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AS EXPORTAÇÕES

BRASILEIRAS


O AGRONEGÓCIO

BIOCOMBUSTÍVEIS




Biofuels

Presidente Lula discursando durante sessão especial
da Conferência Internacional sobre Biocombustíveis,
em Bruxelas (Bélgica), em 5 de Julho de 2007.
(Foto Ricardo Stuckert - PR - 05072007G00004)



INTRODUÇÃO

CANA-DE-AÇÚCAR


ETANOL


SORGO SACARINO


ETANOL CELULÓSICO


BIODIESEL





INTRODUÇÃO


O Brasil encontra-se só no início de um enorme caminho de transformar-se na maior potência mundial em termos de vendas externas de BIOCOMBUSTÍVEIS, pois o futuro pertencerá apenas àqueles conhecidos como COMBUSTÍVEIS LIMPOS.


Isso tanto vale tanto como um aviso sobre o fim das reservas de petróleo quanto sobre o crescimento do aquecimento global - em grande parte provocado por este combustível altamente poluidor - em algumas décadas. Ambos os fatos levarão a nossa presente civilização a drásticas mudanças, que já estão em processo.


Entre os mais importantes 
COMBUSTÍVEIS LIMPOS estarão o ETANOL, basicamente proveniente da CANA-DE-AÇÚCAR no Brasil, e o BIODIESEL, proveniente de diversas plantas, sendo a mais interessante em termos de distribuição de renda no País a MAMONA.


Por volta de 2012, uma revolução mundial neste campo poderá já estar acontecendo, e ela tem o nome de
ETANOL CELULÓSICO. Os EUA temem tornarem-se dependentes do Brasil em termos de ETANOL e apostam firmemente no advento desse novo combustível.


Isso poderá ser válido desde que consigam competir comercialmente com o Brasil também neste campo. Acontece que a quebra da celulosa da palha de milho tem um custo estimado em US$ 2.50 por galão, enquanto o Brasil consegue isso com apenas US$ 1.00 por galão, usando a cana-de-açúcar.


Com uma nova e real disposição do Departamento de Estado em relação ao Brasil, os EUA poderiam alcançar grandes benefícios, começando por uma maior abertura do mercado americano aos biocombustíveis brasileiros.



Entretanto, o mais significativo seria o Brasil e os EUA introduzirem e liderarem um movimento para espalhar e aprofundar o desenvolvimento de biocombustíveis no Hemisfério Ocidental, visando fornecerem a todo o planeta. Para tal, firmaram em 2007 uma inédita PARCERIA ESTRATÉGICA em torno dos BIOCOMBUSTÍVEIS.


Em 4 de julho de 2007, a União Européia (UE) estabeleceu uma parceria estratégica com o Brasil semelhante às que apenas existem com a China, Índia, Canadá, EUA e Rússia. Isso aconteceu em seguida ao fim das negociações da Rodada de Doha, no âmbito da OMC.


O interesse dos europeus é somente o potencial que o Brasil tem de fornecer biocombustíveis à altura da crescente demanda do grupo nos próximos anos, quando chegará a 10 % do consumo de combustíveis.


Segundo os europeus, o novo patamar das relações com o Brasil daria coerência à política externa da UE, que agora prioriza todos os BRIC -  Brasil, Rússia, Índia e China. Bruxelas vê o Brasil como um ator essencial na luta contra o aquecimento global, uma das prioridades da UE.



(Clique na foto abaixo para ver imagem gigante)

O Presidente Lula participa da sessão de encerramento da Cúpula-Empresarial Brasil-União Européia, na Feira Internacional de Lisboa, em 4 de Julho de 2007.
(Foto Wilson Dias - ABr - 1802wd987)



Em 2007, o Governo Brasileiro passou a desenvolver um plano de expansão da produção de etanol  para exportação a nível global. O plano teve início com uma pesquisa da Unicamp, que verificou a viabilidade de o etanol brasileiro substituir 10 % da gasolina no mercado mundial, em 20 anos.


Tal levantamento indicou que, para o Brasil chegar a essa posição, será necessário investir R$ 20 bilhões anuais em produção e logística.
Esse volume será necessário nos 5 primeiros anos e começará a decrescer no período subseqüente. Nos últimos 7 anos, o retorno remunerará o investimento inicial.


O estudo considera que os recursos virão da iniciativa privada, com a perspectiva de o governo participar via financiamentos do BNDES. A Transpetro, braço logístico da Petrobrás, participou do grupo de estudo.


Caso o cenário de investimentos ocorra, as exportações de ETANOL passarão de 2,8 bilhões de litros para 200 bilhões de litros em 2025 e a área plantada, de 5,6 milhões de hectares para 30 milhões de hectares,
com uma média de 6,6 mil litros por hectare.


Isso representa menos de 10 % da área disponível, não sendo necessário invadir florestas ou área agrícola. A expansão da produção se dará principalmente no Norte e Nordeste. O estudo não inclui São Paulo, porque a densidade de usinas no Estado já é elevada.





CANA-DE-AÇÚCAR


Parte do sucesso futuro de nosso Agronegócio será creditado à CANA DE AÇÚCAR, que deverá ter um grande mercado mundial na forma de álcool, outro semi-manufaturado, além do açúcar.



EVOLUÇÃO DE PRODUÇÃO DE CANA



SAFRA
CANA
MILHÕES DE TON
AÇÚCAR
MILHÕES DE
SACAS / 50KG

ÁLCOOL
MILHÕES
DE M3
1994/95
240,9
234,5
12,7
1995/96
251,3
253,0
12,6
1996/97
287,8
273,3
14,4
1997/98
303,9
298,2
15,4
1998/99
314,9
359,3
13,9
1999/00
306,9
387,7
13,0
2000/01
257,6
324,9
10,6
2001/02 293,0
384,4
11,5
2002/03
320,7
451,3
12,6
2003/04
356,3
498,5
14,8
2004/05
383,2
530,3
16,0
2005/06
436,8
534,0
17,0
2006/07
474,8
604,5

2007/08
549,9
592,9


Fontes : UNICACONAB e Mercado.
Álcool = Total (anidro e hidratado).



Com a produção recorde de 436,8 mt de cana-de-açúcar em 2005/06, o Brasil confirmou sua posição de líder mundial. Em 2007/08, projeta-se uma evolução para 549,9 mt.


Os
COMBUSTÍVEIS LIMPOS representarão enormes oportunidades para o álcool brasileiro na primeira metade deste Século XXI. As iniciais são advindas do Japão, da China, dos EUA e do Protocolo de Quioto.



Lula, Bush e o Etanol

Presidentes Lula e Bush examinam mudas de cana-de-açúcar,
utilizada na produção de etanol,
no Terminal da Transpetro
de Guarulhos, São Paulo, 9 de março de 2007.
(Foto Ricardo Stuckert - PR - ABr 1611RS03)



O setor planeja alcançar por volta de 2010 uma produção de 650 mt de cana-de-açúcar. O Governo anunciou ao mundo em julho de 2006 que a safra pode aumentar em até 4 vezes sem representar queimadas por terras novas.




ETANOL


O biocombustível é o combustível do futuro, porém em escala muito superior à do biodiesel. Quando a China atingir 1,5 bilhão de consumidores em alguns anos, muitos motorizados, o consumo mundial de biocombustível será explosivo.


A China de 2006 já sentia muito a falta de energia para continuar crescendo sem provocar inflação, pois havia sido exportadora líquida
de 3 milhões de barris/dia de petróleo por volta de 2001 e em 2005 passou a importar liquidamente 4 milhões de barris/dia, já consumindo 7,5 mb/dia.


Trata-se do 5º maior produtor mundial com 3,5 mb/dia, basicamente extraídos em terra.
E continua a crescer acima de 10 % ao ano.


O álcool anidro brasileiro será misturado à gasolina em todo o mundo, formando esse biocombustível que já é largamente utilizado no País a 25 %.
A partir disso, a maior parte do petróleo será, aos poucos, substituída por combustíveis renováveis, a médio e a longo prazo. Ditará o mercado quem os produzir.


Com um consumo mundial de álcool anidro para o biocombustível, misturado em 25 %  à gasolina, serão necessários 100 bilhões de litros (bl) de álcool ao ano. Se a mistura chegar a 50 %, serão 200 bl, e a 100 % serão 400 bl ao ano. O Brasil produziu em 2006 quase 18 bl, ou 4,5 % desse volume. A quanto poderá ir a cotação do biocombustível no mundo ?


O
volume de exportação de álcool carburante, ou ETANOL, chegou a 2,5 bl em 2005 e 2,8 bl em 2006. Atingiu 1,927 bl em 2004, representando um aumento de 218 % em relação a 2003, de 606 ml. Em Dólares, evoluiu de US$ 166 milhões em 2003 para US$ 504 milhões em 2004, com crescimento de fantásticos 204 %. Países como EUA e Índia já estão importando ETANOL do Brasil para suplementar a oferta doméstica, e muito mais está por vir.


Já o consumo de ETANOL no mercado doméstico está crescendo regularmente com o aumento da frota dos carros movidos a gasolina - que já contém 25 % de álcool etílico anidro em sua composição. Também contribui para o incremento do consumo interno o enorme sucesso do comércio dos carros "flex" bi-combustíveis, cujas vendas vêm atingindo patamares surpreendentes.


A safra brasileira de cana-de-açúcar situou-se num patamar próximo a 500 milhões de toneladas na safra de 2006/07.


Em 19 de dezembro de 2005, a Petrobras assinou contrato com a empresa japonesa Nippon Alcohol Hanbai para a criação de uma companhia que vai importar álcool da estatal brasileira. O nome da empresa será Brazil-Japan Ethanol e terá como objetivo principal buscar um mercado para o álcool brasileiro naquele País.


A Petrobras participa da sociedade por meio de sua subsidiária Petrobras Internacional Braspetro BV, com sede na Holanda. A nova empresa, que em japonês se chamará Nippaku Ethanol, terá participação acionária de 50 % da Petrobras e 50 % da Nippon Alcohol Hanbai, que já detém 70 % do mercado de distribuição de etanol no Japão. A gestão societária será compartilhada pelas 2 empresas.


A idéia é iniciar, a partir de 2008, a exportação de 20 milhões de litros de álcool para o mercado japonês. Como a legislação japonesa autoriza a mistura de 3 % de álcool à gasolina, a expectativa é de que as exportações de álcool da Petrobras para o Japão possam chegar a 1,8 bl anuais, até mesmo em curto prazo.


Esse forte incremento nas exportações de ETANOL vai permitir uma enorme expansão da área plantada e de usinas de álcool no Brasil. Só em 2004, foram produzidos 15,2 bl de álcool no País, dos quais 2,5 bilhões foram exportados. Já são exportados agora, anualmente, 4,3 bl somente no início, e ainda sem contar a "monstruosa" China.


Em junho de 2006, a Petrobras anunciou que iria se tornar a maior empresa exportadora do combustível do Brasil e que tinha na mira mercados como os da Venezuela, da China e do Japão.


N


PRODUÇÃO E EXPORTAÇÃO
DE ENERGIA RENOVÁVEL

EM MILHÕES DE BARRIS / DIA
EQUIVALENTES DE PETRÓLEO

COTAÇÃO MÉDIA ENTRE US$ 80 E US$ 400


ANO
PROD.
DIÁRIA
EXP.
DIÁRIA
EXP.
ANUAL
US$ BI/ANO A US$ 100
US$ BI/ANO A US$ 150
US$ BI/ANO A US$ 200 US$ BI/ANO A US$ 300
US$ BI/ANO A US$ 400
2008
0,4
0,1
36,5
3,65
5,48
7,30 -
-
2009
0,6
0,2
73,0
-
10,95
14,60 -
-
2010
0,9
0,4
146,0
-
-
29,20
-
-
2015
3,0
2,0
730,0
-
-
146,00
219,00 -
2020
6,0
4,8
1.752,0
-
-
-
525,60
-
2022
10,0
8,4
3.066,0
-
-
-
919,80
1.226,40

Projeção de ECONOMIA BR com 10 mb diários em 2022, considerando-se baixa
demanda interna devido às exportações contratuais de combustíveis limpos.
Atualizado em junho de 2008 com cotações do petróleo a US$ 140 por barril de 159 litros.



O que parecia ser uma convocação do Brasil para uma guerra de economia dos americanos contra Venezuela e Irã, deverá mesmo tratar-se de uma inédita iniciativa pan-americana em torno do etanol. Poderá ser uma oportunidade histórica para todo o hemisfério ocidental.


O Brasil produzia em 2007 em torno de 18 bilhões de litros de etanol a cada ano. Para suprir a demanda americana, seriam necessários mais 130 bl. Seria aumentar a produção 8,22 vezes, ou 722 %, para 148 bl ao ano.


Estima-se que, em 2025, a demanda mundial por gasolina atinja 2 trilhões de litros
, contra mais de 1,2 trilhão, atualmente. Para substituir 20 % dessa demanda, o Brasil terá de produzir 400 bl de ETANOL todo ano a preços até superiores aos de derivados de petróleo, por causa do enorme esforço pela redução do aquecimento global, algo simplesmente inimaginável hoje.


Com base no levantamento da UNICAMP acima, para que ocorram exportações de ETANOL de 400 bl em 2025, a área plantada deverá ser de 60 milhões de hectares, c
om uma média de 6,67 mil litros por hectare.


Isso representará menos de 20 % de área facilmente disponível no País, cujos 100 % daria um total aproximado de 300 mh.



Entretanto, se o País se dispuser a alcançar um patamar superior, chegando a esses 300 mh de novas áreas disponíveis para plantações de cana-de-açúcar, o Brasil poderá produzir esses hoje impensáveis 2 TRILHÕES DE LITROS DE ETANOL, com uma média de 6,67 mil litros por hectare.


Esse volume atenderia às necessidades do mundo.
Seriam 12,6 bilhões de barris anuais que, a apenas US$ 200,00, valeriam espantosos US$ 2,52 trilhões.



NOVAS ÁREAS PARA O ETANOL

MILHÕES DE HECTARES


REGIÃO
MH
MATO GROSSO
 85
AMAZÔNIA
5
NORDESTE
100
OUTROS
20
PASTAGENS
90
TOTAL
300



Lula em Camp David com Bush

Lula é recebido pelo casal Bush em Camp David, 31 de março de 2007.
(Ver Declaração Conjunta e Transcrição da entrevista coletiva com vídeo).
(Foto Ricardo Stuckert - PR - ABr 31032007G00001)



Os EUA precisam, com urgência, diversificar suas fontes de energia e tornarem-se menos dependentes do petróleo. Além disso, pretendem minar as economias contrárias à sua por meio de investimentos nessas novas formas de energia.


E o Brasil, exemplo mundial em combustíveis alternativos, por conta do sucesso do álcool, tornou-se assim um aliado preferencial da Casa Branca, cujo objetivo é reduzir o consumo de gasolina em 20 % nos próximos 10 anos. Frutos políticos conjuntos também crescerão frente ao mundo ao diminuírem a agressão ao meio ambiente.


A Europa inteira tem hoje apenas 0,3 % da mata que tinha há 8 mil anos atrás. O Brasil tem 69 %. A América do Norte toda tem 32 % por causa do reflorestamento do Canadá para produzir papel e celulose.


Há algum tempo, o congresso americano impôs tarifa de US$ 0,54 por cada galão de etanol importado, para tentar reduzir a penetração do ETANOL brasileiro no mercado local. Com a nova disposição do Departamento de Estado em relação ao Brasil, isso pode mudar para uma abertura do mercado americano.


N


SORGO SACARINO


A Embrapa Agroenergia, caçula da rede de 38 unidades da Embrapa investe em novos materiais de primeira geração para a fabricação de um etanol mais barato e produtivo. Ela também reforça a aposta em um biocombustível brasileiro de segunda geração, feito a partir de celulose e "construído" com conhecimento novo e parcerias estratégicas.


Para vencer esse desafio, a estatal trabalha em uma rede de 42 centros e 200 cientistas da casa e de outras unidades de pesquisa. 


Na área de desenvolvimento de novas matérias-primas, o principal trunfo da Embrapa Agroenergia é o domínio tecnológico do SORGO SACARINO. Gramínea de alta capacidade de captação de energia, comparável à cana-de-açúcar, este tipo de sorgo adapta-se em várias regiões, tolera seca e tem alto potencial para ser cultivado em áreas marginais da cana. 


A grande vantagem é que o sorgo produz 85 toneladas por hectare (uma produtividade similar à da cana), mas leva apenas 140 dias para ser colhido, enquanto a cana demora entre 12 e 18 meses para o primeiro corte. 


Mais do que uma matéria-prima perfeita para o etanol, o sorgo também pode ser usado como ração para o gado. Fácil de armazenar, produz entre 2 e 3 ton de massa seca por hectare. O novo produto encurta o caminho para etanol de celulose, algo que está no topo da agenda dos grandes consumidores, como EUA e Europa. 


O sorgo produz 70 % da sacarose da cana e metade da lignina (substância que dá consistência à madeira), o que exige menos energia para quebrar as cadeias de carbono e transformá-lo em etanol. Isso significa que é mais fácil extrair etanol de celulose a partir deste material. 


A Embrapa já tem 4 variedades brasileiras com avançado domínio tecnológico, bastando agora difundir os materiais. O capim-elefante, muito comum em várias partes do País, também pode ser usado para produção de massa seca no regime de co-geração de energia. 


Nos planos da Embrapa, estão as pesquisas para melhorar a cana-de-açúcar por meio da fixação biológica de nitrogênio. Isso eliminaria a demanda de 70 % de derivados de petróleo e significaria mais lucros, porque há uma redução de 30 % nos custos de produção já no primeiro ano. 




ETANOL CELULÓSICO


O Etanol Celulósico promete revolucionar o mercado de energia em alguns anos.


O etanol celulósico é obtido a partir da
celulose de resíduos da agricultura e promete
render até 3 vezes mais etanol que o obtido
com a cana-de-açúcar, podendo vir a
revolucionar o campo e a energia do futuro.



Essa revolução reside na altíssima produtividade para a produção desse etanol e no fato de poder ser gerado a partir de qualquer tipo de planta, como a palha do milho (EUA) e o bagaço da cana-de-açúcar (Brasil).


No acordo firmado entre os EUA e o Brasil em 2007 em torno dos
BIOCOMBUSTÍVEIS, consta uma importante PARCERIA nas custosas pesquisas para o desenvolvimento comercial do Etanol Celulósico.


Como essa tecnologia promete dobrar a produtividade do etanol, atualmente calculada em 7 mil litros por hectare, haverá a partir de um prazo estimado entre 5 e 10 anos uma expansão vertical na produção, o que levará o Brasil a um outro patamar energético e comercial.


Estima-se que a quebra da celulosa da palha de milho nos EUA tenha um custo em US$ 2.50 por galão, enquanto o Brasil já tem hoje um custo de apenas US$ 1.00 por galão, usando a cana-de-açúcar.
Como um parece então precisar do outro, resolveram aproximar-se e apostar na parceria de desenvolvimento conjunto.




BIODIESEL


O BIODIESEL é um dos combustíveis do futuro, por ser um éster de óleo vegetal, portanto, de origem renovável. Sua principal e mais nobre característica é a de não poluir a atmosfera (dióxidos de carbono e enxofre). O diesel mineral (petróleo) será largamente substituído pelo biodiesel em todo o mundo nos próximos anos.



O Mundo é o Limite

Perspectivas do agronegócio brasileiro.
(Arte Revista Bovespa)



No Brasil, a Lei do Biodiesel autoriza a adição de 2 % de biodiesel à gasolina entre 2005 e 2007. Esse percentual será obrigatório entre 2008 e 2012. De 2013 em diante, haverá o percentual obrigatório de 5 %. Mas há uma expectativa geral de que todos esses prazos sejam antecipados.


Entre os grãos que podem ser transformados em biodiesel no Brasil, desponta a MAMONA (Nordeste), além da soja (Centro-Sul) e do girassol (Norte).


Entretanto, no Nordeste há milhares de hectares propícios ao cultivo da mamona a custos inferiores. Ela só necessita de 300 ml de chuva em todo seu ciclo de 6 meses, ideal para as regiões mais secas.


A mamona, além de revolucionar a economia do Nordeste, poderá colocar o Brasil na liderança mundial do biodiesel, que tenderá a ser mais competitivo que hoje, devido aos
futuros CRÉDITOS DE CARBONO.


O ganho social com seu cultivo será gigantesco, pois
2 hectares com mamona renderão R$ 1.000 por mês aos agricultores familiares, mesmo nas terras mais estéreis e pobres do semi-árido nordestino, podendo mudar e alavancar as vidas de milhões de famílias hoje sem qualquer opção.


O Consórcio Empresarial ENGUIA adquiriu, nos estados do Ceará e Piauí, 200 mil hectares de terras que serão dotadas de casas, escolas e postos de saúde e depois plantadas com MAMONA. Tudo será entregue aos cerca de 12 mil famílias, que, depois de 10 anos, receberão o título definitivo de posse. Tal assentamento de agricultores familiares significa uma experiência inovadora : de produção voltada para a demanda industrial com reforma agrária até sem ajuda do governo.


A ENGUIA - consórcio de empresas nacionais, liderado pelo grupo carioca Arbi, investiu US$ 130 milhões na montagem de 12 usinas termelétricas na Bahia, Ceará e Piauí, somando 250 megawatts (MW).


Os investidores não estão apostando apenas no ganho social do cultivo de mamona na região semi-árida do Nordeste. O processamento das sementes da planta se revela um bom e lucrativo negócio. Cada quilo resulta em 430 gramas de óleo - produto com mais de 700 aplicações industriais, a exemplo de produtos secativos, náilon 11, lubrificante de turbinas, poliuretano, filtros industriais, telecomunicações, medicina, cosméticos, detergentes, fluido hidráulico, tubos plásticos e tintas gráficas.


Estima-se que o Nordeste dispõe de 6 milhões de hectares propícios ao plantio da mamona o que, em tese, poderia proporcionar fonte de renda alternativa para até 3 milhões de famílias.


O governo cearense lançou um programa para estimular o plantio de mamona. Até 2007, a pretensão é cultivar mais de 70 mil hectares, ocupando 9 mil famílias e beneficiando um universo de 400 mil pessoas. O Ceará cultiva na safra de 2004/05 apenas 9,3 mil hectares
(vide safra e área).


Em maio de 2004, o Governo anunciou que o País começaria a introduzir um blend de 2% de biodiesel no óleo diesel. Assim como álcool na gasolina, irá misturar 2% de biodiesel extraído da mamona, que virá da colheita no semi-árido nordestino. Essa mistura já se compulsória em 2005.


AVANÇOS

A expansão do plantio da mamona dependerá de políticas econômicas capazes de atrair investimentos e tornar viável a produção da oleaginosa até 2008, quando a mistura de biodiesel no diesel passará a ser obrigatória no País.


Pelos cálculos do governo, a mistura de 2 % no diesel, que será obrigatória entre 2008 e 2012, demandará produção de 1 bilhão de litros de biodiesel por ano. A partir de 2013, o índice de mistura crescerá para 5 %, exigindo uma oferta de 2,4 bilhões de litros por ano.


Estudo do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE) apontou que, para atender à demanda de biodiesel do Nordeste (estimada em 300 milhões de litros por ano) o plantio de mamona precisa crescer 180 % até 2008, enquanto a produção de soja terá que aumentar 5 % no período para atender à demanda do Centro-Sul.


Levantamento da Conab apontou que o biodiesel produzido a partir da mamona custaria hoje R$ 1,4623 por litro, ante R$ 1,3537 do biodiesel de girassol e R$ 1,03 do diesel comum. A pedido do governo, a Conab avalia a competitividade de outras sete culturas para biodiesel - algodão, amendoim, canola, milho, nabo forrageiro, palma e soja.


Um fator preocupante sobre a  mamona é a falta de uso para a "torta" - farelo que sobra do esmagamento e que corresponde a 60 % da oleaginosa. Por ser tóxica, a "torta" não pode ser usada em ração animal, como ocorre com o farelo de soja. A estatal está investindo cerca de R$ 5 milhões em pesquisas para descobrir novos usos para a "torta" de mamona para elevar a lucratividade do negócio.


Outro entrave é a escassez de mamona e a concorrência que o biodiesel sofrerá do mercado de óleos para a indústria farmacêutica, que paga em torno de R$ 1 mil por tonelada de óleo de mamona, ante R$ 256 no caso do óleo de soja, segundo a Conab.


Para muitos, o óleo de mamona tem alto valor agregado e seria até um contra-senso usá-lo como combustível


O governo federal avalia um novo pacote de incentivos para estimular a produção da mamona. Hoje, a empresa que produz biodiesel a partir da mamona do Nordeste recebe benefício fiscal de R$ 218 por milhão de litros. Se for produção de outras regiões, o benefício é de R$ 152,60.


O Ministério também lançou no dia 6 de junho de 2005 uma linha do
Pronaf de R$ 100 milhões para incentivar 38 mil famílias a plantar mamona no Nordeste. O programa já atende mais de 17 mil famílias que plantam, além da mamona, palma, girassol e soja.


A Petrobras e o Governo da Bahia firmaram em 5 de setembro de 2005 um protocolo de intenções para a realização de pesquisas e a instalação de uma usina de biodiesel à base de mamona no Estado. A parceria é resultado de um programa de incentivo desenvolvido pelo governo baiano desde 2003 e que neste ano atraiu investimento total de R$ 240 milhões, aportados por Petrobras, Dagris, Brasil Ecodiesel e um grupo paulista ainda mantido em sigilo.


Até 2006 foram instaladas 5 usinas no Estado, com capacidade produtiva superior a 380 milhões de litros por ano de biodiesel - a maior parte obtida a partir do algodão. É preciso descobrir usos para a glicerina e a torta de mamona obtidas a partir do esmagamento para que o seu biodiesel seja competitivo. A Secretaria está investindo R$ 19 milhões no apoio a pesquisas sobre a viabilidade econômica do biodiesel.


A Petrobras instalou em 2005 uma usina de biodiesel à base de mamona na região de Salvador, com capacidade para 40 milhões de litros por ano. A estatal também quer instalar uma planta-piloto no sul da Bahia para avaliar a viabilidade da produção de biodiesel à base de óleo de palma (dendê).


A Brasil Ecodiesel também deve fechar parceria para instalar uma unidade de biodiesel à base de mamona no Estado, com investimento e volume ainda não revelados. Já a empresa paulista cujo nome é mantido em sigilo anunciará neste mês investimento de R$ 40,5 milhões em uma usina de biodiesel de mamona com capacidade para processar 90 milhões de litros de biodiesel por ano.


A francesa Dagris investiu R$ 121,4 milhões na instalação de duas usinas (em Luís Eduardo Magalhães e na região metropolitana de Salvador), que passaram a produzir 250 milhões de litros por ano de biodiesel de algodão e girassol, desde 2006.


Há uma preocupação do governo da Bahia em atrair usinas para agregar valor à produção de mamona. O Estado era responsável por 79 % da produção nacional da oleaginosa, com 162,4 mil toneladas colhidas na safra 2004/05, segundo a Conab. Um dos desafios é fortalecer toda a cadeia, dando equilíbrio à relação entre a produção agrícola e a demanda das indústrias.


A meta era responder por pelo menos 29 % da produção nacional de biodiesel de 2007 - volume que atenderia a toda a demanda do Nordeste.




A Economia Brasileira Hoje




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