
barris anuais de biocombustíveis, ou uma gigantesca
produção diária de 9,4 milhões de barris
equivalentes ao petróleo para exportação, só que
já prontos
para o consumo e muito mais valorizados pela difícil guerra da
humanidade
contra o aquecimento global.
COMÉRCIO EXTERIOR - ANÁLISE
RECESSÃO
MUNDIAL
Os EUA e o
mercado mundial passaram a desvalorizar o Dólar frente ao Euro
(moeda da União
Européia - UE) a partir de 2003. Historicamente, o Real era atrelado ao Dólar, mas também passou a
valorizar-se desde o 2º semestre de 2004, com maior força
desde o início de 2005, chegando a cair mais de 20 % durante
aquele
ano.
O mesmo
ocorre com Países asiáticos, como Japão, Coréia do Sul, Taiwan,
Indonésia e Cingapura (exceto a China), que deveriam estar perdendo a gigantesca
fatia do mercado americano que
haviam conquistado. Entretanto, os EUA seguiam por anos aumentando
seu déficit comercial com todos.
Alguns Governos protegem suas moedas, para serem, artificialmente, mais
competitivos do que os EUA, formando gigantescos superávits
contra este. Este é o caso da China que, por sua vez, financia o
déficit americano comprando e mantendo papéis do Tesouro
dos EUA, chegando a ter em 2008 quase US$ 2 trilhões deles.
O Brasil
vinha tendo antes pouca participação das exportações em seu PIB e
agora, com incentivos fiscais, regras fixas e
promoção, cada ano mais vem ganhando forte competitividade, mesmo com a moeda sobrevalorizada devido ao câmbio flutuante.
Nesse cenário de
mudanças, tanto há
riscos como há novas e imensas oportunidades comerciais para novos atores como o Brasil.
ESTATÍSTICAS
As
exportações brasileiras vêm sendo bastante
promissoras,
basicamente, devido à força de seu agronegócio e
das
novas frentes abertas. Entretanto, o câmbio sem política
de
controle vem prejudicando seu desenvolvimento desde 2006, havendo mais
força
nas
importações.
Para 2006, o ECONOMIA BR previra exportações de
US$ 145 bilhões (+ 23 %). Porém, com a permenente
redução do ritmo exportador durante todo o ano devido
à "insistente" queda do Dólar, uma previsão de US$
140 bilhões ficou mais factível, mas o resultado
não superou US$ 137,471 bilhões.
Para 2007, o ECONOMIA BR previa exportações de
US$ 160 bilhões (+ 16 %), acertando na mosca, com US$ 160,649
bilhões no final do ano. E houve uma continuidade na
redução do ritmo exportador pelo mesmo problema do
Dólar.
Para o ano de 2008, o ECONOMIA BR prevê exportações
de US$ 210 bilhões (+ 31 %). Mesmo como a defasagem cambial
ainda "insistente", as expressivas vendas de minério de
ferro e petróleo dominam a pauta com preços explosivos.
EXPORTAÇÕES
BRASILEIRAS
US$ BILHÕES
|
ANO
|
US$ BI
|
%
|
|
1999
|
48,371
|
-
|
|
2000
|
55,086
|
+
15 %
|
|
2001
|
58,223
|
+
6 %
|
2002
|
60,362
|
+
4 %
|
2003
|
73,084 |
+
21 %
|
2004
|
96,475
|
+
32 %
|
|
2005
|
118,309
|
+
23 %
|
2006
|
137.471
|
+
16 %
|
| 2007 |
160.000
|
+ 16 %
|
2008
*
|
210.000
|
+
31 %
|
2009
*
|
270.000
|
+
29 %
|
(*) 2008 e 2009 =
Previsão
do ECONOMIA BR em agosto de 2008.
Nenhum outro País tem
atingido um crescimento percentual como esse nos últimos anos,
mas o Brasil vem correndo de trás,
tentando alcançar o pelotão principal, bem mais
à frente e com longa tradição em comércio
internacional. No entanto, todo o esforço exportador da
área
industrial está sendo deixado de lado, em prol de uma
preocupante especialização em commodities.
Mesmo que alcançasse fantásticas vendas externas de US$
200 bilhões já em 2007, isso ainda
teria sido muito pouco. Para ficar entre os 10 primeiros exportadores
mundiais, seu lugar de direito se não tivesse permanecido
tantos anos fechado em si e em sua burocracia inerte, terá
que exportar mais de US$ 250 bilhões ao ano. Chegaremos
lá
em breve, se o Governo e o Banco Central não atrapalharem tanto.
Sem dúvida, este será um longo
caminho ainda a percorrer, mas a trajetória está
traçada e trata-se apenas de questão de tempo.
EXPORTAÇÕES
BRASILEIRAS
ENTRE 1999 E 2009
US$ MILHÕES (previsão)
Uma
perspectiva da evolução das Exportações
Brasileiras desde 1999. A partir
de 2003, o País passou a buscar novos patamares e vem
obtendo sucesso
acelerado. Em 2004, aproximou-se de US$ 100 bilhões, e em 2008
deve ultrapassar os US$ 200 bilhões. Para 2009, o
ECONOMIA
BR tem meta de US$ 270 bilhões.
O Governo Brasileiro projetava no
início de 2004 um conservador saldo
na Balança Comercial de
US$
26 bilhões e o País atingiu US$ 33,7 bilhões.
Todos os sábios nacionais previam que
o saldo de 2004 seria muito menor que o de 2003 (de US$ 24,8
bilhões). E continuaram prevendo isso para 2005, porque
demoram muito a entender o que vem acontecendo no mundo, já que
só olham para o passado e têm medo de errar ao
olhar à frente. E continuaram errando em 2006.
Tem-se
contado
com a forte e contínua recuperação da Argentina e
de
toda a América Latina, e com
a projeção de um saldo maior que US$ 30 bilhões na balança do Agronegócio, que representa menos de 12 % do PIB. Mas o que favorece mesmo
é o ambiente comercial mundial atual.
Mas, também espera-se que
continuem crescendo as vendas de manufaturados
e de semimanufaturados, áreas por valores agregados que vinham apresentando pesado déficit
comercial, embora tivessem presença
muito maior no PIB. Respondem
por 34 %. A Área de Serviços
é a maior com 54 %.
Sabe-se que, no comércio internacional,
70 % do fluxo está
concentrado em produtos industrializados de média e alta intensidade tecnológica. O
Brasil vinha exportando somente
32 % e importando os 70 % dessa faixa de produtos, basicamente, por falta de cultura exportadora,
financiamento adequado e pelos
tradicionais entraves burocráticos e até
tributários.
Enquanto isso, as commodities
primárias respondem por apenas
7 % do comércio mundial. Já o Brasil concentrava nesses produtos de baixo valor agregado 30 %
de suas exportações, com 11 % de importações. Nessa área, a
cultura exportadora é
secular (café).
PARTICIPAÇÃO
DOS VALORES AGREGADOS
NA PAUTA DE EXPORTAÇÃO BRASILEIRA - %
|
ANO
|
BÁSICOS
|
SEMI-MANU-
FATURADOS
|
MANUFA-
TURADOS
|
ESPECIAIS
|
|
2000
|
22,8
|
15,4
|
59,0
|
2,8
|
|
2004
|
29,6
|
13,9
|
54,9
|
1,6
|
|
2005
|
29,3
|
13,5
|
55,1
|
2,1
|
2006
|
29,3
|
14,2
|
54,3
|
2,2
|
EXPORTAÇÕES
BRASILEIRAS
EM 2006
US$ BILHÕES E
MILHÕES DE TONELADAS
PRODUTOS
|
US$ BI
|
PART %
|
MT
|
PART %
|
Básicos (Commodities Brutas)
|
40,3
|
29,30
|
325,1
|
76,62
|
Semi-Manufaturados
(Commodities Beneficiadas) |
19,5
|
14,20
|
38,3
|
9,03
|
Commodities Industrializadas
|
17,4
|
12,63
|
33,1
|
7,80
|
Sub-Total
|
77,2
|
56,13
|
396,5
|
93,55
|
Podutos Manufaturados
|
57,3
|
41,70
|
22,4
|
5,27
|
Operações Especiais
|
2,9
|
2,17
|
5,4
|
1,18
|
Total
|
137,4
|
100
|
424,3
|
100
|
Fonte: MDIC/SECEX -
Elaboração: AEB
Esses percentuais do comércio do País
vinham mudando nos últimos anos e precisariam mudar mais, urgentemente, para um maior
equilíbrio, ao menos, pois todas as áreas devem e podem
crescer bastante.
O desafio para o avanço
das exportações com substituição das importações de produtos
industrializados de médio e alto valor agregado é a chave para o sucesso do novo modelo exportador brasileiro : a
INOVAÇÃO e a RENOVAÇÃO TECNOLÓGICA.
Os Saldos
Comerciais Mensais vinham apresentando forte crescimento nos últimos anos,
até que o Real passou a ficar mais valorizado em 2006 e as
tendências ficaram mais difíceis, especialmente para os
manufaturados.
Junho de 2004 havia batido o recorde de todos os tempos, com US$ 3,801
bilhões. Em junho de 2005, caiu
a barreira dos US$ 4 bilhões de saldos mensais. E logo
a seguir, em julho, caiu espetacularmente por terra a barreira dos US$
5 bilhões, com US$ 5,005 bilhões, saldo este somente
ultrapassado pontualmente em julho e dezembro de 2006.
Com o Real mais caro em 2006 e 2007, as exportações
perderam um pouco de sua força relativa às
importações. Assim, quando será possível
cair a barreira dos US$ 6 bilhões ?
Veja os últimos
números do MDIC :
2008
Para 2008, vêm sendo confirmadas as previsões de que
Exportações e o Superávit Comercial não
cresceriam com a mesma força que as Importações,
devido à contínua sobrevalorização do Real
ao longo do ano.
Mesmo com todas as turbulências, a moeda brasileira
permanecerá procurando um patamar abaixo de R$ 1,60 por
Dólar.
Nos primeiros 7 meses de 2008, foram
exportados US$ 111,098 bilhões e importados US$ 96,445
bilhões, com um Comércio Total de US$
207,543 bilhões. Comparado
aos US$ 150,750 bilhões do mesmo período de 2007, o crescimento no Comércio Total foi
de fortes 37,7 %.
Já o
Superávit Comercial do período foi de US$ 14,653
bilhões, tendo representado um espetacular decréscimo de
39 % sobre
os US$ 23,916 bilhões do mesmo período de 2007. O aumento
nas importações continua pesando cada vez mais em 2008
devido ao Real valorizado, como bem fica refletido no quadro abaixo.
SALDOS
MENSAIS DA BALANÇA COMERCIAL
BRASILEIRA EM 2007 E 2008 - US$ BILHÕES
|
MÊS
|
2007
|
2008
|
VAR.
%
|
|
Janeiro
|
2,516
|
938
|
-
63
|
|
Fevereiro
|
2,900
|
874
|
-
70
|
|
Março
|
3,306
|
1,003
|
- 70 |
Abril
|
4,177
|
1,742
|
- 58
|
Maio
|
3,853
|
4,072
|
+ 6
|
Junho
|
3,821
|
2,719
|
- 29 |
| Julho |
3,343
|
3,304
|
- 1
|
Agosto
|
3,542
|
2,269
|
- 36
|
Setembro
|
3,472
|
|
|
Outubro
|
3,433
|
|
|
Novembro
|
2,025
|
|
|
Dezembro
|
3,636
|
|
|
|
Total Acumulado
|
40,024
|
16,922
|
- 39
|
O ECONOMIA BR previu que, na presente situação cambial, seria
extremamente positivo se o Brasil pudesse superar em 2006 o
Superávit Comercial de
US$ 44,764 bilhões de 2005. De fato, o Saldo de 2006 chegou a
US$
46,077 bilhões, mas com enormes percalços para tanto.
O
mesmo pode ser dito de 2007, com pequena queda para US$ 40,024 (- 13
%). Para 2008, será excelente um superávit de US$ 25
bilhões (- 38 %), com um Real tão sobrevalorizado, e uma
política inconsequente. De qualquer modo, será ainda
muito interessante
ver crescer bastante o Comércio Total.
COMÉRCIO EXTERIOR BRASILEIRO
ENTRE 2003 E 2006 - EM US$ BILHÕES
ANO
|
EXPOR
TAÇÕES
|
IMPOR
TAÇÕES |
SALDO
|
COMÉRCIO
TOTAL
|
2003
|
73,084
|
48,255
|
24,829
|
121,339
|
2004
|
96,475
|
62,782
|
33,693
|
159,257
|
2005
|
118,309
|
73,545
|
44,764
|
191,854
|
2006
|
137,471
|
91,394
|
46,077
|
228,865
|
| 2007 |
160,649
|
120,625
|
40,024
|
281,274
|
2008
|
210,000
|
185,000
|
25,000
|
395,000
|
2009
|
270,000
|
230,000
|
40,000
|
500,000
|
(*) 2008 e
2009 = Previsões do ECONOMIA BR.
Caso o Real em 2008 ainda estivesse
valendo em média mais de R$ 2,00 por Dólar,
seria possível projetar-se um
forte Saldo Comercial Anual de
até US$ 60 bilhões (50 % maior que o de 2007).
As exportações em 2008 estariam alcançando US$ 240
bilhões, contra US$ 180 bilhões de
importações, com um inédito Comércio Total
de US$ 420 bilhões.
Registre-se que o ECONOMIA BR só
havia errado a projeção de Comércio Total de 2005
em US$ 3 bilhões. O interessante é que o Comércio
Total em
2006 fechou em US$ 228,865 bilhões, apenas US$ 1,135
bilhão abaixo do valor também projetado aqui.
Os Saldos Comerciais de junho
de 2007 a abril de 2008
apresentaram uma boa desaceleração devido ao
câmbio.
A partir de maio de 2008, há uma tendência indefinida
As
Exportações Diárias vêm crescendo bastante
nos últimos anos,
com excelentes marcas, como a superação dos US$ 700
milhões em 2007 e dos US$ 900 milhões em 2008.
Em um
acompanhamento semanal, nada se comparava ao recorde obtido na 5ª
semana de julho de 2005, quando o Saldo Comercial (semanal) atingiu
novo patamar, com o total de US$ 1,970 bilhão, encostando na
casa dos US$ 2 bilhões semanais. Já a 1ª semana do mês
de julho de 2006 voltou a apresentar um Saldo
Comercial semelhante, com US$ 1,693 bilhão.
Embora muitos setores exportadores venham sofrendo com o câmbio e
a concorrência desleal da China - câmbio escandalosamente
fixo e mão-de-obra praticamente escrava, há alguns
setores com preços e volumes mais altos, como o minério
de ferro, a laranja, além do crescente petróleo e
biocombustíveis.
Esses resultados do Comércio Exterior Brasileiro ainda insistem
em buscar novos patamares em um paradigma aparentemente
inimaginável até pouco tempo, embora já apontado
pelo ECONOMIA BR desde o início de 2003.
Naquele tempo, era arriscado projetar-se sequer um saldo semanal de US$
600 milhões, algo já comum e até baixo hoje.
Na quarta semana de julho de 2008, o saldo foi de US$ 1,438
bilhão.
Para o futuro, já é possível projetar-se patamares bem mais altos de
Saldo Comercial. Poder-se-ia utilizar o patamar
de US$ 1 bilhão e projetá-lo para
um período anual, 12
meses à
frente, considerando-se somente
50 semanas úteis (pode ir a 53) :
PROJEÇÃO
DE SALDO
COMERCIAL DE 12
MESES A PARTIR DE
MÉDIAS SEMANAIS
- EM US$ -
|
SEMANAL
|
ANUAL
|
|
800
milhões
|
40 bilhões
|
|
1 bilhão
|
50
bilhões
|
1,2
bilhão
|
60
bilhões
|
|
1,5
bilhão
|
75 bilhões
|
| 2 bilhões |
100 bilhões |
2,5
bilhões
|
125
bilhões
|
3
bilhões
|
150
bilhões
|
Se o Saldo
Comercial semanal pudesse manter-se estável no patamar de US$ 1
bilhão, uma projeção anual simples seria de
saldo de US$ 50 bilhões. Conheça os principais Saldos Comerciais do mundo atual, veja o
avanço brasileiro e suas perspectivas.
Quando e se conseguir entrar em patamar ainda superior, evoluindo para US$ 1,5 bilhão por semana, a projeção de 12 meses
crescerá para hoje incríveis US$ 75 bilhões, que é a
próxima meta do Brasil, mas somente para quando o câmbio
estiver a favor das exportações.
Ao ultrapassar o paradigma de US$ 2 bilhões semanais, a
projeção saltará para hoje
espantosos US$ 100 bilhões anuais, como no quadro acima.
E isso ocorrerá cedo, mantidas as condições de
mercado atuais.
Com novos acordos hoje considerados impossíveis, como ALCA ou
UE, além desses e novos mercados sendo fortemente trabalhados,
as condições serão ainda melhores para o Brasil.
Um Saldo Comercial anual de US$ 60
bilhões traria, facilmente, o equilíbrio financeiro para o País,
independentemente do montante de
Investimento Estrangeiro Direto (IED), de possíveis US$ 35 bilhões em 2008,
número ainda bastante
acanhado para o potencial do País.
Porém, um Saldo anual acima
de US$ 100 bilhões ou mesmo de US$ 150 bilhões colocaria o País em um rumo e ritmo
de acelerado crescimento, incomodando e deslocando muitas economias
tradicionais da atualidade.
Esse é o motivo de
tanta insistência brasileira em negociações internacionais para a abertura de mercados
fechados
(como a CHINA, a UE e os EUA) e a luta pelo fim de subsídios a agriculturas
não-competitivas frente ao agora, e ainda mais no futuro, poderoso Agronegócio
Brasileiro, de alimentos, petróleo e energia renovável e
limpa.
Historicamente, ressalte-se que o maior Saldo Comercial brasileiro
acumulado em 12 meses ocorreu em abril de 1989 (17 anos antes), com US$
20,2 bilhões, o que nunca mais se repetiu em 14 anos,
evidenciando a lamentável e inexplicável
introspecção de sua economia, e levando ao seu
empobrecimento. Enquanto isso, muitos outros Países saltaram
à frente.
POLÍTICA
E PROMOÇÃO
Recentemente, o Banco Mundial
(BIRD) classificou como
"ultrajantes" as barreiras comerciais que os países ricos
impõem aos produtos das nações em desenvolvimento e disse que a
resistência desses países de fazer em casa a liberalização que pregam ao
mundo, sobretudo na
agricultura, é um dos grandes obstáculos à realização dos
objetivos de redução global da pobreza.
Nessa linha, o ex-Ministro da
Fazenda, Antônio Palocci, afirmou
ao ex-Ministro do Comércio Exterior dos Estados Unidos (USTR), embaixador Robert Zoellick,
que "é muito atrasada a postura dos
países desenvolvidos de não aceitarem o fato de que os países em desenvolvimento conquistaram um
nível de produtividade
maior que o deles.
Em matéria agroindustrial,
o Brasil disputa com vantagem com qualquer país desenvolvido. Não podemos
aceitar que os
desenvolvidos desprezem esse fato e coloquem barreiras."
"Onde ganhamos em
produtividade, queremos que essa vantagem se expresse em comércio", disse
ele. "Não
podemos esperar pela ALCA."
O Presidente Lula tem reiterado
uma das principais metas do Governo : aumentar as exportações brasileiras, atingindo
novos mercados como
África do Sul, Rússia, Índia, China (PAÍSES
BALEIAS) e outros
Países asiáticos.
Segundo Lula, há alguns anos, havia Países com mais de 200 milhões de habitantes onde
não existia sequer uma
representação comercial do Brasil.
O Presidente procura sempre
apresentar-se como o principal mascate - que na sua infância passava de casa em casa vendendo roupa em sua cidade natal (de tanto
insistirem, sempre vendiam
algo) - para dizer que pretendia que seus Ministros do Comércio e da Agricultura também fizessem o mesmo na busca de novos mercados para os
produtos brasileiros.
Com isso, a Agência de
Promoção de Exportações
do Brasil (APEX-Brasil) passou a envolver-se em mais de 200 diferentes projetos e operações de comércio
exterior desde 2003. Vem dando ênfase
à Inteligência Comercial, com plena distribuição do cruzamento de
informações, e visando atingir uma base de mais de 30.000 empresas exportadoras realmente ativas em todo o País.
Ainda há forte concentração, pois
apenas 1 % das empresas que
exportavam respondiam por 67 %
do valor das vendas externas de 2003, contra 56 %, em 1999, segundo levantamento
da Fundação
Centro de Estudos de Comércio Exterior (FUNCEX).
O País precisa atingir uma política forte que privilegie a simplificação
dos procedimentos e o desenvolvimento
da cultura exportadora. Em sua estratégia comercial, o
Brasil passou a investir na realização de eventos para
apresentar seus produtos no exterior, o que antes seria impossível.
Nova Marca Brasil para
Exportações e
Turismo sendo introduzida em
2005 pelos
Ministérios do
Desenvolvimento e do Turismo.
Alianças com a CHINA e
os EUA poderá
representar uma NOVA ERA de desenvolvimento. Para o Brasil, existe
um universo ainda maior, de 100.000 empresas de todos os tamanhos e
setores que poderão passar a exportar produtos e serviços
para a CHINA e os EUA, os 2 maiores mercados consumidores mundiais.
PRODUTIVIDADE
Nossa perda de competitividade foi
tão grande nas últimas
décadas que, em comparação, em 1974, o PIB da CHINA
era de US$ 150 bilhões e as suas exportações mal superavam US$ 6 bilhões
(a preços de 1997). No
mesmo período, o PIB do Brasil era de US$ 334 bilhões e as
exportações de quase US$ 12 bilhões.
Já nesse início do
Século XXI, a China exportou US$ 249 bilhões em 2002,
US$ 438 bilhões em 2003 (avanço de US$ 189 bilhões
em um ano), e US$ 593,4 bilhões em 2004 (mais US$ 155,4
bilhões), enquanto o Brasil lutava para atingir suados US$ 96,5 bilhões em 2004,
significando apenas 16 % das exportações chinesas
anuais. É ainda um incrível fosso de diferença.
Os dois Países percorreram caminhos totalmente opostos. Enquanto a China optou por exportar para crescer, o Brasil manteve-se fechado ao
mundo, endividando-se,
empobrecendo e complicando-se cada ano mais em um emaranhado de
corrupção. Sabe-se que a China será uma economia
maior que a dos EUA em alguns anos.
Diversos exemplos de grande
prosperidade podem ser acrescidos,
como Alemanha e Japão, literalmente, destruídos pela 2ª GM,
Coréia do Sul, Cingapura, Hong
Kong (China), etc. Tais países possuem elevada participação de
exportações em relação a grandes PIBs, enquanto o Brasil ainda exporta menos
de 15 % de seu enfraquecido PIB
(120/800), que nem evolui, formando um círculo vicioso.
O México, um emergente de menores recursos, conseguiu um salto
impressionante em seu Comércio Exterior, pois com o NAFTA saiu
em apenas 6 anos de um montante de US$ 40
bilhões para US$ 280 bilhões anuais de comércio.
Em 2006, todo mês
continuarão a surgir novas exportadoras no Brasil, mas o País ainda não
exportará dezenas dos produtos mais dinâmicos do
comércio internacional. Isso tem que mudar porque
o tempo não está a favor - e tempo é dinheiro - e
é de dinheiro honesto que o povo brasileiro carece.
PROTECIONISMO
Além de nossa baixa
competitividade, ainda precisamos
encarar o enorme protecionismo com subsídios agrícolas de
mais de US$ 300 bilhões ao ano dos EUA, União Européia e Japão,
o que reduz ainda mais as
chances
de o Brasil desenvolver-se e gerar empregos.
Em infindável luta comercial com EUA,
União Européia e
Japão (ultra-protecionista), o Brasil e outros importantes produtores mundiais (G-20)
viram com frustração o descaso com as negociações no
âmbito da OMC em julho de 2008, após intenso trabalho visando a eliminação
/
redução de barreiras
para a Agricultura, na fracassada e extinta Rodada de Doha.
A resposta brasileira deverá vir nas
negociações das novas alianças do Mercosul e com a UE. Para o Governo Brasileiro, se não houver
avanços para um acordo
na Agricultura, não haverá avanços em mais nada.
Nesse caminho, o export drive
brasileiro descola-se cada vez
mais do mercado americano, tendo sido reduzido para menos de um quinto de nossos embarques
totais, e o Governo passou a
acelerar em possíveis acordos comerciais com a
China, Índia, Rússia, África do Sul e Oriente
Médio. Assim será até que haja mudanças
significativas.
Este caminho é errado e preconceituoso, pois o mercado americano
poderia fazer pelo Brasil o que fez
pelo México, mesmo sem qualquer acordo ou aliança.
Basta ter competência. Por exemplo, os EUA necessitam que o
Brasil produza ETANOL para
ajudar
a reduzir em 20 % seu consumo de gasolina, estimado em 540
bilhões
de litros ao ano.
AS
GRANDES ÁREAS
AGRONEGÓCIO
MANUFATURADOS E
SEMI-MANUFATURADOS (Breve)
SERVIÇOS (Breve)
SUBSTITUIÇÃO
DE IMPORTAÇÕES
(Breve)
NOVAS
OPORTUNIDADES
A criatividade é a chave para o sucesso do novo
modelo exportador brasileiro.
O desafio para o avanço das exportações
brasileiras passa
por novas e criativas formas de atender às oportunidades que o mundo apresenta, como a
dos CRÉDITOS DE CARBONO. Com eles, o Brasil produzirá e venderá
biocombustíveis e hidrogênio, além de
veículos a todo o mundo.
Pode-se
avançar com exportações do Agronegócio,
com produtos industrializados
de alto valor agregado, com acentuada renovação
tecnológica, com substituição
de importações, com serviços sendo oferecidos em pacotes com financiamentos e
projetos incluídos, e com
novos negócios que
atendam a novas oportunidades.
Outra enorme oportunidade
será a proporcionada
pelo novo mundo da NANOTECNOLOGIA.
A NANOTECNOLOGIA
está revolucionando os materiais, produtos e processos. Poderão ser trabalhados a
níveis molecular e
atômico, podendo auto-organizar-se e realinhar-se em resposta a estímulos externos.
Materiais Nanoestruturados
poderão ser 100 vezes mais fortes, enquanto mais leves, e mais resistentes a temperaturas extremas que o aço e outros materiais
conhecidos.
O Brasil ainda participa
timidamente dessa corrida e visa conquistar, ao menos, 2 % do mercado mundial (US$ 20
bilhões de US$ 1
trilhão ao ano).
BIOCOMBUSTÍVEIS
Enormes oportunidades são
advindas da necessidade de os
Países ricos - como o Japão - atenderem ao Protocolo de Quioto pelo desenvolvimento ambientalmente
amigável, adicionando mais e mais combustíveis limpos e
renováveis a suas hoje poluentes matrizes energéticas.
São os Biocombustíveis.
Isso está no caminho do Brasil como um grande trunfo
para o futuro. Boa parte do que hoje é investido somente
em safras de grãos será, inexoravelmente, direcionado
também para uma combinação com de ALIMENTOS e ENERGIA
LIMPA, com valores mundiais crescentes.
Lula é recebido pelo casal
Bush em Camp David, 31 de março de 2007.
(Ver Declaração
Conjunta e Transcrição da entrevista coletiva com vídeo).
(Foto Ricardo Stuckert - PR -
ABr 31032007G00001)
Estima-se que, em 2025, a demanda
mundial por gasolina de veículos leves atinja 2 trilhões
de litros, contra 1,2 trilhão, atualmente. O Brasil
pode se dispor a alcançar um patamar de 300 mh de novas
áreas disponíveis para plantações de
cana-de-açúcar.
Assim, poderá produzir impensáveis 2 TRILHÕES DE LITROS DE ETANOL, com
uma média de 6,67 mil litros por hectare.
Esse volume atenderia às necessidades do mundo. Seriam 12,6
bilhões de barris anuais que, a apenas US$ 200,00, valeriam
espantosos US$ 2,52 trilhões.
NOVAS
ÁREAS PARA O
ETANOL
MILHÕES DE HECTARES
REGIÃO
|
MH
|
MATO GROSSO
|
85
|
AMAZÔNIA
|
5
|
NORDESTE
|
100
|
OUTROS
|
20
|
PASTAGENS
|
90
|
TOTAL
|
300
|
HIDROGÊNIO
No
futuro, os veículos também serão movidos a
hidrogênio. O processo de fabricação
desse hidrogênio e da produção de energia é
o nuclear. E o processo brasileiro de ultracentrifugação
do urânio é 25 vezes mais barato que o americano, por
exemplo. Não existe parâmetro confiável para
avaliar-se a dimensão econômica mundial desse mercado de
hidrogênio.
Hoje, somente para utilização em usinas nucleares, o
mercado mundial de urânio enriquecido é estimado em US$ 18
bilhões ao ano. O Brasil vai entrar nessa disputa de venda de
elemento combustível, pois é o
6º maior produtor mundial de urânio.
Segundo as Indústrias Nucleares Brasileiras (INB), as reservas
brasileiras atuais são da ordem de 310 mil toneladas de
urânio. Estima-se que poderá chegar ao
3º lugar, com a devida prospecção de novas
áreas.
Existem 440 reatores
nucleares no mundo e 60% deles usam urânio enriquecido. Somente 4
empresas concorrem pela comercialização do urânio
beneficiado no mercado mundial : USEC (EUA), Eurodif / Cogema
(França), Urenco (consórcio de Alemanha, Inglaterra e
Holanda) e
Tenex (Rússia).
Por enquanto, o País vende apenas o minério natural, por
US$ 30 o quilo. Esse valor pode chegar a US$ 1,4 mil, quando o ciclo de
beneficiamento estiver desenvolvido e operante. O mineral é hoje
vendido pela INB à Eletronuclear para ser enriquecido pela
Urenco, na Europa.
A nova técnica
brasileira de enriquecimento do urânio é mais eficiente
e 25 vezes mais barata do que tecnologia usada nos EUA. Para enriquecer
1 kg de urânio a 4 %, a ultracentrifugação gasta em
média 530 kWh, a um custo de R$ 26. Na difusão gasosa,
processo escolhido pelos norte-americanos, o consumo é
de 13.250 kWh, custando o equivalente a R$ 662.
O
FUTURO ESTÁ NA CHINA
E NOS PAÍSES BALEIAS
A criatividade
é a chave para o sucesso do novo modelo exportador brasileiro :
"O
mercado futuro de grãos
em breve se tornará na prática
um mercado futuro da água."
A chave para
a criatividade e o sucesso está na CHINA e nos PAÍSES BALEIAS, sem esquecer nem
tirar de vista que o maior mercado mundial ainda são os EUA.
Apenas para ilustração, em 2006, os EUA utilizavam mais
de 20 milhões de barris por dia,
o equivalente a 25 % de toda a demanda mundial e ao total consumido
pela Europa e Eurásia.
A novidade é o crescimento da China, que está respondendo
por mais de 8 % do consumo mundial, tendo ultrapassado o Japão
desde 2004, com 6,8 % do total.
Mapa da China com
seus vizinhos.
Em julho de
2003, o Diretor do Programa de Meio Ambiente da ONU alertou o mundo que
o crescimento planejado da CHINA é insustentável. Isso
significa que querer
quadruplicar a economia em 20 anos ameaça seus recursos naturais
à exaustão, encerrando a produção de
grãos para alimentar seu povo.
Por esse motivo, no mundo inteiro pergunta-se hoje :
É fácil imaginar o
que isso pode significar para o planeta quando se procura quadruplicar o PIB e comprar alimentos e
energia pelo mundo para um País Gigante, um Continente em si,
com uma população de mais
de 1,3 bilhão de habitantes (que pode ser de 1,7 bilhão),
em franco crescimento demográfico, econômico e social.
Sua economia também está crescendo a um índice
estarrecedor - quase 11 % em 2006, e seu
povo está começando a desfrutar de uma
alimentação mais saudável, assim como
começa, perigosamente, a
tomar gosto de nosso consumismo ocidental.
Preocupado em fazer o povo alimentar-se de forma mais sadia, o governo
vem incentivando cada chinês a comer 200 ovos por ano (260
bilhões de ovos anuais). Para produzir isso é
necessário um plantel de 1,3 bilhão
de galinhas a serem alimentadas com uma produção de
cereais superior à de toda a gigantesca Austrália. E o
consumo chinês per capita de frango congelado saltou de 3 quilos em 1990 para 9 quilos em
2000, tendo dobrado para 18 em 2006.
Os chineses também estão adquirindo gosto por frutos do
mar. Se começarem a comer peixe no ritmo dos japoneses,
consumirão vorazmente os pescados do
mundo inteiro. O número de carros nas rodovias da China aumentou
quase 40 % somente em 2003, e o ritmo continua forte em 2007. A
líder das montadoras de veículos do País, a
estatal First Automotive Works, tem por alvo quintuplicar
(5x) sua produção
em 4 anos.
O Instituto do Petróleo acredita que a demanda por gasolina
subirá em torno de 500 % na China nos próximos 25 anos.
Se o País tivesse a mesma densidade de carros particulares que
tem a Alemanha, por exemplo, teria de produzir 650 milhões de
veículos. Simplesmente não existem nem metais nem
combustíveis suficientes no mundo para acompanhar tais
números.
Parte do perigo de tudo isso é que os
planos da China só poderão concretizar-se se as
nações desenvolvidas mudarem radicalmente seus
hábitos
de consumo. Outra alternativa será a de disputarem pelos
preços, em uma grande queda de braço mundial (a
razão
do advento dos Países Baleias).
O crescimento desse País nos últimos 12 anos tem sido
fenomenal. Embora muitos ainda vivam na pobreza, uma minoria crescente
a cada dia agora tem meios para comprar
carros, produtos eletrônicos e iguarias importadas, artigos
que costumavam ser considerados supérfluos.
Deverão chegar em alguns anos a inusitados 1,5 bilhão de
consumidores. Hoje, já existem quase 180 cidades com mais de 1
milhão de habitantes cada. Quantas serão em alguns anos e
com que nível de poluição para seus milhões
e milhões de veículos ?
Segundo o Worldwatch Institute (WWI-UMA), a China
já superou os EUA, que consomem um terço dos
recursos naturais do planeta na produção de carne,
fertilizantes, aço e carvão.
O Brasil poderá ALIMENTAR E MOVER VEÍCULOS COM ENERGIA LIMPA (ambos
aqui produzidos) na CHI