INDÚSTRIA
SIDERÚRGICA
O Brasil é o maior produtor de
aço da América Latina, tendo capacidade produtiva em 2008
de 41
milhões de toneladas (mt). O 2º colocado
é o México com 15 mt ao ano.
Enquanto isso, a China estará produzindo 550 mt somente em 2005,
mais de 13 vezes superior à
toda capacidade brasileira. Ela transformou-se, em poucos anos, no maior
produtor, consumidor e importador mundial de produtos
siderúrgicos.
Isso tem fortemente afetado todo o mercado mundial de aço e suas
matérias-primas. Seu
enorme excedente exportável constitui hoje uma ameaça que
impõe ao mercado mundial um novo ciclo de fusões e
aquisições, com a criação de
grandes conglomerados internacionais, como a Mittal-Arcelor.
A indústria siderúrgica
brasileira vem mobilizando-se para acompanhar a demanda da China e o
consumo interno chegar a 25 mt ao ano até 2010. Para tal, tem
investido bilhões de dólares para aumentar a sua
capacidade produtiva nesse período.
Entretanto, os recentes excedentes chineses podem mudar toda a
situação futura. Para fazer valer suas vantagens
comparativas
e a forte competitividade da indústria nacional, é
necessário
haver uma grande melhoria em logística até os portos,
e desoneração tributária, entre outros.
A indústria nacional planeja
aumentar a produção anual para atingir um patamar de 63
mt em 2010. Se o plano tiver sucesso, o Brasil saltará do
9º lugar entre os maiores produtores de aço do mundo, para
o 5º, podendo vir a desbancar a Coréia do Sul.
Depois disso,
de acordo com os industriais, há potencial e investimentos sendo
feitos para o País produzir acima de 80 mt de
aço ao ano até 2015, com excedente exportável de
17 mt.
PRODUÇÃO MUNDIAL DE AÇO BRUTO
EM MILHÕES DE TONELADAS - 2005
LUGAR
|
PAÍS |
MT
|
1º
|
China
|
349,4
|
2º
|
Japão
|
112,5
|
3º
|
Estados
Unidos |
94,9
|
4º
|
Rússia
|
66,1
|
5º
|
Coréia
do Sul
|
47,8
|
6º
|
Alemanha
|
44,5
|
7º
|
Ucrânia
|
38,6
|
8º
|
Índia
|
38,1
|
9º
|
Brasil
|
31,6
|
10º
|
Itália
|
29,3
|
INDÚSTRIA
AUTOMOBILÍSTICA
O Brasil
ultrapassou a França no primeiro semestre de 2008 e, com 2,01
milhões de veículos produzidos entre janeiro e julho, e
confirmou ser o 6º
maior fabricante do mundo. Poderá fechar o ano com 3,6
milhões de unidades produzidas.
Já em 2007, o País tinha conseguido tornar-se o 6º
maior fabricante, atrás de Japão, China, EUA, Alemanha e
Coréia do Sul, passando a França. Essas primeiras
posições do ranking permaneceram inalteradas até
julho de 2008.
Existe capacidade potencial para atingir uma produção de
3,85 milhões de unidades ainda em 2008, aproximando-se da
Coréia do Sul. Para 2009, já considerando os planos de
expansão das montadoras instaladas no País, a
previsão é que a capacidade aumente para 4 milhões
ou até ultrapasse bastante tal patamar.
De fato, a Anfavea acredita que a capacidade poderá crescer
ainda mais, pois os anúncios de grandes investimentos não
acabaram, sendo aguardados novos anúncios de
investimentos.
FROTA
Por
volta de 2002, o Brasil estava atrás de todos esses pequenos
Países abaixo porque a população, além de
ter baixa renda, não conta com as mesmas condições
de financiamento destes e ainda paga impostos muito superiores pelos
veículos, como se fossem cigarros (!).
Por conta disso, o Brasil tinha em 2002 a razão de
8 habitantes por veículo, enquanto a maioria dos Países
concorrentes tinha entre 1 e 2 habitantes por veículo.
Ressalte-se
que o Canadá foi ultrapassado pelo Brasil em 1997 e não
mais recuperou sua posição, perdendo ainda para o
México. O mercado segurador estimava
existir uma frota de 24 milhões de automóveis em junho
de 2004, sendo que somente 8,2 milhões eram segurados.
Em 2007, o Brasil já possuía por volta de 50
milhões de veículos em circulação, com
idade média de 9 anos e coeficiente de 8 habitantes por
veículo. Pode chegar a 54 milhões em 2008.
Eram mais de 1,6 milhão km de malha rodoviária,
sendo que 165 mil km estão pavimentados. Em termos de setor,
havia mais de 30 plantas industriais de montadoras instaladas no
País e 500 fabricantes de autopeças, contando com o apoio
de mais de 4.580 concessionários de marcas, cujas vendas
representavam
5 % do PIB industrial brasileiro.
As
projeções indicam que o Brasil poderá dobrar sua frota atual de veículos automotores
de 50 para 100 milhões
de veículos até 2012, perdendo apenas para os EUA e a
CHINA, que tinha 13.190.000 veículos em 2000 (12º) e cujo
consumo vem explodindo a cada ano.
Basta que a economia brasileira continue crescendo, haja crédito
cada vez mais barato e menos impostos automotivos.
FROTA MUNDIAL DE
VEÍCULOS AUTOMOTORES
EM MILHARES - 2002
LUGAR
|
PAÍS |
VEÍCULOS |
1º
|
Estados
Unidos
|
225.452
|
2º
|
Japão
|
73.989
|
3º
|
Alemanha
|
48.225
|
4º
|
Itália
|
37.682
|
5º
|
França
|
35.144
|
6º
|
Reino
Unido
|
32.924
|
7º
|
Rússia
|
27.315
|
8º
|
Espanha
|
23.048
|
9º
|
Brasil
|
20.769
|
10º
|
México
|
18.884
|
FROTA BRASILEIRA DE
VEÍCULOS AUTOMOTORES
EM MILHÕES - 2002 A 2008
| ANO |
VEÍCULOS |
2002
|
34,2
|
2003
|
36,6
|
2004
|
39,2
|
2005
|
42,0
|
2006
|
45,3
|
2007
|
50,0
|
| 2008
* |
54,0
|
(*)
Previsão do ECONOMIA BR
para 2008.
PRODUÇÃO
O
Brasil encontrava-se em 2001 somente em 10º lugar pelos motivos
acima. Ressalte-se que Reino Unido, Itália e Rússia foram
ultrapassados pelo Brasil nos anos 90 e não mais recuperaram
competitividade.
Em 2004, o
Brasil produziu 2.210.741 veículos automotores. No mês de
setembro houve um recorde, tendo sido produzidos 203.000
veículos, o que já projetava 2,4 milhões de
veículos para 12 meses.
Realmente,
a tendência confirmou-se em 2005, pois foram produzidos no Brasil
2,45 milhões de veículos, 10,8 % a mais do que em 2004 e
um recorde na história do setor.
Já
em 2006, o Brasil produziu 2,63 milhões de veículos
automotores. Foi um recorde, pois até então o ano de 1997
havia tido o maior volume produzido na história, com 2.528.000
veículos. O ano de 2006 foi 4 % superior ao de 1997. Foram
vendidos no mercado interno 1,93 milhão de veículos, e
foram exportadas 700 mil unidades.
Faltaram
só 27.178 veículos, o equivalente a
produção de dois dias para que a indústria
automobilística atingisse a marca de 3
milhões de unidades em 2007.
Chegou-se a um total de
2.972.822 automóveis produzidos, o equivalente a uma
expansão de 13,9 % em relação ao ano anterior.
Esse recorde histórico do País refletiu o forte consumo
interno por veículos,
estimulada pelo crescimento da renda do trabalhador e pela recente
facilidade de acesso ao crédito. Com esse resultado, o Brasil pode passar da
8ª para a 6ª posição no ranking mundial de
fabricantes, ultrapassando Espanha e França.
Pelos
cálculos da Anfavea, Espanha e França fecharam
2007 com produção próxima de 2,9 milhões de
unidades cada, o que deu vantagem ao Brasil, ainda que por
pouca diferença. À frente do País
permaneciam a Coréia do Sul (cerca de 4 milhões
de veículos), Alemanha (mais de 5 milhões), China (mais
de 7 milhões) e Japão e EUA (perto de 11 milhões).
PRODUÇÃO ANUAL DE
VEÍCULOS AUTOMOTORES NO BRASIL
EM UNIDADES - 2002 A 2008
ANO
|
UNIDADES
|
VAR.
%
|
2002
|
1.791.530
|
-
|
2003
|
1.827.791
|
+
2,0
|
2004
|
2.210.741
|
+
21,0
|
2005
|
2.450.000
|
+
10,8
|
2006
|
2.630.000
|
+
7,3
|
2007
|
2.972.822
|
+ 13,0
|
2008 *
|
3.600.000
|
+ 21 %
|
(*) Previsão do ECONOMIA BR
para 2008.
PRODUÇÃO MUNDIAL DE
VEÍCULOS AUTOMOTORES
EM MILHARES - APROXIMADO
LUGAR
|
PAÍS |
2007
|
1º
|
Estados
Unidos
|
12.500
|
2º
|
Japão
|
11.000
|
3º
|
China
|
7.000
|
4º
|
Alemanha
|
5.600
|
5º
|
Coréia do Sul
|
4.000
|
6º
|
Brasil
|
3.000
|
7º
|
França
|
2.930
|
8º
|
Espanha
|
2.900
|
Obs:
o Brasil produziu 2,972 milhões de Autoveículos em 2007.
Fonte : ANFAVEA.
As
projeções indicam que o Brasil poderá ainda
quadruplicar (4X) essa produção anualizada próxima
a 3 milhões, tanto para o mercado interno quanto para o externo,
para algo como 12 milhões de autoveículos anuais
até 2010, perdendo apenas para os EUA e a CHINA.
A China produzia 970 mil
veículos em 1992, 2,334 milhões em 2001, 4,444
milhões em 2003, e continuou avançando fortemente, com
seu consumo explodindo a cada ano. Em 2007, saltou para 7
milhões de unidades. Porém, ela depende do cada dia mais
valioso minério de ferro, boa parte vinda do Brasil.
O crescimento das
exportações nesta década continua sendo
auspicioso, mesmo com o Real supervalorizado. Em 2007, as vendas
externas foram de US$ 13,2 bilhões. Em 2003, foram de US$ 4,7
bilhões, US$ 1,3 bilhão acima de 2002.
EXPORTAÇÕES ANUAIS DE
VEÍCULOS AUTOMOTORES
EM BILHÕES DE DÓLARES
2002 A 2008
ANO
|
US$
BILHÕES
|
VAR.
%
|
2002
|
3,4
|
-
|
2003
|
4,7
|
38,0
|
2004
|
8,0
|
70,2
|
2005
|
11,2
|
40,0
|
2006
|
12,1
|
8,0
|
2007
|
13,2
|
9 %
|
2008 *
|
13,8
|
5 %
|
(*)
Previsão
do ECONOMIA BR
para 2008.
INDÚSTRIA AERONÁUTICA
Detentor da
3ª maior frota aérea atual, o Brasil conta com mais de
10.500 aeronaves e 32.000 pilotos em atividade, e as perspectivas desse
mercado são bastante animadoras.
A
EMBRAER é a principal Indústria Aeronáutica
brasileira, produzindo mais de 170 aeronaves ao ano. Ela é hoje
a 3ª indústria mundial, após a Boeing e a Airbus, e
tendo já ultrapassado sua arqui-rival, a canadense Bombardier.
Veja todos os detalhes sobre a EMBRAER no DEFESA BR.
Apresentação do EMBRAER EMB-190.
(Foto
Divulgação da Embraer)
Já a frota brasileira
de aviões agrícolas é composta hoje de 1,1 mil
aviões, a 2ª maior do mundo, que crescia 6 % ao ano e
explodiu suas vendas em mais de 100 % em 2004. Os aparelhos da
brasileira Neiva, subsidiária da Embraer correspondem a 80
% do total. A Neiva já entregou mais de 1.000 aviões
Ipanema em 31 anos de produção. O Brasil tem
um quadro superior a 1.300 pilotos agrícolas habilitados.
Em 6 de
agosto de 2004, a TAM inaugurou o maior complexo de
manutenção de aeronaves executivas fora
dos Estados Unidos, em uma área de 54 mil m² em
Jundiaí (São Paulo), que
deverá atender às frotas do Mercosul. Em março de
2005, foi confirmada a aquisição da portuguesa OGMA pela
EMBRAER.
INDÚSTRIA
NAVAL
A indústria de construção naval brasileira conta
com mais de 100 estaleiros, produzindo desde pequenos barcos
de madeira até grandes navios. Os maiores funcionam no Rio de
Janeiro e foram implantados no final da década de 50, com a
criação do Fundo de Marinha Mercante (FMM), o qual é formado pela
arrecadação de um adicional sobre os fretes.
A última expansão e modernização do setor
aconteceu no final da década de 70. Em 1979, eles empregavam
diretamente mais de 40 mil pessoas. Eram construídos 50 navios
ao ano e a indústria brasileira chegou a ser a 2ª no mundo.
Os navios eram exportados
com até 80 % de equipamentos nacionalizados. Depois disso,
houve apenas decadência.
Naquela época,
mais de 30 % do comércio exterior era transportado por navios
de bandeira nacional. Hoje, isso não passa de 2 %. A frota
nacional tem metade da tonelagem que tinha nos anos 80.
Por falta de apoio financeiro, o
País deixou de construir navios e perdeu a competitividade de
outrora. Em 1998, os grandes estaleiros estavam fechados e a
indústria empregava menos de 5 mil pessoas. Em 2000, esse
número caiu para apenas 2 mil funcionários.
A situação só
começou a melhorar nos últimos anos. Atualmente, existem
mais de 16 estaleiros de médio e grande portes filiados ao
Sindicato Nacional da Indústria da Construção
Naval (SINAVAL).
Sabe-se que 90 % deles
encontram-se no Rio de Janeiro, mas há um no Ceará, dois
em Santa Catarina, um em Sergipe e um em São Paulo. Juntos, eles
começaram a gerar cerca de 22 mil empregos diretos no
País e 110 mil indiretos.
Já em 2007, esse
número saltou para 36 mil,
devendo chegar a 40 mil em 2008.
O Grupo Camargo Corrêa - da construção pesada -
montou um consórcio para construir a partir de 2005 um
mega-estaleiro de Classe Mundial no Complexo Industrial e
Portuário de SUAPE (33 km
de Recife), em Pernambuco, que pretende ser um dos mais modernos do
mundo em construção de navios e plataformas
marítimas petrolíferas e o maior do Hemisfério
Sul.
A empresa fez uma análise de 17 pontos de
construção no Brasil e optou por Pernambuco, devido
às condições de infra-estrutura de Suape. Quando
em operação, poderá ter um faturamento de US$ 6
bilhões e gerar mais de 5.000 empregos diretos e 15.000
indiretos.
O novo estaleiro ficará em uma área de 780 mil m2 e
custará US$ 500 mihões e faz parte de uma política
de descentralização dos investimentos em infra-estrutura
no Sudeste. Terá o maior dique seco do Brasil, com uma
extensão de 700 metros de cais. A área será
utilizada para a
construção simultânea de dois navios e de uma
plataforma
de petróleo.
A norueguesa Aker-Promar construirá os Estaleiros Promar I e II
em Itajaí (SC) e Rio Grande (RS), com investimento total de US$
150 milhões.
Poderão construir navios Panamax (de 200 a 270 metros) e
plataformas.
A Transpetro, subsidiária da Petrobras, vem fazendo desde
2004 licitações para a construção de um
total de 44 novos navios petroleiros, sendo que 26 deles já
estavam
em construção ou em preparo para o início dos
trabalhos em 2007. Essas concorrências é que vêm
incentivando grupos nacionais e estrangeiros a construirem mais
estaleiros no País.
Em abril de 2007, foi anunciado que a Transpetro estaria preparando a
encomenda de um navio tipo Panamax de 75 mil ton para transporte na
exportação de ETANOL, que
deverá ser o primeiro de muitos outros, nos próximos anos.
ENCOMENDAS DE
NAVIOS PETROLEIROS
PARA A TRANSPETRO
EM 2007
ESTALEIRO
|
ESTADO
|
Nº
|
Atlântico Sul
|
PE
|
10
|
Consórcio RioNaval
|
RJ
|
9
|
Mauá Jurong
|
RJ
|
4
|
Itajaí
|
SC
|
3
|
TOTAL
|
|
26
|
Além disso, o BNDES estaria
criando um fundo de investimentos para financiar a
construção de embarcações no País,
complementando os recursos do FMM, para dar o suporte ideal à
firme retomada da indústria naval brasileira. O FMM financia
até 90 % dos projetos e dispõe hoje de mais de R$ 2
bilhões.
Há vários projetos nessa área, além dos
petroleiros, seja de barcos de apoio e de estruturas off-shore,
para atender o programa estratégico e meta de autonomia na
produção e escoamento de petróleo nos
próximos anos. Só com esse programa, previa-se empregar
70 mil trabalhadores até 2010 e mais 120 mil até 2020.
NOVO
PROGRAMA
Em 26 de maio de 2008, foi
lançado o Programa de Modernização e
Expansão da Frota e de Embarcações de Apoio da
Petrobras e a 2ª etapa do Programa de Modernização
da Frota de Petroleiros (Promef), da Transpetro. Tais programas visam atender ao programa estratégico de
produção e escoamento de petróleo dos novos
grandes campos do pré-sal nos próximos anos.
Serão 146 embarcações de apoio da Petrobras com
valor estimado em R$ 5 bilhões, e 23 petroleiros da Transpetro.
Os navios terão de ser construídos no Brasil, com um
mínimo de 70 % de conteúdo nacional.
Cada navio vai gerar cerca de 500 postos de trabalho, em um total
aproximado de 73 mil novos empregos, somados a 22 mil estimados pela
Transpetro, pelos próximos 6 anos. Durante esse período,
serão realizadas 7 licitações.
Entre as embarcações programadas pela Petrobras, 64
serão destinadas s atividades de suprimento, 54 ao manuseio de
âncoras de grande porte, 18 para operações de
recolhimento de óleo (exigência do Ibama) e 10
rebocadores. Também fazem parte do pacote a possível
contratação de 2 superpetroleiros com
capacidade de 300 mil toneladas, considerados os maiores do mundo, a um
custo
unitário de US$ 180 milhões.
A Petrobras pretende ainda contratar 40 navios-sonda e plataformas de
perfuração semi-submergíveis para operarem em
águas profundas e ultraprofundas, com expectativa de entrar em
operação até 2017.
FONTES & LINKS
CVRD
ANFAVEA