O
Brasil estava em 15º lugar mundial como produtor em 2001 e manteve
essa posição até 2005. Em 12 de maio de 2005, sua
produção ultrapassou o equilíbrio
produção-consumo e passou a ser exportador líquido
(as receitas de vendas superam o
valor das importações). Neste dia histórico, o País produziu
1,819.604 milhão de barris.
Este feito foi devido ao fato de as
plataformas P-43 e P-48 estarem operando a plena carga à
época, com produções diárias de 150
mil e 130 mil barris, por dia, respectivamente.
A
Plataforma Marítima P-43 da PETROBRAS
produz 150.000
barris de
óleo por dia, sendo uma das maiores do mundo.
(Foto
Petrobras).
A
auto-suficiência em petróleo só aconteceu
mesmo em 21 de abril
de 2006, quando a companhia passou a produzir uma média
diária acima da ordem de 1,910 milhão de barris de
petróleo/dia com a entrada da P-50 - com produção
diária de 180 mil barris - para atender a um mercado da mesma
ordem de grandeza e ainda exportar.
Inauguração
da plataforma marítima
P-50 em 21 de abril de 2006.
(Foto Ricardo Stuckert - PR -150.486)
Existe séria expectativa de
tornar-se grande exportador a partir de 2008, com a entrada em
operação de novas plataformas marítimas gigantes.
No
plano de negócios da Petrobras a longo prazo, a estimativa era
de que a produção total da companhia no Brasil e no
exterior chegasse em 2015 na casa dos 4,5 milhões de barris
diários de petróleo. Somente no Brasil, seriam investidos
US$ 75 bilhões entre 2007 e 2011.
Ela contava com essa meta a
partir da entrada gradativa de outras unidades produtivas na Bacia de
Campos, no Norte Fluminense. Mas ainda não era reconhecido o
Campo de Tupi, que aumentou as reservas nacionais em 50 %.
Em novembro de 2007, a Petrobras, revelou existir o Campo de Tupi no
meio de uma gigantesca província petrolífera em toda a
camada
de Pré-Sal, com 800 km de extensão e
200
km de largura, em 160 mil km2, e que vai do Espírito Santo a Santa
Catarina. Ela
poderá fazer o Brasil superar a marca de 70 bilhões de
barris
em reservas, um crescimento de 5 vezes e abrindo um novo paradigma em
energia e estratégia
para o Brasil.
Com as melhores perspectivas possíveis de futuro, o Brasil
estaria produzindo antes de 2017 algo como 9 milhões de barris
diários de petróleo. A reservas provadas de petróleo no País eram
de 14
bilhões de barris e as novas descobertas podem permitir
que as reservas totais dêem um excepcional salto para 70 bilhões de barris.
O DEFESA BR já dizia
há tempos : "mas
elas poderão, rapidamente, chegar a 60 bilhões de
barris, pois novas
surpresas estão surgindo, como os reservatórios que
estão em novas áreas ainda não divulgadas e abaixo das
jazidas já em fase de produção na Bacia de Campos.
Estudos indicaram a possibilidade de ali estarem armazenados mais 30
bilhões de barris de óleo leve.
Mesmo assim, ressalte-se que esse volume ainda será até
baixo, pois o Brasil tem tido por décadas com a estatal PETROBRAS uma atividade relativamente incipiente na
exploração.
Em termos mundiais, esse atraso chega a ser brutal, uma verdadeira
perda de tempo e dinheiro. Em toda a sua história, foram
perfurados no Brasil apenas 22 mil poços. E o brasileiro
é levado pela mídia a se vangloriar da "gloriosa"
Petrobras, que ainda detém o monopólio na prática.
Nos Estados Unidos, esse número passa de 2 milhões, com
30 mil a cada simples ano. Mesmo o Canadá perfura mais de 20 mil
poços a cada ano. O Brasil ainda não começou, o
atraso é incomensurável.
Entretanto, deve-se considerar que as áreas mais promissoras no
Brasil têm estado no mar, em suas águas profundas.
Um poço ali é muito mais complicado e eqüivale a
diversos em terra.
Além do mais, a maior parte das expectativas de descobertas de
novas reservas está concentrada em águas ultraprofundas.
Atualmente, a Petrobras detém concessões para
exploração de 99 blocos no Brasil, 72 dos quais
estão situados no mar e
75 % deles em lâmina d'água de além de 400 m.
Por isso, a Petrobras possui hoje várias plataformas
em operação em lâminas d'água que variam
de 1.800 a 3.000 metros.
Plataformas no Campo Gigante
de Namorado
da Bacia de Campo, litoral do Rio de Janeiro.
RESERVAS DE PETRÓLEO DO BRASIL
MILHÕES
BARRIS - 2003
RESERVAS
2003
|
BARRIS
MILHÕES
|
TERRA
|
1.360,7
|
MAR
|
12.104,4
|
TOTAL
|
13.465,10
|
|
|
| RIO DE JANEIRO
|
11.046,86
|
Mas há muito o que se
explorar no Brasil nos próximos anos. A prospecção
e a produção ainda estão restritas a menos de 3 % de suas
bacias sedimentares. Tal atraso chega a ser absurdo, com décadas
perdidas.
Agora, com as melhores perspectivas possíveis de futuro, o
Brasil já estaria produzindo em 2022 algo como 12 milhões de
barris diários de petróleo, passando a acompanhar
os
3 primeiros produtores : Arábia Saudita, Rússia
e Estados Unidos. A Venezuela poderá vir a ocupar a 3ª
posição mundial.
O Brasil passou a ter saldo
comercial (exportações líquidas) acima de US$ 4
bilhões só em petróleo e seus derivados em
2006.
Passará a ser grande Player mundial a partir de 2008 com
mais de US$ 10 bilhões de vendas líquidas mundiais
anuais, acima de US$ 180 bilhões em 2015, e acima de US$ 600
bilhões em 2020, a preços (moeda de hoje) sempre
explosivamente crescentes, por haver demanda em alta e
produção mundial em baixa (ver quadro abaixo).
PRODUÇÃO E EXPORTAÇÃO DE
PETRÓLEO
EM MILHÕES DE BARRIS / DIA
COTAÇÃO MÉDIA ENTRE US$
80 E US$ 400
ANO
|
PROD.
DIÁRIA
|
EXP.
DIÁRIA
|
EXP.
ANUAL
|
US$
BI/ANO A US$ 100
|
US$
BI/ANO A US$ 150
|
US$
BI/ANO A US$ 200 |
US$ BI/ANO
A US$ 300
|
US$ BI/ANO A US$ 400
|
2008
|
1,9
|
0,3
|
109,5
|
10,95
|
16,43
|
21,90
|
-
|
-
|
2009
|
2,2
|
0,3
|
109,5
|
-
|
16,43
|
21,90
|
-
|
-
|
2010
|
2,5
|
0,5
|
182,5
|
-
|
-
|
36,50
|
-
|
-
|
2015
|
5,0
|
2,5
|
912,5
|
-
|
-
|
182,50
|
237,75 |
-
|
2020
|
9,0
|
6,0
|
2.190,0
|
-
|
-
|
-
|
657,00
|
-
|
2022
|
12,0
|
8,0
|
2.920,0
|
-
|
-
|
-
|
876,00
|
1.168,00
|
Projeção de ECONOMIA BR
com 12 mb diários em 2022, considerando-se
baixa demanda interna devido ao uso intensivo de combustíveis
limpos.
Atualizado em junho de 2008 com cotações a US$ 140 por
barril.
Como
já dito, no plano de negócios da Petrobras a longo prazo,
a estimativa conservadora antes do Campo de Tupi era de que a
produção total da companhia no Brasil e no exterior
chegasse em 2015 na casa
dos 4,5 milhões de barris diários de petróleo.
Porém, há outras companhias produzindo petróleo no
Brasil, e com números crescentes.
PRODUÇÃO DE PETRÓLEO
MILHÕES
DE BARRIS / DIA
2004 E 2005
LUGAR
|
PAÍS |
2004
|
2005
|
1º
|
Arábia
Saudita
|
9,021
|
9,475
|
2º
|
Rússia
|
8,420
|
9,150
|
3º
|
Estados
Unidos
|
7,800
|
7,610
|
4º
|
Irã
|
3,962
|
3,979
|
5º
|
China
|
3,392
|
3,504
|
6º
|
México
|
3,460
|
3,420
|
7º
|
Noruega
|
3,310
|
3,220
|
8º
|
Venezuela
|
2,600
|
3,081
|
9º
|
Nigéria
|
2,356
|
2,451
|
10º
|
Kuwait
|
-
|
2,418
|
11º
|
Canadá
|
3,110
|
2,400
|
12º
|
EAU
|
-
|
2,396
|
13º
|
Reino
Unido
|
-
|
2,393
|
14º
|
Iraque
|
-
|
2,093
|
15º
|
Brasil
|
1,788
|
2,010
|
(A produção estimada
em 2006, de 1,590 mb, não é real).
O Estado do Rio de Janeiro possui
as maiores reservas conhecidas de petróleo do Brasil,
graças à Bacia de Campos, sendo disparado o maior
produtor nacional.
PRINCIPAIS
ESTADOS
PRODUTORES DE PETRÓLEO
BARRIS
DIA
MÊS DE JUNHO DE 2004
LUGAR
|
ESTADO
|
BARRIS
DIA
|
1º
|
Rio
de Janeiro
|
1,2
milhão
|
2º
|
Rio
Grande do Norte
|
81,5
mil
|
3º
|
Bahia
|
45,0
mil
|
4º
|
Amazonas
|
42,5
mil
|
5º
|
Espírito
Santo
|
40,7
mil
|
6º
|
Sergipe
*
|
40,0
mil
|
Fonte : ANP
Graças
a recentes descobertas (SEAL-100) que triplicaram suas reservas,
Sergipe poderá ultrapassar o Amazonas no ranking dos maiores
Estados produtores a partir de 2006.
Hoje, 39 empresas de petróleoe stão presentes no
País, sendo 10 brasileiras, incluindo a Petrobras, e 29
estrangeiras, em diferentes graus associadas à estatal
brasileira.
EUA
O quadro abaixo chama a
atenção quanto à grande produção dos
EUA, já inferior a 8 milhões de barris (mb)
diários - em 7,6 mb em 2005, insuficiente para atender à
gigantesca demanda diária de 20 mb, causa de muitas
pressões políticas e econômicas, principalmente no
mercado futuro (pdf)
em que um
único barril poderá estar custando mais de US$ 100.
Apenas como uma preocupante comparação, os EUA consomem
33 barris/per capita/ano; a Europa 22, a Coréia do Sul 16; o
Brasil 4; e a Índia e a China menos de um barril/per capita/ano,
mesmo com todo crescimento.
Com reservas declinantes, os EUA em 2001 já precisavam importar
impressionantes 10,9 milhões de barris todos os dias, ou 56 % de
seu consumo diário total. Em 2005, já importam 62 %.
CHINA
A China também
tem produção declinante e está seguindo o mesmo
caminho de extrema dependência energética de
petróleo. Veja mais CHINA
em ECONOMIA BR.
Brasil
e China desenvolvem intensos estudos conjuntos para uma
revolucionária aliança estratégica na área
de energia. O primeiro passo para tal será a aliança
entre PETROBRAS e SINOPEC e os seguintes com a CNOOC e com a estatal
PetroChina.
Acontece que a China de 2005 sente muito a falta de energia
para continuar crescendo sem provocar inflação, pois era
exportadora líquida de 3 milhões de barris/dia de
petróleo por volta de 2001 e em 2005 passou a importar
liquidamente 4 milhões de barris/dia, já consumindo
7,5 mb/dia.
Trata-se do 5º maior produtor mundial com 3,5 mb/dia, basicamente
extraídos em terra. E continua a crescer a 10 % ao ano.
A China é experiente em extrair
seu
petróleo em terra. Sua produção de 3,5 mb/dia
representa quase o dobro da brasileira hoje.
Vem
desenvolvendo diversas alternativas de suprimento. O petróleo
pesado do Campo de Marlim é o ideal para as suas usinas
termelétricas
e para o diesel. Assim, a Petrobras vendeu-lhes mais de US$ 500
milhões no ano de 2004, com grandes previsões de
incremento nas vendas.
Em
2004, a China aumentou suas importações diárias de
petróleo em 40 % sobre 2003, atingindo 2 mb/dia, tornando-se o 2º maior
importador de petróleo do mundo. E já importa em 2005
mais de 50 % do consumo interno. Importa hoje 80 % do Oriente
Médio, dependência que deseja reduzir. Em 2010,
deverá estar importando entre 6 e 10 mb/dia.
Por último, a China prepara-se para liderar uma
revolução energética mundial, com grandes
investimentos em energias renováveis. Promove a energia
eólica e precisa diversificar sua matriz energética para
biocombustíveis como o álcool anidro (mistura),
o etanol e o biodiesel, todos podendo ser largamente produzidos pelo
Brasil e distribuídos pela Petrobras, em escalas hoje
simplesmente
não mensuráveis.
Nesse caminho, as 3 companhias chinesas foram convidadas a participarem
com a Petrobras da 6ª Rodada de Licitação de
Petróleo no Brasil em 17 de agosto de 2004 e da 7ª Rodada
em 2005. A própria ministra Dilma Roussef convocou os
empresários chineses. Foram licitados 914 blocos em terra
e no mar.
O Brasil exportou para lá mais de 500 milhões
de litros de etanol em 2004, mas o potencial do mercado local é
muito maior, pois existem 171 cidades chinesas com mais de 1
milhão de habitantes e já graves problemas de
poluição, como
a causada por seus milhões de veículos de todos os tipos.
H-BIO
O Brasil consome hoje diesel derivado somente de petróleo. Porém, a Petrobras comprometeu-se em 2006 a
iniciar a produção do H-BIO,
ou H-Biodiesel, combustível feito a partir da mistura de
óleo de soja ao petróleo durante o processo de refino.
Suas grandes vantagens são as de atrelar milhares de
agricultores ao processo energético do País e de obter um
novo combustível ecologicamente correto, pois não
há mais emissão de enxofre. Por isso, essa nova
alternativa tornou-se a menina dos meus olhos do Governo Lula.
Intimamente ligado ao projeto do biodiesel, o governo aposta
no H-BIO não só para diminuir as
importações brasileiras de óleo diesel, mas
também para ajudar os agricultores. Caso a experiência com
a soja seja bem-sucedida, a Petrobras poderá ampliar a mistura
com outras oleaginosas, como mamona e o dendê.
O novo combustível deve começar a ser produzido já
em 2007 e promete mudar a matriz energética brasileira. Pode
ainda vir a influenciar o mercado mundial de diesel mineral, altamente
poluente. O Governo sonha até em mudar a matriz
energética do mundo nos próximos anos.
PRODUÇÃO E EXPORTAÇÃO
DE ENERGIA RENOVÁVEL
EM MILHÕES DE BARRIS / DIA
EQUIVALENTES DE PETRÓLEO
COTAÇÃO MÉDIA ENTRE US$
80 E US$ 400
ANO
|
PROD.
DIÁRIA
|
EXP.
DIÁRIA
|
EXP.
ANUAL
|
US$
BI/ANO A US$ 100
|
US$
BI/ANO A US$ 150
|
US$
BI/ANO A US$ 200 |
US$ BI/ANO
A US$ 300
|
US$ BI/ANO A US$ 400
|
2008
|
0,4
|
0,1
|
36,5
|
3,65
|
5,48
|
7,30
|
-
|
-
|
2009
|
0,6
|
0,2
|
73,0
|
-
|
10,95
|
14,60
|
-
|
-
|
2010
|
0,9
|
0,4
|
146,0
|
-
|
-
|
29,20
|
-
|
-
|
2015
|
3,0
|
2,0
|
730,0
|
-
|
-
|
146,00
|
219,00 |
-
|
2020
|
6,0
|
4,8
|
1.752,0
|
-
|
-
|
-
|
525,60
|
-
|
2022
|
10,0
|
8,4
|
3.066,0
|
-
|
-
|
-
|
919,80
|
1.226,40
|
Projeção de ECONOMIA BR
com 10 mb diários em 2022, considerando-se baixa
demanda interna devido às exportações contratuais
de combustíveis limpos.
Atualizado em junho de 2008
com cotações do petróleo a US$ 140 por barril de
159 litros.
GÁS
Desde setembro de 2003,
conta-se com a descoberta de gás natural na Bacia de Santos,
já chamada de "Bolívia do Litoral Paulista", que
triplicaria
as reservas nacionais de gás para 600 bilhões de m3
(200+400)
ou mais.
Estimava-se com isso que o Brasil
atingiria nos próximos anos produção diária
de até 80 milhões de m3, o que não foi confirmado,
posteriormente. O acordo de importação de gás da
Bolívia prevê a importação de até 30
milhões de m3 por dia.
O gás de Santos é 30 % mais barato e está a apenas
130 quilômetros do principal entroncamento brasileiro, o mercado
paulista, de onde saem gasodutos para a Região Sul e para o Rio
de Janeiro, com uma perna para Minas Gerais.