O Brasil
já é hoje o maior exportador mundial de café, cana-de-açúcar, laranja e
tabaco. Além disso, desde 2003 passou a ser também o
1º
em soja, frango (desde dezembro de 2003) e carne bovina (desde junho de 2003). E é o 3º em
produção de frutas e de milho. Esse é só o
início de um enorme caminho.
PRINCIPAIS PRODUTOS
SOJA
Um dos mais importantes itens de
nosso Agronegócio
é a SOJA, que alcançou uma invejável
produtividade média, com 3
mil quilos por hectare
na
safra de 2007/08.
Em Rondonópolis, Mato
Grosso do Sul, algumas fazendas
modelo têm alcançado produtividade bem superior a esses 3 mil quilos por hectare, atraindo
visitantes dos EUA, Índia,
China, etc, todos fascinados.
A soja tem
sido um fenômeno no Brasil (graças à EMBRAPA) e
provocou mudanças profundas na geografia agrícola. A
produção saltou de 15 milhões de toneladas (mt) para a safra recorde de 60
mt em 2008, em apenas 22
anos. Em 2007, a safra fora de 58,4 mt.
No passado, 80 % do grão era cultivado na região Sul,
enquanto hoje 60 % é produzido nas regiões de
cerrado do Centro-Oeste.
Os Estados Unidos,
maiores exportadores mundiais de soja
e derivados, consideram-se bastante afetados com esse novo competidor internacional. O motivo
é que em 2002/03 perdeu
o posto para o Brasil, que alcançou
receitas cambiais de US$ 8,1 bilhões contra US$ 7,2 bilhões dos americanos. O
Brasil exportou US$ 10 bilhões (+ 23,4 %) e 36,3 mt em 2003/04.
Ressalte-se que os
agricultores americanos contam com
uma política de forte protecionismo, todos os subsídios governamentais
possíveis e créditos a taxas próximas de 1 % ao ano. E ainda plantam soja transgênica, majoritariamente (ainda bastante proibida
no Brasil e UE), o que lhes confere uma
redução
de mais de 30 % nos custos,
já mínimos. Isso
é incrível !
Projeções
podem ser obtidas na Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE), na Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) e na USDA.
As safras americanas residem na
faixa de 66 mt. A meta brasileira é muito superior a este
patamar. Para tal, basta algum crescimento de área plantada no
Centro-Oeste. O Brasil plantou 22 milhões de hectares em 2007/08.
Segundo a CONAB, a safra 2007/08 de soja
saltou para 60 mt (vide safra
e área),
representando aumento de 2,8 % sobre a safra 2006/07, que teve colheita
de
58,376 mt.
SOJA - SAFRAS
MILHÕES DE TONELADAS (MT)
SAFRA
|
PRODUÇÃO
|
| 96/97 |
23,9
|
97/98
|
27,3
|
98/99
|
32,7
|
99/00
|
31,4
|
00/01
|
34,1
|
01/02
|
39,1
|
02/03
|
42,8
|
| 03/04 |
49,8 |
04/05
|
51,1
|
05/06
|
57,9
|
06/07
|
58,4
|
07/08
|
60,0
|
08/09
|
64,0
*
|
Fonte: ABIOVE
* Projeção do mercado.
Desviando-se dos mercados
altamente subsidiados, o Brasil
passou a concentrar seus esforços para a venda de complexo soja na Ásia e no Oriente
Médio. Somente a China
importou quase
20 mt de soja em 2004 e
aumentou
em 30 % em 2005, para 26 mt.
Em 2007, as exportações
atingiram a cifra de US$ 12 bilhões, com 27 mt, sendo o Brasil o
maior exportador mundial pelo terceiro ano consecutivo (os EUA ficaram
em segundo com 25 mt).
Na safra 2007/08, o mundo produziu 221,59 mt para uma demanda mundial
de 235,20 mt de soja. O estoque final ficou menor, com 47,32 mt, o que
representou uma queda de 22,6 % sobre o estoque anterior de 61,11 mt.
MILHO
Outro item importante no
Agronegócio do Brasil é o MILHO (3º produtor no mundo atrás de EUA e
China), que ainda tem um espaço gigantesco para crescer no mercado mundial,
especialmente se e quando
caírem os subsídios americanos e europeus aos seus produtores e os
brasileiros tiverem mais e melhor financiamento. Além disso, o
milho tomará o semi-árido nordestino (ver abaixo).
A safra de 2007/08 foi de
até 58,46 mt, com aumento de 11,4 % sobre a anterior, que foi de
51,37 mt (vide safra
e área).
MILHO - SAFRAS DE 2002 A 2008
MILHÕES DE TONELADAS
PAÍS
|
2002/
2003
|
2003/
2004
|
2004/
2005
|
2005/
2006
|
2006/
2007
|
2007/
2008
|
EUA
|
241,5
|
228,8
|
-
|
282,2
|
272,9
|
332,1
|
CHINA
|
114,1
|
125,0
|
-
|
-
|
-
|
-
|
BRASIL
|
47,4
|
42,2
|
35,2
|
41,7
|
51,4
|
58,5
|
Estimativas USDA e Corn Refiners Association.
As
exportações brasileiras em 2008 serão de 11 mt. Os
estoques de passagem estarão em 6,83 mt. Na temporada 2008/09, o
Brasil deverá produzir 60 mt e exportar 13 mt.
A estimativa de
produção dos EUA na temporada 2007/08 é de 332,09 mt e as
exportações de 63,50 mt. Os estoques finais de passagem
serão de 35,12 mt. Para a safra 2008/09, o USDA aponta
produção de 307,99 mt e exportação de 53,84
mt.
A safra da Argentina para a temporada 2007/08 foi indicada em 21,50 mt
com exportações de 15 mt. Os estoques de passagem
são estimados em 1,46 mt. Para a temporada 2008/09, a
projeção é de produção de 23,50 mt e
exportação de 16,20 mt.
A produção da União Européia em 2007/08 foi
de 48,39 mt, com exportações de 350 mil toneladas e
estoques de passagem em 8,01 mt. Para a safra 2008/09, o USDA indica
produção de 56,12 mt
É interessante atentar para
a produção inferior ao consumo no mundo. Vê-se que
ainda há muito espaço e um longo caminho para o Brasil
crescer nesse importante grão, que hoje é largamente
utilizado nos EUA para produção de ETANOL.
Na safra 2007/08, o mundo produziu 779,83 mt para uma demanda mundial
de 783,03 mt de milho. O estoque final ficou levemente menor, com
102,97 mt, representando um decréscimo de 3 % sobre o estoque
anterior de 106,17 mt.
Para a
safra 2008/09, o USDA aponta produção mundial de 777,56
mt e estoques de passagem de 99,03 mt.
Os preços do milho
têm aumentado em 2008, devido em parte à alta do
petróleo, pois ele é a matéria-prima para a
crescente produção de etanol nos EUA.
MILHO -
Semi-Árido do Nordeste
Em 30 de maio de 2005, a Embrapa lançou uma variedade de milho
adaptada ao semi-árido nordestino. Ela desenvolveu nos
Estados de Sergipe e Minas Gerais a variedade denominada "BRS
Caatingueiro", que possui alta produtividade e foi desenvolvido
especialmente para regiões do semi-árido.
Seu ciclo é considerado precoce. Precisa apenas
de 90 dias para atingir o período de maturação
em períodos de estiagem. Se houver chuvas regulares a safra
pode ser colhida em um período de 65 a 70 dias após o
plantio. Em condições climáticas consideradas
normais para a região, a lavoura do caatingueiro pode
alcançar um rendimento entre 2 mil a 3 mil quilos por hectare.
Fazem parte do semi-árido brasileiro 1.132 municípios que
apresentam, isolada ou simultaneamente, precipitação
pluvial menor que 800 milímetros, índice de aridez ou a
relação entre a pluviosidade e
evapotranspiração de até 0,5 e risco de seca maior
que 60 por cento. Os limites territoriais do semi-árido orientam
a adoção pelo Governo Federal de políticas de
desenvolvimento específicas. A área classificada
oficialmente como semi-árido brasileiro é de 969.589,4
km2.
CAFÉ
O mercado
mundial de café já foi exclusividade do Brasil até
o início do Século 20. Já na década de 30
respondia por 60 % desse mercado, na década de 70 baixou
para 45 %, e na de 80 para 18 %. Hoje, cresceu e já responde por
47 % do café produzido no mundo, reassumindo a liderança
mundial.
Com o fim das cotas de exportação em 1998, o mercado,
livre, mudou e hoje o Brasil também consegue retomar sua
importância de maior exportador mundial. Na safra de 2002/03, em
que colheu 48 milhões de sacas (ms)
de 60 kg, o País exportou 29,2 ms, relativas a 33 % do atual
mercado exportador mundial de 88,5 ms. O consumo mundial anual é
da ordem de 109 ms para uma produção de 102 ms.
Com a queda da safra brasileira de 2003/2004 para 30 ms, foram
exportadas 26,5 ms por US$ 1,5 bilhão, relativas a 30 % do
mercado exportador mundial.
Porém, o grande mercado futuro para o café é o
solúvel liofilizado vendido já embalado
e pronto para a venda. Enquanto a exportação do
café verde rende US$ 1 mil a tonelada, o solúvel
liofilizado rende mais de US$ 8 mil. Atualmente, exporta-se o
equivalente a 3,0 ms, volume que pode ser triplicado a médio
prazo com vendas para a CHINA,
mercado com forte hábito de consumo de chá. O preparo do
solúvel é o mesmo.
O Brasil não pode perder essa
grande oportunidade e precisa muito de Inovação para
melhorar seu café de exportação. Há muito a ser
feito, pois o País ainda nem tem uma marca internacional de
café, e nem ao menos tem a capacidade tecnológica de
italianos ou alemães, que são os maiores exportadores
mundiais de café beneficiado (dos outros).
Outra excelente oportunidade para o País é a do
café especial, ou de excelência, produzido pelos 49 membros da Brazil
Specialty Coffee Association (BSCA). Das 48 ms de
café colhidas em 2002/03, somente 1 % era especial.
Em futuro próximo, este produto atingirá
mais de 25 % da produção total nacional e também
será comercializado para o mundo já embalado e pronto
para a venda. A tonelada do café especial renderá mais
de US$ 20 mil, trazendo resultados fabulosos na casa de dezenas de US$
bilhões.
Mas há muito a ser feito, pois o
Brasil ainda nem tem uma marca internacional de café. Nem ao
menos tem a capacidade tecnológica de italianos ou
alemães, que são os maiores exportadores mundiais de
café beneficiado (dos outros). O Brasil perde uma grande
oportunidade nesse campo. A inovação é
fundamental. Significa a melhoria do produto que se exporta.
LEITE
Poucos sabem
que o complexo leite é líder nas
exportações agrícolas no somatório de todos
os produtores agrícolas mundiais. Foram exportados por estes em
2002 quase US$ 27 bilhões. E o Brasil ignora tal mercado.
Porém, a CEMIL (Cooperativa Central Mineira de
Laticínios) é pioneira na exportação de
leite fluido em embalagens individuais longa vida (tetra pack) para a China, exportando quinzenalmente para Macau.
Em 2003, eram exportados
para lá apenas 23 mil litros por mês, mas
existem 300 milhões de chineses consumindo leite diariamente,
mercado 75 % maior que toda a população brasileira. O objetivo da cooperativa é atingir
outros mercados da Ásia e ampliar sua produção de
10 para 15 milhões de litros/mês.
Além
disso, a CEMIL ampliou as vendas de outros produtos, como um
contêiner/mês com 62 mil unidades de 200 ml de suco de
milho com leite, suco de frutas tropicais e achocolatados. As encomendas tendem a crescer muito,
levando todo o mercado produtor
nacional junto.
As exportações brasileiras de leite e seus derivados
renderam apenas US$ 48,5 milhões em 2003. Entretanto, em 2004
saltaram para US$ 95,4 milhões, sendo 78 % de leite
em pó. O crescimento no período foi de esplêndidos
97 %. Em abril de 2005, foi fechado importante acordo com o
México, maior importador mundial de leite.
TRIGO
Os 3 maiores
produtores mundiais de trigo são China, Índia e EUA, com
cerca de 220 mt somados. O Brasil não aparece no quadro.
Seguindo o mesmo caminho da soja e do algodão, o TRIGO expande-se em direção ao
Cerrado do Brasil Central. Graças à estabilidade
climática, o
Centro-Oeste deverá transformar-se na grande fronteira
agrícola para o trigo irrigado no Brasil.
Em 2004/05, a produção foi de 5,85 mt, 15 % menor que
as 6,86 mt da safra anterior (vide safra
e área). Já em 2005/06, a safra foi de 4,72 mt, 19
% menor que a anterior.
Para a indústria, o aumento da área cultivada chegaria em
boa hora, uma vez que o País poderia passar a importar 50 % de
seu consumo, estimado em 10,5 mt. A produção mundial
está girando em torno de 600 mt, com grande potencial para o
Brasil,
dadas suas excelentes cotações.
Em maio de 2004, a EMBRAPA anunciou a criação de trigo
Pão e Brando TROPICAIS e RESISTENTES.
O
trigo hoje é uma cultura de país de clima temperado
(frio). Ela fez o mesmo processo com a soja, e o Brasil tornou-se o
maior exportador mundial.
Ressalte-se que o Brasil entrou no mapa dos exportadores de trigo em
2004, tendo vendido US$ 208,3 bilhões (1,3 mt)
contra insignificantes US$ 8,2 milhões em 2003. Ainda
está longe da auto-suficiência, mas já está
no caminho com novos incentivos do governo.
COMÉRCIO
DE TRIGO PELO BRASIL
ANO
|
EXPOR
TAÇÕES |
IMPOR
TAÇÕES
|
SALDO
|
2003
|
|
|
|
TONELADAS
|
52.220
|
6.636.102
|
(6.583.882)
|
US$
MILHÕES
|
8,194
|
1.015,332
|
(1.007,138)
|
2004
|
|
|
|
TONELADAS
|
1.324.862
|
4.881.873
|
(3.557.011)
|
US$
MILHÕES
|
208,341
|
737,825
|
(529,484)
|
Estatística
da CONAB
(PDF).
Em 2007/08, a
produção nacional foi de 5,43 mt,
42 % maior que as 3,82 mt da safra de 2006/07 (vide safra
e área). Aquela safra fora 19 % inferior à safra de 4,72 mt colhida em
2005/06. Este tem sido um mercado
bastante volátil no Brasil.
TRIGO - SAFRAS
MILHÕES DE TONELADAS (MT)
SAFRA
|
PRODUÇÃO
|
03/04
|
6,86
|
04/05
|
5,85
|
05/06
|
4,72
|
06/07
|
3,82
|
07/08
|
5,43
|
08/09
|
6,00
*
|
* Projeção do mercado.
Na safra 2007/08,
o mundo
produziu 602,31 mt para uma demanda mundial de 235 mt de trigo. O
estoque final ficou menor, com 110,06 mt, o que representou uma queda
de 11,5 % sobre o estoque anterior de 124,30 mt.
Para a safra 2008/2009, a
expectativa do mercado para a produção mundial de trigo
foi elevada para o total recorde de 650 mt, um acréscimo de 7,9
%.
FRUTAS
Este é
outro mercado fantástico que o Brasil parecia ignorar. As
exportações mundiais de frutas atingiram US$ 20
bilhões em 2002.
Entretanto, as exportações de FRUTAS frescas também vem apresentando crescimento acelerado nos
últimos anos pelo
Brasil.
Partindo-se de vendas inferiores
a 300 mil toneladas em 1998, vendeu 757,9 mil ton em 2003 e 769 mil ton em 2004, 2,5
vezes mais. Pode chegar a mais
de 1,1 milhão de toneladas (mt)
já
em 2006.
FRUTAS
FRESCAS
PROJEÇÃO DE EXPORTAÇÕES
ANO
|
US$
MILHÕES |
TONELADAS
(MILHARES)
|
1998
|
119,1
|
294,6
|
2001
|
214,6
|
580,1
|
2002
|
241,0
|
668,9
|
2003
|
336,3
|
757,9
|
2004
|
362,6
|
769,0
|
2005
|
440,0
|
827,0
|
2006
|
473,9
|
890,7
|
2007
|
644,0
|
920,0
|
2008
|
786,0
*
|
1.080,0
|
Estatísticas
do IBRAF e CONAB
(PDF).
* Projeção do mercado.
O Brasil
é hoje o 3º maior produtor de frutas do mundo, perdendo para a China e a Índia.
A maior parte das frutas
brasileiras é vendida para os EUA e Países da Europa. A
meta da Apex é estender as vendas para a Ásia e o Oriente
Médio, entre outras regiões com grande mercado potencial.
Por ser o maior exportador mundial, a China é o maior
concorrente dos produtos brasileiros, seguida por Índia,
México e Chile. Mas a vantagem brasileira é o fato de ter
até duas safras de algumas frutas por ano, devido à
extensão do território, enquanto a maioria dos
Países produtores só conta com uma colheita anual.
Entre
14 culturas, as uvas de mesa são as mais vendidas,
principalmente para União
Européia, Estados
Unidos e Canadá. Em 2007, foram 79 mil ton, que renderam US$ 169
milhões – 43,3 % a mais que em 2006.
Em segundo lugar está o
melão, com mais de 204 mil ton ou US$ 128 milhões, com
aumento de 45,3 % nas vendas em relação a 2006. A UE e o Japão compraram 116 mil ton
de mangas no ano passado, o que rendeu US$ 89 milhões; a União Européia comprou 112 mil ton de
maçãs (US$ 68 milhões), 115 % a mais que em 2006;
e a Argentina importou mais de 185 mil ton de bananas.
Há potencial
para o País atingir 150 mt de frutas em 10 anos, o que
renderá
exportações muito superiores a US$ 50 bilhões
anuais, pois fruta é "água em alimento" e água
será
raridade então.
A região Sudeste concentra a produção, com 49,8 %
do total. Em seguida, vêm Nordeste (27 %), Sul (14,4 %), Norte
(6,1 %) e Centro-Oeste (2,7 %).
Manga, melão, uva, banana,
maçã, papaya, lima ácida, laranja, tangerina, melancia e abacaxi
são as frutas que representam 99 % das exportações. E novidades chegam ao
mercado com
força, como a ATEMÓIA,
uma variedade de fruta de sabor agradável, resultante do
cruzamento em laboratório da pinha com a graviola, e que
já encontra aceitação nos EUA, Israel e
Austrália. Ela é resistente a climas quentes e produz 50
kg de fruta o ano inteiro.
O Instituto
Brasileiro de Frutas (IBRAF) desenvolve projeto
junto com a Agência de Promoção de Exportadores do Brasil (APEX). O objetivo é incrementar as exportações em
novos mercados, como Rússia,
Leste Europeu, Ásia (o mercado do futuro) e América
Latina. Os grandes importadores
atuais são EUA, Alemanha, Espanha,
Inglaterra, Portugal e França.
O Porto do
Pecém (Ceará) vem mostrando grande vocação
para as exportações de frutas brasileiras, pois
está próximo de grandes regiões produtoras e
está localizado na última escala de portos para EUA e
Europa (a sete dias).
Quase toda a exportação nacional de frutas sai por
Pecém.
Vista
parcial do Terminal Portuário do Pecém.
ALGODÃO
As
exportações de algodão e seus derivados -
incluídos tecidos e vestuários - tiveram grande
crescimento nos últimos anos, mas ainda é a 10ª
cultura do país. A área plantada cairá 21% na
safra 2008/2009, indo para 855 mil hectares.
Em volume, os
embarques
passaram de
175 mil há alguns anos para 520 mil toneladas na safra
2007/2008, uma alta de 197 %. A crise faz prever queda em 2009.
O principal
destino é a China,
seguida por países do Extremo Oriente, União
Européia e América Latina.
Segundo a ABRAPA
- Associação Brasileira dos Produtores de
Algodão,
a produção na safra 2007/2008 foi 1,6 mt, devendo cair a
1,26 mt em 2008/2009. Ela estima
exportações de 450 mil toneladas
em 2009.
A safra começa a sair do País a partir de junho,
após beneficiamento da colheita, iniciada em maio. Em torno de
80 % dos embarques será feito pelos portos de Santos e
Paranaguá (vide safra
e área).
ALGODÃO
EXPORTAÇÕES DE 2005 A 2009
ANO
|
TONELADAS
(MILHÕES)
|
VAR
%
|
2005
|
0,391
|
-
|
2006
|
0,305
|
-
22
|
2007
|
0,419
|
+ 37
|
2008
|
0,520
|
+ 24
|
2009
|
0,450
|
- 19
|
Estimativas da ABRAPA.
CARNES DE
BOVINOS, SUÍNOS E AVES
CARNES
EXPORTAÇÕES EM 2004
TIPO DE CARNE
|
US$
BILHÕES |
PARTICI-
PAÇÃO %
|
BOVINO
|
2,487
|
42,5
|
SUÍNO
|
0,766
|
13,1
|
FRANGO
|
2,595
|
44,4
|
TOTAL
|
5,848
|
100,0
|
Estatística
da CONAB
(PDF).
BOVINOS
Como um divisor
de águas, as exportações de carne bovina do Brasil deram um enorme salto
em 2003, atingindo 1,515
mt, crescendo espantosos 63 % em
relação às 930 mil toneladas exportadas em 2002. Isso fez com que se tornasse o
maior
exportador mundial de carne bovina, desbancando a Austrália (1,3
mt) e os EUA (1,2).
Em 2007, as exportações atingiram a marca de 2,5 mt.
Agora, espera-se que essas exportações somem 3 mt
até 2009, para
finalmente atingir de 5 mt em
2012. Isso é previsível para um País que conta com
200 milhões de hectares
em pastagens.
Até pouco tempo, o Brasil ocupava o 3º lugar nas
exportações mundiais
de carne, atrás da Austrália e dos EUA. Porém, as vendas externas de carne bovina,
suína e de frango vêm, continuamente, batendo seguidos recordes.
Em valores, a carne bovina representou exportações de US$
1,1 bilhão em 2002, e aumentou 41 % em 2003 (US$ 1,55
bilhão). Mas isso foi só o início. Já
no ano de 2006, o País fechou com vendas externas de US$ 2,7
bilhões.
CARNE BOVINA
EXPORTAÇÕES DE 2002 A 2008
ANO
|
US$
BILHÕES
|
VAR
%
|
2002
|
1,10
|
-
|
2003
|
1,55
|
+
41
|
2004
|
2,46
|
+
59
|
2005
|
3,00
|
+
22
|
2006
|
3,70
|
+ 23
|
2007
|
4,45
|
+ 20
|
2008
|
5,10
|
+ 15
|
Estimativas da CNA.
Os russos lideram as compras em carne
bovina "in natura", seguido por Egito, Ucrânia, Holanda e EUA. Os
EUA lideram as compras do produto industrializado brasileiro.
Como exemplo de oportunidade, o
País vendia menos
de US$ 200 milhões à Liga Árabe (Bloco dos 22
Países Árabes
do Oriente Médio), os quais compram US$ 3 bilhões ao ano, sendo boa parte
da Austrália, ativo participante
da Invasão do Iraque.
Outro exemplo é a China, que em algum momento até 2012
passará a abrir nova frente de gigantescas encomendas
do Brasil. Além disso, o País ainda não fornece
para alguns dos principais importadores mundiais : Japão,
Coréia do Sul e México. E não fornecia para os EUA
até pouco tempo atrás. Metade do mercado mundial ainda
é fechado ao Brasil, o que mudará com o tempo.
O Brasil possuía o maior rebanho
comercial de gado bovino no mundo, com 180,1 milhões de
cabeças
em 2006, de acordo com o USDA, que estima um aumento de 4,2 % no
tamanho
do rebanho brasileiro em 2007, ante um crescimento mundial de 1 %.
Assim,
em 2007, o Brasil teria 187,7 milhões de cabeças.
O custo de produção é o fator-chave em
relação à competitividade para os produtores de
carne bovina no mercado
internacional. Este custo consiste prioritariamente do preço de
compra do gado, o qual é determinado pelo: 1) método de
produção (criado no pasto ou confinado); 2) custo de
terra, o qual é inversamente proporcional a sua disponibilidade;
e 3) custo da mão de obra.
Para 2006, estima-se o que o custo de criação de gado no
Brasil estava em US$ 1,5/kg, o menor entre todos os principais
países produtores de carne bovina.
Conforme o USDA, a produção mundial de carne bovina em
2006 totalizou 54,7 mt, denotando um crescimento de 2,6 % ante o ano
anterior. O Brasil é o segundo maior produtor mundial de carne
bovina, com
produção anual de 9,2 mt. Somente os EUA produzem mais,
com
uma produção anual estimada de 12,2 mt.
A América do Sul e a Austrália são
regiões exportadoras de carne bovina, ao passo que a UE, os EUA,
a Rússia e o Extremo Oriente são regiões
importadoras. A China ainda não necessita importar carne bovina,
mas deverá se tornar uma grande importadora devido ao
crescimento de sua demanda interna e pelo fato de já apresentar
uma elevada taxa de abate.
O setor brasileiro de carne bovina vem aumentando sua
participação no mercado mundial. No início da
década de 1990, as exportações brasileiras de
carne bovina representavam apenas 5 % da produção
nacional total. Já em 2006, este número havia aumentado
para 23,4 %.
As exportações brasileiras avançaram a uma taxa
média anual de 6,35 % durante o período 2004-2006, em
relação a uma taxa média global de 1,6 %, segundo
a Secex.
O crescimento pronunciado do Brasil se deveu a :
• Uma queda nos custos de produção e, consequentemente, a
uma maior produtividade.
• Uma redução nas barreiras comerciais, o que levou a um
aumento no número de Países com os quais o Brasil
mantém relações comerciais.
• Campanhas publicitárias enfatizando as características
da carne bovina brasileira (como o baixo teor de gordura) e o uso
restrito de produtos químicos nos pastos (o rebanho se alimenta
de capim,
etc.).
• Uma redução nas barreiras fitossanitárias.
SUÍNOS
Em 2005, a
receita obtida pelo Brasil com exportação de carne
suína bateu recorde histórico, com total de US$ 1,167
bilhão, um crescimento de 50,3 % em relação ao ano
anterior (US$ 776 milhões). O Brasil exportou 625 mt para cerca
de 70 países nos 12 meses em 2005 – aumento de 25,8 % na
comparação com 2004. Assim, a receita cresceu bem mais
que o volume.
As vendas de carne
suína também bateram recordes nos anos anteriores, com
predominância de cortes (maior valor agregado), sendo que foram
exportadas 481,7 mt em 2003, com US$ 543,3 milhões, e 496,9 mt
em 2004, com US$ 766 milhões (mais 42,8 % em Dólares).
Destacam-se dois
pontos do balanço de 2005: o crescimento contínuo e o
aumento da rentabilidade conquistada no mercado internacional.
Os números positivos decorrem principalmente da
estratégia de aumento da participação do segmento
de cortes nas vendas para o exterior, com produtos de maior valor
agregado, aliada à política comercial das empresas.
Atualmente, o Brasil é o 4º no ranking mundial de
produtores e exportadores de
carne suína.
O principal mercado consumidor da carne suína brasileira
continuou sendo a Rússia, que respondeu por 65 % do volume total
comercializado no exterior em 2005. O Brasil vendeu 404.739 toneladas
para a Rússia em 2005, um aumento de 40,47 % em
relação a 2004.
Depois de dois anos de ligeira retração,
a produção total de carne suína no Brasil
registrou aumento de 3,35 % na comparação de 2004 com
2005. A
produção atingiu 2,708 milhões de toneladas ante
2,620 milhões de toneladas em 2004. O consumo interno respondeu
por 77 % do total de carne suína produzida no País (2.083
milhões de toneladas).
AVES
Em 2002, o Brasil exportou US$ 1,4
bilhão em carne de
frango para mais de 100 Países, estando ainda em 2º lugar entre os exportadores mundiais. Na época, um em cada três frangos consumidos no
planeta já vinha do Brasil
e a tendência era de hegemonia no futuro.
Em 2007, o País atingiu exportações de US$ 5
bilhões e esse é apenas o início.
O País partiu para vender seu produto já
pré-cozido em diversos
mercados, com mais valor agregado (80 % mais
caro), então feito no destino (Europa). Isso também agregou segurança
sanitária. Com essa tecnologia, os ganhos saltavam de US$ 1,8
mil/ton para 3,2 mil/ton o corte.
Em dezembro de 2003, foi divulgado que o Brasil atingira a
liderança mundial nas exportações de frango, totalizando US$ 1,302 entre janeiro e
setembro, contra US$ 1,072 bilhão dos EUA. No ano de 2003, as
vendas totalizaram 1,96 mt, com US$ 1,8 bilhão.
Em 2004, elas pularam para 2,47 mt, com US$ 2,6 bilhões. A
evolução foi de fortes 44 % em Dólares. Os principais compradores têm
sido União Européia, Oriente Médio, Ásia,
Rússia e África.
Em 2006, a receita com as vendas externas
somaram US$ 3,213 bilhões, recuo de 8,7 % ante 2005, quando as
vendas atingiram US$ 3,509 bilhões.
Em volumes, foram 2,718 milhões de toneladas em 2006. Em 2007, o
houve um aumento de 21 % em volume, para 3,287 mt, e de impressionantes
54,9 % em receita, atingindo US$ 4,976 bilhões, recorde absoluto.
CARNE DE
FRANGO
PROJEÇÃO DE EXPORTAÇÕES
ANO
|
US$
BILHÕES |
TONELADAS
(MILHARES)
|
2000
|
0,829
|
0,916
|
2001
|
1,334
|
1,266
|
2002
|
1,393
|
1,625
|
2003
|
1,799
|
1,961
|
2004
|
2,595
|
2,470
|
2005
|
3,509
|
2,846
|
2006
|
3,213
|
2,718 |
2007
|
4,976
|
3,287
|
2008 *
|
6,630
|
3,900
|
Estatísticas
do IBRAF e CONAB
(PDF).
* Estimativa do ECONOMIA BR.
De qualquer modo, as futuras vendas
para a CHINA
devem multiplicar esses números, pois o consumo per capita
chinês de frango congelado cresceu de 3 quilos em 1990 para 9
quilos em 2000, chegando a 18 quilos em 2005. Sua
população
atual é de 1,3 bilhão de habitantes, com renda em forte
crescimento. A 18 quilos por ano, são fantásticos 23,4
mt de frango consumidos.
Em 2008, já há 28 plantas de produção
brasileiras habilitadas para exportar para a China, mas o
comércio direto entre os dois Países ainda não
está regularizado, o que tornou-se prioridade para o mercado
nacional.
COUROS E CALÇADOS
As exportações de
couros e peles (semi-manufaturados) atingiram US$ 1,18 bilhão em 2003 e US$ 1,44
bilhão em 2004. O Brasil já é o 3º maior exportador do mundo, sendo
superado pela China e os EUA.
Entretanto, possui o maior rebanho de gado, com 180 milhões de cabeças.
Já as
exportações de calçados foram de US$ 1,28
bilhão em 2003 e de US$ 1,46 bilhão em 2004.
Poderão chegar a US$ 1,5 bilhão em 2005.
Somados, couros, peles e calçados venderam ao mundo US$ 2,46
bilhões em 2003 e US$ 2,9 bilhões em 2004. Projeta-se que o País estará
exportando US$ 7,5 bilhões ao ano em couros e calçados em futuro próximo.
SIVICULTURA
Um dos mais promissores mercados
para as exportações
brasileiras é a SIVICULTURA. O plantio de florestas é
considerado uma atividade
agrícola e o Brasil tem uma produtividade nessa área 10 vezes superior à
dos líderes do
mercado mundial.
O comércio
internacional de produtos florestais (plantados e nativos) encontra-se na casa
de US$ 300 bilhões ao
ano,
e o Brasil só representa 1,5 % do mercado mundial. Mesmo assim, o setor de
florestas plantadas já
apresenta um superávit comercial da ordem de US$ 2,4 bilhões anuais, descontando-se o comércio de produtos
de florestas nativas.
As atuais áreas plantadas
somam apenas 5 mh, basicamente
com eucalipto e pinus. Seu aproveitamento
dirige-se aos segmento de papel e celulose, móveis, siderurgia e madeira sólida.
São respeitados estritos
padrões ambientais com plantio
fora de áreas de reserva legal e de preservação
permanente. Aguarda-se
regulamentação e apoio governamental, com uma verdadeira política de produção florestal, com
estrita obediência ao Código Florestal, e apoio de financiamentos do BNDES.
No segmento de celulose de fibra
curta, um semi-manufaturado à base de eucalipto, a Aracruz Celulose é a
maior fabricante mundial, com
produção anual de 3 mt e vendas de US$ 1,5 bilhão. Em 4 anos, deverá
estar vendendo mais de US$ 2
bilhões ao ano.
O Brasil produziu
9 mt de celulose em 2003,
faturando US$ 3,2 bilhões em exportações. O mercado mundial é de
17 milhões de toneladas
e fatura
US$ 8,5 bilhões. Os dados são da BRACELPA.
As exportações de
celulose, madeira, e mais papel e móveis (manufaturados) atingiram US$ 5 bilhões em 2003. A
produção total gerou US$ 16 bilhões. Trabalha-se
para o crescente beneficiamento da madeira nacional, como assoalhos,
molduras, pisos, decks, portas, lambris, pré-cortados,
aplainados, móveis, etc. O crescimento dessas
exportações no mercado globalizado será dependente
e diretamente proporcional à priorização de
extração de florestas com manejo sustentável.
As perspectivas para o País
nessa área são bastante promissoras, pois países produtores de clima
frio devem perder
participação no mercado porque suas florestas levam 10 vezes mais tempo de
desenvolvimento do que no
trópico. Suas fábricas tendem a vir para o Brasil. O total de investimentos no setor
florestal brasileiro
deverá ser de US$ 12 bilhões até 2005 e as vendas
anuais devem atingir US$ 10 bilhões em 2008 (o dobro de 2003).
Além disso, vê-se como uma oportunidade ao País a
crescente exigência internacional de certificação
de florestas plantadas e nativas até 2007. Nesse processo, o
Brasil deverá ocupar espaços importantes no mercado,
agregando valor a suas vendas com produtos acabados de origem conhecida.
Somente o mercado americano de móveis importa US$ 17
bilhões ao ano e o Brasil só participa com US$ 240
milhões. A certificação pode virar esse jogo.
NOVAS
OPORTUNIDADES
O desafio para o avanço das exportações
brasileiras passa por
novas e criativas formas de atender às oportunidades de consumo garantido que o
mundo apresenta e solidificar caminho de sucesso do modelo exportador
do agronegócio brasileiro.
Com investimentos adequados em
infra-estrutura e tecnologia, o País deverá explorar
Novas Oportunidades do Agronegócio, de modo a beneficiar-se da
vantagem competitiva que possui em um mundo a caminho da escassez de
água e alimentos, criando riquezas para sua
população. Um enorme exemplo é a nova variedade de
milho BRS da Embrapa, que pode invadir o
semi-árido nordestino em poucos anos, criando muitas riquezas.
A maioria dos produtos acima mencionados devem e precisam ser
exportados na forma mais beneficiada possível, com maior valor
agregado, e de preferência já prontos para o consumo
final, como no caso do leite longa vida em embalagens individuais. Este
é o futuro. Veja outras oportunidades :
CAMARÕES CULTIVADOS
Conforme a Associação
Brasileira dos Criadores de Camarão (ABCC), em 2002, a carcinicultura brasileira
ocupava uma área de 11 mil hectares, com produtividade de 5,45
toneladas por hectare/ano, e as exportações somaram US$
175 milhões. Havia pouco mais de 500 fazendas, sendo a maioria
no Nordeste (95 %), que detém a melhor produtividade, mais que o
dobro da do Sul e de
outros países competidores.
Devido ao fato de obter uma
produtividade de mais de 7
toneladas por hectare/ano (a maior no mundo), em apenas 5 anos, as
exportações do crustáceo cearense foram
multiplicadas quase 16 vezes -
saltaram de US$ 6,2 milhões para US$ 100 milhões no
período de 1999/2003, passando
esse ao posto de produto mais
exportado
pelo Estado.
No Brasil, entre 1997 e 2003, a produção
de camarão cultivado cresceu 400 % AO ANO. Em todo o Nordeste,
suas exportações só perdem hoje para a
cana-de-açúcar, por enquanto.
Em 2003, foram exportadas pelo País 58,5 mil ton, rendendo US$
225,9 milhões. Para 2004, a meta é exportar US$ 300
milhões.
A carcinicultura detém todas as condições de
competir e vencer no mercado internacional, vindo a gerar
exportações superiores a US$ 1 bilhão em poucos
anos. Uma empresa pernambucana
já consegue obter 20 toneladas por hectare/ano.
PEIXES
CULTIVADOS
Conforme o
Worldwatch Institute (WWI), a China já era responsável por 21 milhões de
toneladas (68 %) das 31 mt da produção da aqüicultura (criação
comercial de animais aquáticos) mundial, em 1998.
A
aqüicultura é o setor de maior crescimento na economia
alimentícia mundial. Sua produção cresceu de 13 mt
de peixes produzidos em 1990 para a incrível marca de cerca de 150 mt em 2007.
A piscicultura está a ponto de ultrapassar a pecuária
como fonte de alimentos. A demanda
por produtos pesqueiros é crescente no mundo. O consumo de
pescado, que hoje é de 16 kg per capita ao ano, deve passar para
22 kg per capita até 2030, estima a FAO. Serão
necessários mais 90 mt de pescado para suprir a demanda e
é o cultivo - não a pesca - que pode proporcionar aumento
significativo na produção.
O desenvolvimento da aqüicultura em águas da União
é uma estratégia determinante para dar ao Brasil um papel
de destaque neste cenário.
No Brasil, somente nos lagos manejados amazônicos existe um
potencial ainda muito pouco explorado que poderá levar
a uma produção, através de manejo
comunitário, de 5 mt de peixes além de 2010. Juntando-se
as outras regiões, prevê-se produção de 10
mt anuais no mesmo prazo.
Mas esse é apenas o começo, pois um ordenamento da
criação de pescado em águas da União
dará ao País condições de, até 2030, chegar a uma
produção anual de 20 mt, assumindo fundamental
presença e importância no provimento de pescado mundial.
A Organização das Nações Unidas para
Agricultura e Alimentação (FAO) acredita que o Brasil
é um dos Países com maiores possibilidades para
desenvolver a atividade aqüícola, graças a
condições privilegiadas para o cultivo -
12% da água doce disponível no planeta, clima
favorável à produção e 8,4 mil
quilômetros de costa.
Nesse sentido, o Governo
Federal definiu em 2007 os critérios para promover uma
revolução no uso da água dos rios, lagos e
reservatórios pertencentes à União. A União estimulará a cessão
de áreas para criação de peixe em águas de
seu domínio, com a expectativa de transformar o Brasil em grande
produtor mundial.
O Brasil tem 5,5 milhões de hectares de águas da
União represadas em lagos e reservatórios. Pela lei, 1 %
desta área poderia ser utilizada para fins de aqüicultura,
o que corresponde a 55 mil hectares.
Além do salto produtivo, a regulamentação do uso
dessas águas para fins de aqüicultura (a
criação
de peixe e outros organismos aquáticos) será um
instrumento
de inclusão social, possibilitando que milhares de moradores de
comunidades
tradicionais (ribeirinhos, pescadores artesanais, assentados e
agricultores
familiares, por exemplo) tenham acesso, de forma não onerosa, a
um
“lote” de água para criar peixe por um período de 20
anos.
No caso de projetos de maior porte, as áreas deverão ser
concedidas
por meio de licitação onerosa.
Os critérios definidos pelo Governo Federal foram anunciados em
outubro de 2007 pelo Ministro da Aqüicultura e Pesca, Altemir
Gregolin, durante o 3º Encontro Nacional de Piscicultura em
Águas da União - Enpap, que aconteceu na Universidade de
Vila Velha, no Espírito Santo.
Alguns parques já estão sendo implantados pela SEAP em
reservatórios de vários Estados – como Itaipu (PR),
Tucuruí (PA), Castanhão (CE), Ilha Solteira (SP), Furnas
e Três Marias (MG). O objetivo da criação dos
parques aqüícolas é ordenar o
aproveitamento destas águas para a produção de
pescado em tanques-redes (grandes “gaiolas” colocadas na água),
gerando renda e alimento com sustentabilidade.
OVINOS E
CAPRINOS
O País produz hoje menos de
10 % do consumo nacional de ovinos, que é crescente, mas possui
matrizes de qualidade, que garantem seu futuro de sucesso.
O rebanho nacional de ovinos ainda é muito baixo, de apenas 15
milhões de cabeças. No Nordeste há 7 milhões, no RS 5
milhões, e o restante está espalhado, com alguma
concentração no Centro-Oeste. Enquanto isso, países pequenos como
Uruguai e Nova Zelândia possuem 30 milhões e 70
milhões
de cabeças, respectivamente. O Brasil pode atingir 150 milhões de cabeças e
tornar-se
exportador.
Somando-se
caprinos e ovinos, o Brasil é o 8º produtor mundial, com 25
milhões de cabeças. A China tem o maior rebanho, com 280
milhões de cabeças.
No caso da ovelha,
a gestação é de 5 meses, e o abate ocorre entre 60
e 120 dias após nascimento, com peso maior de 30 kg e com 12 kg
de carne., a R$ 3,00 o quilo (dobro da carne de boi).
A construção de
instalações para abrigar cerca de 100 animais custa entre
R$ 12 mil e R$ 15 mil e cada matriz de ovino é cotada
por cerca de R$ 170. O custo de produção também
é baixo, pois eles consomem apenas pasto.
Além da pele dos caprinos, o consumo crescente de carne ovina em
restaurantes da região Sudeste garante a
comercialização do produto, a um alto valor.
MURUÁ
E COCO
Uma fibra
formada a partir do MURUÁ, planta amazônica da
família das bromélias, é tida como altamente
resistente, prestando-se até para a fabricação de
pára-choques e forros internos de veículos da Mercedes
Benz. Além da
indústria automobilística, tem emprego em diversas
outras, como a têxtil, a de papel e celulose, a de corantes e
a de plásticos.
Outra novidade semelhante refere-se ao emprego da fibra do COCO com
latex em encostos de bancos de veículos da Mercedes Benz e da
Daimler Chrysler.
A produção nacional
desses produtos ainda é incipiente e a demanda estende-se por
todo o mercado mundial. Partindo do Pará, o MURUÁ e o
COCO poderão ser cultivados e desfibrados em todo o Norte
por milhares de famílias em sintonia com fábricas que
já estão sendo instaladas.
Trata-se da abertura de excelentes alternativas para o
desenvolvimento sustentado da Região Norte.