O Brasil é o maior produtor de
aço da América Latina, tendo capacidade produtiva em 2008
de 41
milhões de toneladas (mt). O 2º colocado
é o México com 15 mt ao ano.
Enquanto isso, a China produzia 502 mt somente em 2005,
mais de 12 vezes superior à
toda capacidade brasileira. Ela transformou-se, em poucos anos, no maior
produtor, consumidor e importador mundial de produtos
siderúrgicos.
Isso tem fortemente afetado todo o mercado mundial de aço e suas
matérias-primas. Seu
enorme excedente exportável constitui hoje uma ameaça que
impõe ao mercado mundial um novo ciclo de fusões e
aquisições, com a criação de
grandes conglomerados internacionais, como a Mittal-Arcelor.
A indústria siderúrgica
brasileira proucrou mobilizar-se para acompanhar a demanda da China e o
consumo interno chegar a 25 mt ao ano até 2010. Para tal, tem
investido bilhões de dólares para aumentar a sua
capacidade produtiva nesse período.
Entretanto, os recentes excedentes chineses podem mudar toda a
situação futura. Para fazer valer suas vantagens
comparativas
e a forte competitividade da indústria nacional, é
necessário
haver uma grande melhoria em logística até os portos,
e desoneração tributária, entre outros.
A indústria nacional planejava
aumentar a produção anual para atingir um patamar de 63
mt em 2010. Se o plano tivesse tido sucesso, o Brasil saltaria do
9º lugar entre os maiores produtores de aço do mundo, para
o 5º, desbancando a Coréia do Sul.
Depois disso,
de acordo com os industriais, haveria potencial e investimentos sendo
feitos para o país produzir acima de 80 mt de
aço ao ano até 2015, com excedente exportável de
17 mt.
Entretanto, a
grande crise de 2008/2009, fez a produção e o consumo
caírem bastante em 2009, adiando os planos. A
produção de aço bruto no Brasil ficou em apenas
26,65 mt, com uma incrível queda de 21% sobre o ano de 2008 (ver
tabela abaixo). O consumo no mercado interno ficou em apenas 18,32 mt.
Já as exportações ficaram em sofríveis 9,48
milhões de toneladas.
Segundo o
Instituto Aço Brasil (IABr), em 2010, a produção de
aço deverá crescer 24,2%, para 33,1 mt. O consumo interno
deverá ter alta de 21,6%, para 22,9 mt. As
exportações poderão crescer 16%, chegando a 11 mt.
Pelo visto, o Brasil só anda em círculos, enquanto a
China é o que é, compra nosso minério de ferro a
preços vis e a Vale só pensa em minerar e exportar,
siderurgia nada.
PRODUÇÃO MUNDIAL DE AÇO BRUTO
EM MILHÕES DE TONELADAS - 2008
LUGAR
PAÍS
MT
1º
China
502,01
2º
Japão
118,74
3º
Estados
Unidos
91,49
4º
Rússia
68,51
5º
Índia
55,95
6º
Coréia
do Sul
53,49
7º
Alemanha
45,83
8º
Ucrânia
37,10
9º
Brasil
33,71
10º
Itália
30,48
Fonte
: Instituto Internacional de Ferro e Aço, e VALE.
INDÚSTRIA
AUTOMOBILÍSTICA
O Brasil
ultrapassou a França no primeiro semestre de 2008 e, com 2,01
milhões de veículos produzidos entre janeiro e julho, e
confirmou ser o 6º
maior fabricante do mundo. Poderá fechar o ano com 3,6
milhões de unidades produzidas.
Já em 2007, o País tinha conseguido tornar-se o 6º
maior fabricante, atrás de Japão, China, EUA, Alemanha e
Coréia do Sul, passando a França. Essas primeiras
posições do ranking permaneceram inalteradas até
julho de 2008.
Existe capacidade potencial para atingir uma produção de
3,85 milhões de unidades ainda em 2008, aproximando-se da
Coréia do Sul. Para 2009, já considerando os planos de
expansão das montadoras instaladas no País, a
previsão é que a capacidade aumente para 4 milhões
ou até ultrapasse bastante tal patamar.
De fato, a Anfavea acredita que a capacidade poderá crescer
ainda mais, pois os anúncios de grandes investimentos não
acabaram, sendo aguardados novos anúncios de
investimentos.
FROTA
Por
volta de 2002, o Brasil estava atrás de todos esses pequenos
Países abaixo porque a população, além de
ter baixa renda, não conta com as mesmas condições
de financiamento destes e ainda paga impostos muito superiores pelos
veículos, como se fossem cigarros (!).
Por conta disso, o Brasil tinha em 2002 a razão de
8 habitantes por veículo, enquanto a maioria dos Países
concorrentes tinha entre 1 e 2 habitantes por veículo.
Ressalte-se
que o Canadá foi ultrapassado pelo Brasil em 1997 e não
mais recuperou sua posição, perdendo ainda para o
México. O mercado segurador estimava
existir uma frota de 24 milhões de automóveis em junho
de 2004, sendo que somente 8,2 milhões eram segurados.
Em 2007, o Brasil já possuía por volta de 50
milhões de veículos em circulação, com
idade média de 9 anos e coeficiente de 8 habitantes por
veículo. Pode chegar a 54 milhões em 2008.
Eram mais de 1,6 milhão km de malha rodoviária,
sendo que 165 mil km estão pavimentados. Em termos de setor,
havia mais de 30 plantas industriais de montadoras instaladas no
País e 500 fabricantes de autopeças, contando com o apoio
de mais de 4.580 concessionários de marcas, cujas vendas
representavam
5 % do PIB industrial brasileiro.
As
projeções indicam que o Brasil poderá dobrar sua frota atual de veículos automotores
de 50 para 100 milhões
de veículos até 2012, perdendo apenas para os EUA e a
CHINA, que tinha 13.190.000 veículos em 2000 (12º) e cujo
consumo vem explodindo a cada ano.
Basta que a economia brasileira continue crescendo, haja crédito
cada vez mais barato e menos impostos automotivos.
FROTA MUNDIAL DE
VEÍCULOS AUTOMOTORES
EM MILHARES - 2002
FROTA BRASILEIRA DE
VEÍCULOS AUTOMOTORES
EM MILHÕES - 2002 A 2008
ANO
VEÍCULOS
2002
34,2
2003
36,6
2004
39,2
2005
42,0
2006
45,3
2007
50,0
2008
*
54,0
(*)
Previsão do ECONOMIA BR
para 2008.
PRODUÇÃO
O
Brasil encontrava-se em 2001 somente em 10º lugar pelos motivos
acima. Ressalte-se que Reino Unido, Itália e Rússia foram
ultrapassados pelo Brasil nos anos 90 e não mais recuperaram
competitividade.
Em 2004, o
Brasil produziu 2.210.741 veículos automotores. No mês de
setembro houve um recorde, tendo sido produzidos 203.000
veículos, o que já projetava 2,4 milhões de
veículos para 12 meses.
Realmente,
a tendência confirmou-se em 2005, pois foram produzidos no Brasil
2,45 milhões de veículos, 10,8 % a mais do que em 2004 e
um recorde na história do setor.
Já
em 2006, o Brasil produziu 2,63 milhões de veículos
automotores. Foi um recorde, pois até então o ano de 1997
havia tido o maior volume produzido na história, com 2.528.000
veículos. O ano de 2006 foi 4 % superior ao de 1997. Foram
vendidos no mercado interno 1,93 milhão de veículos, e
foram exportadas 700 mil unidades.
Faltaram
só 27.178 veículos, o equivalente a
produção de dois dias para que a indústria
automobilística atingisse a marca de 3
milhões de unidades em 2007.
Chegou-se a um total de
2.972.822 automóveis produzidos, o equivalente a uma
expansão de 13,9 % em relação ao ano anterior.
Esse recorde histórico do País refletiu o forte consumo
interno por veículos,
estimulada pelo crescimento da renda do trabalhador e pela recente
facilidade de acesso ao crédito. Com esse resultado, o Brasil pode passar da
8ª para a 6ª posição no ranking mundial de
fabricantes, ultrapassando Espanha e França.
Pelos
cálculos da Anfavea, Espanha e França fecharam
2007 com produção próxima de 2,9 milhões de
unidades cada, o que deu vantagem ao Brasil, ainda que por
pouca diferença. À frente do País
permaneciam a Coréia do Sul (cerca de 4 milhões
de veículos), Alemanha (mais de 5 milhões), China (mais
de 7 milhões) e Japão e EUA (perto de 11 milhões).
PRODUÇÃO ANUAL DE
VEÍCULOS AUTOMOTORES NO BRASIL
EM UNIDADES - 2002 A 2008
ANO
UNIDADES
VAR.
%
2002
1.791.530
-
2003
1.827.791
+
2,0
2004
2.210.741
+
21,0
2005
2.450.000
+
10,8
2006
2.630.000
+
7,3
2007
2.972.822
+ 13,0
2008 *
3.600.000
+ 21 %
(*) Previsão do ECONOMIA BR
para 2008.
PRODUÇÃO MUNDIAL DE
VEÍCULOS AUTOMOTORES
EM MILHARES - APROXIMADO
LUGAR
PAÍS
2007
1º
Estados
Unidos
12.500
2º
Japão
11.000
3º
China
7.000
4º
Alemanha
5.600
5º
Coréia do Sul
4.000
6º
Brasil
3.000
7º
França
2.930
8º
Espanha
2.900
Obs:
o Brasil produziu 2,972 milhões de Autoveículos em 2007.
Fonte : ANFAVEA.
As
projeções indicam que o Brasil poderá ainda
quadruplicar (4X) essa produção anualizada próxima
a 3 milhões, tanto para o mercado interno quanto para o externo,
para algo como 12 milhões de autoveículos anuais
até 2010, perdendo apenas para os EUA e a CHINA.
A China produzia 970 mil
veículos em 1992, 2,334 milhões em 2001, 4,444
milhões em 2003, e continuou avançando fortemente, com
seu consumo explodindo a cada ano. Em 2007, saltou para 7
milhões de unidades. Porém, ela depende do cada dia mais
valioso minério de ferro, boa parte vinda do Brasil.
O crescimento das
exportações nesta década continua sendo
auspicioso, mesmo com o Real supervalorizado. Em 2007, as vendas
externas foram de US$ 13,2 bilhões. Em 2003, foram de US$ 4,7
bilhões, US$ 1,3 bilhão acima de 2002.
EXPORTAÇÕES ANUAIS DE
VEÍCULOS AUTOMOTORES
EM BILHÕES DE DÓLARES
2002 A 2008
ANO
US$
BILHÕES
VAR.
%
2002
3,4
-
2003
4,7
38,0
2004
8,0
70,2
2005
11,2
40,0
2006
12,1
8,0
2007
13,2
9 %
2008 *
13,8
5 %
(*)
Previsão
do ECONOMIA BR
para 2008.
INDÚSTRIA AERONÁUTICA
Detentor da
3ª maior frota aérea atual, o Brasil conta com mais de
10.500 aeronaves e 32.000 pilotos em atividade, e as perspectivas desse
mercado são bastante animadoras.
A
EMBRAER é a principal Indústria Aeronáutica
brasileira, produzindo mais de 170 aeronaves ao ano. Ela é hoje
a 3ª indústria mundial, após a Boeing e a Airbus, e
tendo já ultrapassado sua arqui-rival, a canadense Bombardier.
Veja todos os detalhes sobre a EMBRAER no DEFESA BR.
Apresentação do EMBRAER EMB-190.
(Foto
Divulgação da Embraer)
Já a frota brasileira
de aviões agrícolas é composta hoje de 1,1 mil
aviões, a 2ª maior do mundo, que crescia 6 % ao ano e
explodiu suas vendas em mais de 100 % em 2004. Os aparelhos da
brasileira Neiva, subsidiária da Embraer correspondem a 80
% do total. A Neiva já entregou mais de 1.000 aviões
Ipanema em 31 anos de produção. O Brasil tem
um quadro superior a 1.300 pilotos agrícolas habilitados.
Em 6 de
agosto de 2004, a TAM inaugurou o maior complexo de
manutenção de aeronaves executivas fora
dos Estados Unidos, em uma área de 54 mil m² em
Jundiaí (São Paulo), que
deverá atender às frotas do Mercosul. Em março de
2005, foi confirmada a aquisição da portuguesa OGMA pela
EMBRAER.
INDÚSTRIA
NAVAL
A indústria de construção naval brasileira conta
com mais de 100 estaleiros, produzindo desde pequenos barcos
de madeira até grandes navios. Os maiores funcionam no Rio de
Janeiro e foram implantados no final da década de 50, com a
criação do Fundo de Marinha Mercante (FMM), o qual é formado pela
arrecadação de um adicional sobre os fretes.
A última expansão e modernização do setor
aconteceu no final da década de 70. Em 1979, eles empregavam
diretamente mais de 40 mil pessoas. Eram construídos 50 navios
ao ano e a indústria brasileira chegou a ser a 2ª no mundo.
Os navios eram exportados
com até 80 % de equipamentos nacionalizados. Depois disso,
houve apenas decadência.
Naquela época,
mais de 30 % do comércio exterior era transportado por navios
de bandeira nacional. Hoje, isso não passa de 2 %. A frota
nacional em 2000 tinha a metade da tonelagem dos anos 80.
Por falta de apoio financeiro, o
país deixou de construir navios por muitos anos e perdeu a
competitividade de
outrora. Em 1998, os grandes estaleiros estavam fechados e a
indústria empregava menos de 5 mil pessoas. Em 2000, esse
número caiu para apenas 2 mil funcionários.
A situação só
começou a melhorar nos últimos anos. Em 2009, já
existiam 25 estaleiros de médio e grande portes filiados ao
Sindicato Nacional da Indústria da Construção
Naval (SINAVAL). Todos
são privados, sendo que 2 deles foram arrendados à
Petrobras. Há mais 5 deles
em construção ou projetados, o que levará o
país a ter 30 estaleiros em breve.
Estaleiro SERMETAL,
ex-Ishibras, no Caju, Rio de Janeiro. Ele estava desativado e a Petrobras o arrendou em
2009 por 20 anos ao custo mensal de R$ 4 milhões. Sua reforma em oito meses
consumirá R$ 100 milhões. Será operado por empresa terceirizada
após licitação, para produzir equipamentos para o
Pré-Sal. (Foto SERMETAL)
Se, em 2000, havia apenas 2 mil
funcionários em estaleiros brasileiros, em 2005 já eram 22 mil (e 110 mil empregos indiretos). Já em 2007, esse
número saltou para 36 mil e,
em 2009, chegou a 46 mil, sendo 185 mil indiretos, o que totaliza 231
mil empregos.
Com o
advento da epopeia do Pré-Sal
e com o dinamismo do setor, a tendência é de triplicar
esses números para 700 mil empregos diretos e indiretos
até 2020 ou mesmo antes.
VÍDEO
-
SINAVAL - DESENVOLVIMENTO E
EMPREGOS NO BRASIL (01:52 MIN)
Filme Institucional do SINAVAL
- Sindicato Nacional da Indústria da Construção e
Reparação Naval e Offshore. Ano de 2009
ESTALEIROS
Os Grupos Camargo Corrêa e Queiroz Galvão - da
construção pesada -
montaram um consórcio para construir em 2005 o Estaleiro Atlântico Sul
(EAS), um
mega-estaleiro de Classe Mundial no Complexo Industrial e
Portuário de SUAPE (33 km
de Recife), em Pernambuco, um dos mais modernos do
mundo em construção de navios e plataformas
marítimas petrolíferas e o maior do Hemisfério
Sul.
Projeto do Estaleiro
Atlântico Sul. (Arte EAS)
O consórcio fez uma
análise de 17 pontos de
construção no Brasil e optou por Pernambuco, devido
às condições de infra-estrutura de Suape. Quando
no auge de sua operação, ele poderá ter um
faturamento de US$ 6
bilhões e gerar mais de 5.000 empregos diretos e 15.000
indiretos.
Em 2009, ele tinha capacidade nominal para processar 160 mil toneladas
de aço por ano, mas seu potencial chega a 400 mil. O EAS
está comprometido com entregas (para Transpetro e Petrobras)
até 2013 e, a partir daí, poderia fazer navios para a
Vale. Esta encomendou US$ 1,6 bilhão de 12 grandes navios, cada
um com capacidade de 400 mil toneladas, na China e discutia uma
possível mudança com a EAS.
VÍDEO -
ESTALEIRO ATLÂNTICO SUL (10:10 MIN)
Vídeo institucional de
apresentação do EAS.
O Atlântico
Sul fica em uma
área de 780 mil m2 e
teve um custo de US$ 500 mihões, fazendo parte de uma
política
de descentralização dos investimentos em infra-estrutura
no Sudeste. Ele tem o maior dique seco do Brasil, com uma
extensão de 700 metros de cais.
A área será
utilizada para a
construção simultânea de dois navios e de uma
plataforma
de petróleo. Um
navio petroleiro do porte de um Suez Max é construído em
apenas 16 meses.
Em 2009, o EAS já
era o mais moderno do país e contava com uma área em seu
entorno que
permitirá uma ampliação para deixá-lo do
porte dos estaleiros gigantes
sul-coreanos Hyundai, STX e Samsung.
Explica-se: os 13 maiores estaleiros do país ocupavam em 2009
área total de 3,5 milhões de m2, menor do que uma
única unidade de gigantes mundiais como o Daewoo ou o Hyundai,
respectivamente com 4,2 milhões de m2 e 6 milhões de m2
de área.
O Hyundai é um estaleiro capaz de cortar 2 milhões de
toneladas por ano, e fabricar 70 navios por ano, o que perfaz a
média de um navio pronto a cada quatro dias. Perto disso, o
volume brasileiro, com capacidade total de 500 mil toneladas de chapas
de aço por ano, era ainda insignificante.
No final de 2009, o consórcio
fechava uma participação acionária
minoritária da coreana Samsung no EAS e
estudava instalar um novo estaleiro, além de ampliar as
instalações em
Suape, sempre balizado pelo horizonte
promissor do Pré-Sal.
Com a mudança societária, que depende de
aprovações de BNDES e Transpetro, a Camargo Corrêa
passaria a ter 40% do negócio, Queiroz Galvão (40%), PJMR
(10%) e Samsung (10%). O Estaleiro
Atlântico Sul
tem desde sua concepção como parceiro e usa tecnologias
licenciadas da Samsung Heavy Industries.
Vista aérea na fase de
obras do Estaleiro Atlântico Sul. (Foto Camargo Corrêa)
Já a norueguesa Aker-Promar
construiu os Estaleiros Promar I e II
em Itajaí (SC) e Rio Grande (RS), com investimento total de US$
150 milhões.
Eles poderão construir navios Panamax (de 200 a 270 metros) e
plataformas.
Cinco novos estaleiros
serão constuídos a partir de 2010. Cada um
receberá
investimentos de até R$ 1 bilhão e serão erguidos
nos Estados de
Alagoas, Bahia (2), Espírito Santo e Rio - polo
histórico da indústria naval e onde está a maior
parte dos estaleiros
do país.
Mas tudo isso pode ser apenas o início de uma epopeia muito
maior que a da primeira década do século XXI. Com o
crescimento do Pré-Sal, todos querem investir pesado. De
início, prevê-se ter uma capacidade de 900 mil toneladas
de processamento de aço nos estaleiros do país no fim de
2011 ante 600 mil toneladas em 2009.
Grupos nacionais - como o Sinergy (estaleiros
Eisa e Mauá); Camargo Corrêa e Queiroz Galvão; OAS
e Setal - e
internacionais - STX (Coreia do Sul) e Jurong (Cingapura) - já
decidiram ou
estudam instalar novos estaleiros. Outros três farão
ampliações de suas
instalações.
Como exemplo, a coreana STX construirá uma unidade no
Ceará em duas etapas: a primeira com investimento de
US$ 100 milhões (barcos menores de apoio à
exploração de petróleo); a
segunda custará US$ 500 milhões (plataformas e
petroleiros).
Um do estaleiros que serão construídos na Bahia é
o Estaleiro da Bahia, um consórcio entre OAS e Setal. O
estaleiro em Alagoas será o Estaleiro Ilha S.A (Eisa), do grupo
Synergy, de Germán Efromovich, previsto para a capital,
Maceió. Há ainda a possibilidade de
instalação de um novo estaleiro pelos sócios do
Estaleiro Atlântico Sul (EAS).
Encontra-se em análise a criação de uma outra
empresa focada na construção de “topsides” para
plataformas. Essa unidade poderia ser instalada em Suape (PE), onde
fica o EAS, ou em outro Estado.
A empresa OSX, do grupo EBX, de Eike Batista, estuda construir um
estaleiro em Biguaçu (SC), o qual nasceria para atender,
preferencialmente, a demanda da empresa de produção de
petróleo da OGX.
Dois produtos dos estaleiros
nacionais que serão
demandados em longa série para o Pré-Sal,
uma plataforma e um navio de apoio. (Foto Valor)
ENCOMENDAS
Tudo isso se deve à iniciativa da Transpetro, subsidiária
da Petrobras, que vem fazendo desde
2004 licitações para a construção de um
total de 44 novos navios petroleiros, sendo que 26 deles já
estavam
em construção ou em preparo para o início dos
trabalhos em 2007.
Mega concorrências como essas é que vêm
incentivando grupos nacionais e estrangeiros a construírem mais
e mais estaleiros no país.
Em abril de 2007, foi anunciado que a Transpetro estaria preparando a
encomenda de um navio tipo Panamax de 75 mil ton para transporte na
exportação de ETANOL, que
seria o primeiro de muitos outros, nos anos seguintes.
ENCOMENDAS DE
NAVIOS PETROLEIROS
PARA A TRANSPETRO
EM 2007
ESTALEIRO
ESTADO
Nº
Atlântico Sul
PE
10
Consórcio RioNaval
RJ
9
Mauá Jurong
RJ
4
Itajaí
SC
3
TOTAL
26
Além disso, o BNDES criava
um fundo de investimentos para financiar a
construção de embarcações no país,
complementando os recursos do FMM, para dar o suporte ideal à
firme retomada da indústria naval brasileira. O FMM financia
até 90 % dos projetos e dispunha em 2007 de R$ 2
bilhões.
Há vários novos projetos nessa área, além
dos
petroleiros, seja de barcos de apoio e de estruturas off-shore,
para atender o programa estratégico e meta de autonomia na
produção e escoamento de petróleo nos
próximos anos. Só com esse programa, previa-se em 2007
empregar
70 mil trabalhadores em 2010 e mais 140 mil até 2020.
(Clique na foto abaixo para
ampliação)
Alguns tipos de navios da
atualidade.
Em 26 de maio de 2008, foi
lançado o Programa de Modernização e
Expansão da Frota e de Embarcações de Apoio da
Petrobras e a 2ª etapa do Programa de Modernização
da Frota de Petroleiros (Promef), da Transpetro. Tais programas visam atender ao programa estratégico de
produção e escoamento de petróleo dos novos
grandes campos do pré-sal nos próximos anos.
São 146 embarcações de apoio da Petrobras com
valor estimado em R$ 5 bilhões, e 23 petroleiros da Transpetro.
Os navios teriam de ser construídos no Brasil, com um
mínimo de 70 % de conteúdo nacional.
Cada navio vai gerar cerca de 500 postos de trabalho, em um total
aproximado de 73 mil novos empregos, somados a 22 mil estimados pela
Transpetro, por 6 anos. Durante esse período,
seriam realizadas 7 licitações.
VÍDEO -
INDÚSTRIA NAVAL VAI
DE VENTO EM POPA (02:30 MIN)
Reportagem do Jornal das Dez, do canal Globonews, em
maio de 2009, informa que, apesar da crise, o setor
aposta no crescimento e na geração de empregos.
Entre as 146 embarcações
programadas pela Petrobras, 64
serão destinadas a atividades de suprimento, 54 ao manuseio de
âncoras de grande porte, 18 para operações de
recolhimento de óleo (exigência do Ibama) e 10
rebocadores.
Também fazem parte do pacote a possível
contratação de 2 superpetroleiros com
capacidade de 300 mil toneladas, considerados os maiores do mundo, a um
custo
unitário de US$ 180 milhões.
A Petrobras pretende ainda contratar 40 navios-sonda e plataformas de
perfuração semi-submergíveis para operarem em
águas profundas e ultraprofundas, com expectativa de entrar em
operação até 2017.
A 6ª MAIOR
INDÚSTRIA NAVAL DO MUNDO
Impulsionada pelas encomendas crescentes da Petrobras desde 2001 e
especialmente pela exigência de compras de fornecedores locais
introduzidas pelo governo Lula em 2003, a indústria naval
brasileira renasceu na primeira década do século 21 e
passou a ser a sexta maior do mundo já em 2009.
Construção de
navio para a Petrobras pela indústria naval brasileira.
(Foto Folha de São Paulo)
As encomendas aos estaleiros e
os novos investimentos somavam então R$ 55 bilhões. Em
2009, havia 195 embarcações já contratadas ou com
a construção anunciada. Eram gerados 46 mil empregos
diretos.
Foi essa cifra que colocou o país em 6º lugar, somente
atrás de China, Coreia do Sul, Japão, União
Europeia e Índia. O interessante é que o Brasil já
ficava à frente dos Estados Unidos. Considerando-se somente
navios petroleiros, o Brasil já era o 5º maior em 2009.
MAIORES INDÚSTRIAS NAVAIS
DO MUNDO EM 2009
LUGAR
PAÍS
1º
CHINA
2º
COREIA
DO SUL
3º
JAPÃO
4º
UNIÃO
EUROPEIA
5º
ÍNDIA
6º
BRASIL
7º
EUA
Diferentemente da China - que se especializou e investiu pesado nos
últimos cinco anos, o motor da indústria naval brasileira
não é o transporte marítimo de commodities, mas
sim a exploração marítima de petróleo.
Esse segmento produz um volume menor de embarcações, mas
faz unidades mais sofisticadas e caras. Nele, a liderança global
é de Cingapura e da Coreia do Sul, líderes mundiais em
tecnologia e com altos subsídios governamentais.
Cada plataforma de produção de petróleo pode
custar mais de US$ 2 bilhões e consumir até dois anos de
trabalho. Uma sonda de perfuração, usada na
exploração dos campos marítimos, não sai
por menos de US$ 1 bilhão. Já um petroleiro varia de US$
60 milhões a US$ 100 milhões, de acordo com o porte da
embarcação, e leva pelo menos oito meses para ficar
pronto.
Como visto, no Brasil, a indústria ressurgiu na esteira das
encomendas da Petrobras e tem um estímulo adicional
graças à descoberta do Pré-Sal. Mas seu dinamismo
atraiu novos clientes: a estatal Venezuelana PDSVA encomendou dez
petroleiros ao estaleiro Eisa e a Vale comprometeu-se a fazer uma
concorrência para a construção de quatro navios de
grande porte para o transporte de minério de ferro.