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A ECONOMIA BRASILEIRA HOJE
"O Brasil, ao longo do tempo e em diferentes governos, ao marginalizar a educação formal, o ensino profissional e a pesquisa, limitou a modernização, abastardou a competitividade e, em conseqüência, perdeu a visão do desenvolvimento econômico, auto-sustentável, como projeto hegemônico permanente. Perdeu o seu tempo, ao crescer marginalmente, nos últimos 20 anos. Aceitou, assim, a mediocridade do subdesenvolvimento imposto por sistema e hábitos políticos que dominam o Poder Executivo e toda a vida nacional, com visão personalista, cartorial, eleitoreira e de curto prazo.
Nesse quadro, ainda presente, dificilmente se pode esperar, em curto e médio prazos, o benefício de reformas político-institucionais macroeconômicas, capazes de aliviar o peso absurdo do Estado brasileiro sobre a sociedade, e abrir caminho para a modernização e a desburocratização do país, condição para alcançar maior capacitação competitiva, que estimule o crescimento econômico e viabilize a desejada inserção internacional como instrumento da sustentação do crescimento e não fator para o seu aviltamento." Forum Nacional 2007 - Debates
O Brasil conseguiu crescer em média 6 % ao ano entre 1930 e 1980 e assim triplicou no período sua participação no PIB mundial. Já entre 1981 e 2006, a economia brasileira perdeu muito de seu dinamismo, expandindo-se apenas 2,1 % ao ano, em média.
A conseqüência foi o País ver encolher de 3,9 % para apenas 2,7 % do PIB mundial nesses 25 anos absolutamente perdidos. Voltar a crescer com força tornou-se uma prioridade a partir de 2007.
O crescimento do País em 2006 foi pífio, de 3,7 %. Já em 2007, o índice chegou a algo como 5,4 %.
Com o desempenho limitado e conservador do Governo Lula desde 2003, as expectativas internacionais em relação à Economia do BRASIL puderam mudar para melhor, mas somente com visão de longo prazo.
Embora tenha havido gritante erro quanto à elevação da taxa básica de juros SELIC por tempo demasiado entre 2005 e 2007, o atual Governo demonstrou capacidade em manter os fundamentos de política macroeconômica para evitar o pior, que teria sido a falta de confiança generalizada a partir de 2003.
Isso em um Estado extremamente endividado que ainda absorve quase 40 % de toda a riqueza nacional (PIB) e retém para as suas necessidades incríveis 80 % do crédito disponível, tornando ainda mais caro o restante para a Nação.
O Governo conseguiu em 2005 cumprir com folga a meta acordada com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para o superávit público primário - em 6,3 % ao ano, maior que os 4,25 % inicialmente acordados.
Em março de 2005, foi anunciado que o acordo terminara e não seria mais revisto. De fato, em dezembro de 2005, o Governo anunciou que estava quitando toda a dívida restante com o FMI, no valor de US$ 15,5 bilhões.
Também é interessante notar que o déficit nominal do setor público - superávit primário reduzido pelo pagamento de juros - de 2004 foi de 2,68 % do PIB, menor percentual alcançado desde o início da série do BC, em 1991 (em 2003, foi de 5,08 %).
Não há como negar que, no atual Governo, existe um controle visando o equilíbrio entre inflação, contas fiscais e sólidas contas externas, além da redução da relação dívida / PIB, devido à forte redução da parcela corrigida pelo câmbio.
DÍVIDA INTERNA DO BRASIL
1994 a 2008
Ano Valor em
R$ BilhõesPercentual
do PIB - %1994 153* 30 1995 208 31 1996 269 33 1997 308 34 1998 386 42 1999 517 49 2000 563 49 2001 661 53 2002 881 56 2003
913
58
2004
957
51,8
2005
979,7
46,5
2006
1.093
46,3 *
2007 1.224,0
43,3
2008 **
-
40,0
- (*) Supondo-se PIB de 2006 em R$ 2,360 trilhões pela nova metodologia do IBGE.
- (**) Previsão de ECONOMIA BR em janeiro de 2008.
Busca-se uma redução consistente na relação da dívida interna com o PIB, para 40 % entre 2006 e 2008 anos. Como mostra o quadro acima, seria uma missão difícil se o IBGE não houvesse revisado os valores do PIB Nominal. Somente em 2006, o aumento foi de R$ 113,3 bilhões, com um percentual de mais 11,6 %.
A parcela da dívida indexada ao Dólar caiu de 40 % para 12 % em dezembro de 2005, muito mais confortáveis para o País em momentos de crise e especulação dos mercados. No momento em que o Dólar sofria forte ataque especulativo mundial, o Brasil reduzia esse encargo externo.
Em janeiro de 2006, o Governo conseguiu não apenas zerar a exposição cambial da dívida pública, mas ficar com um crédito em moeda estrangeira, ficando a parcela do endividamento exposta à variação cambial em - 0,6 % do estoque.
RESERVAS MONETÁRIAS INTERNACIONAIS
As reservas monetárias internacionais líquidas do Brasil fecharam o ano de 2005 em exatos US$ 53,8 bilhões. O País entrou em 2006 sem mais qualquer dívida com o FMI.
A previsão para o final de 2006 era de reservas superiores a US$ 60 bilhões, mas em julho já atingira US$ 64,379 bilhões, pela primeira vez ultrapassando a dívida pública externa da União (sem incluir as estatais, que chegava a US$ 63,284 bilhões).
As reservas atingiram US$ 70 bilhões em agosto, US$ 75 bilhões em outubro, US$ 80 bilhões em novembro, e fecharam 2006 em exatos US$ 85,839 bilhões, tendo conquistado US$ 32,039 bilhões ao longo do ano.
Naquele passo, poderia vir a superar incríveis US$ 160 bilhões ao final de 2007. Já em 1º de março, as reservas contavam com US$ 100 bilhões, tendo crescido quase US$ 14 bilhões em 2 meses. Registre-se que o Brasil paga quase 12 % de juros ao ano para receber até 5 % para manter essas reservas internacionais.
No início de maio de 2007, as reservas já atingiam valores em torno de US$ 125 bilhões. Significa isso que o BC havia comprado US$ 40 bilhões só entre janeiro e abril de 2007, em parte para não deixar o Dólar cair mais.
Acrescente-se a isso mais US$ 25 bilhões advindos dos leilões de Swap Reverso realizados pelo BC, pelo mesmo motivo. A soma então já era de US$ 150 bilhões de reservas internacionais. Esse valor representava quase 90 % da dívida externa (pública e privada) naquele momento, ao redor de US$ 170 bilhões, um excelente indicador para a economia, mesmo com seus custos.
O Brasil já encontrava-se em julho de 2007 na 7ª posição entre as maiores reservas monetárias do mundo inteiro, com um total de US$ 150 bilhões, valor alcançado no dia 11 daquele mês. Fechou 2007 já com US$ 180,334 bilhões. Aqui, o Brasil começava a demonstrar ser também um BRIC.
Em 21 de fevereiro de 2008, foi noticiado que os ativos do Brasil aplicados no exterior em janeiro superavam a dívida externa (pública e privada) pela primeira vez em toda a sua história. O Brasil tornara-se credor líquido com um saldo positivo de US$ 4,3 bilhões.
AS 10 MAIORES RESERVAS
MONETÁRIAS MUNDIAIS
US$ BILHÕES - JANEIRO 2008
LUGAR
PAÍS
RESERVAS
1º
China
1.530,000
2º
Japão
973,365
3º
Rússia
477,700
4º
Índia
276,250
5º
Taiwan
270,310
6º
Coréia do Sul
262,200
7º
Brasil
187,435 8º
Cingapura 163,000
9º
Hong Kong
152,700
10º
Alemanha
125,615
DÍVIDA EXTERNA E RISCO-PAÍS
RESERVAS MONETÁRIAS
INTERNACIONAIS
DO BRASIL
2005 a 2008
ANO
US$ BILHÕES
2005
53,8
2006
85,8
2007
180,3
2008*
240,0
(*) Previsão do ECONOMIA BR em setembro de 2008.
Desde 2003, voltou a haver procura por títulos da dívida externa, como o C-Bond, e o Risco Brasil caiu, consideravelmente, encerrando 2005 com 303 pontos, e 2006 com apenas 193 pontos, recorde de baixa batido em 28 de dezembro. Em maio de 2007, já girava na faixa de 150 pontos, abaixo da média dos Países emergentes.
O EMBI+ Brasil mede o risco-país brasileiro e é calculado pelo banco JP Morgan apenas para Países emergentes. O indicador é interpretado como um termômetro da confiança depositada pelos investidores estrangeiros na economia de um determinado País. Ele acompanha os juros de uma cesta de títulos da dívida externa de cada País emergente.
Ao marcar 150 pontos, o indicador mostra que a média dos juros desses papéis está 1,5 ponto percentual acima dos títulos americanos. Também significava que o País tende a obter financiamento em condições mais vantajosas à frente.
Em setembro de 2005, o Brasil adquiriu no mercado internacional os títulos C-Bond remanescentes. Em seguida, executou um lançamento internacional histórico de títulos em Reais, que em muito melhorou a imagem de solidez do País.
Em 2006, foi anunciada a compra antecipada de todo o estoque de títulos "Bradies"' em poder do mercado, avaliado em US$ 6,64 bilhões. Foram eliminados em 15 de abril todos os títulos associados à reestruturação da dívida externa ocorrida em 1994, à exceção do BIBs, considerados "pré-Bradies", que não possuem cláusula de recompra e que têm hoje estoque de US$ 247 milhões, o que corresponde a menos de 0,4 % do estoque total da dívida externa.
O Tesouro vem trabalhando para substituir tanto os títulos cambiais quanto os atrelados à SELIC porque sua remuneração é menos previsível do que a paga por papéis prefixados, por exemplo.
A dívida externa caiu em 2005 para US$ 183,2 bilhões. A relação entre dívida externa e PIB que, no fim de dezembro de 2002, estava em 46 %, fechou 2005 em 20,7 % (novo PIB Nominal de US$ 884 bilhões), o menor valor desde 1975, quando essa relação ainda estava em torno de 25 %.
Em março de 2007, o IBGE anunciou nova metodologia para o cálculo do PIB NOMINAL do Brasil que veio a mudar a história, tendo havido uma revisão dos números para cima entre 2002 e 2005.
Assim, o PIB de 2005, que era tido como de R$ 1,937 trilhão ou US$ 797 bilhões a um câmbio médio de R$ 2,43, passou a ser de R$ 2,148 trilhões ou US$ 884 bilhões, verificando-se o referido aumento de 10,9 %.
Agora, com o PIB em 2006 de R$ 2,322.818 trilhões e US$ 1,067 ao Dólar médio de R$ 2,1776, chega-se a uma relação da dívida externa de somente 16 % no ano de 2006.
Em 11 de março de 2008, o IBGE anunciou que o PIB NOMINAL do Brasil tinha crescido 5,4 % em 2007, somando R$ 2,6 trilhões, com 100 % de acerto para a previsão feita pelo ECONOMIA BR em julho de 2007. O PIB atingiu US$ 1,333 trilhão, com um provável Dólar médio de R$ 1,95. A relação da dívida externa de US$ 197,7 bilhões baixou para 14,8 %.
Também o PIB pelo método de Paridade de Poder de Compra de 2005 foi elevado para US$ 1,803 trilhão, passando o País a ocupar a posição de 8ª maior economia mundial naquele ano, ultrapassando a Itália.
Já em 2006, com o PIB/PPP tendo sido elevado para, aproximadamente, US$ 1,880 trilhão, o Brasil passou a ocupar a posição de 7ª maior economia mundial, tendo ultrapassado a França, desta vez.
Calculando-se por este PIB/PPP, a relação da dívida externa em 2006 era de somente 9 %, onde encontrava-se na justa 27ª posição mundial.
A dívida externa do Brasil fechou 2007 com US$ 197,7 bilhões, mas em 2008, as reservas internacionais cobrirão em muito este patamar (ver quadro abaixo). Em janeiro, os ativos do Brasil aplicados no exterior superaram a dívida externa (pública e privada) pela primeira vez em toda a sua história, com um saldo positivo de US$ 4,3 bilhões.
Muitos Países antes insuspeitos estão entrando com muita força nesta preocupante relação em muito pouco tempo, em que a grande maioria importa petróleo, mas alguns até o produzem. O crédito mundial é farto e barato, e a liquidez é extrema, por enquanto.
Outro indicador importante é o tamanho da dívida externa em relação ao valor das exportações. Em dezembro de 1999, a dívida externa era 4,1 vezes superior ao valor das exportações. Caiu para 1,5 vez em 2005 (183,2 / 118,3). Em 2006, caiu mais um pouco, para 1,25 vez (172,0 / 137,5)
CIA FACT BOOK 2007
AS 10 MAIORES DÍVIDAS
EXTERNAS MUNDIAIS E SUAS
PARTICIPAÇÕES NO PIB (GDP) / PPP
US$ BILHÕES - 2006
LUGAR
PAÍS DÍVIDA
PIB
DÍVIDA / PIB
1º
Estados Unidos
10.040,0
12.980,0
77 %
2º
Reino Unido
8.280,0
1.903,0
335 %
3º
Alemanha
3.904,0
2.585,0
151 %
4º
França
3.461,0
1.871,0
185 %
5º
Itália
1.957,0
1.727,0
113 %
6º
Holanda
1.899,0
512,0
271 %
7º
Espanha
1.591,0 1.070,0
149 %
8º
Japão
1.547,0
4.220,0
37 %
9º
Irlanda
1.392,0
177,2
686 %
10º
Suíça
1.077,0
252,9
326 %
27º
Brasil
172,5 *
1.880,0
9 %
* A CIA estimava o Brasil em 2004 erradamente com US$ 219,8 bilhões,
e em 2005 com US$ 211,4 bilhões. De 2003 para 2004, o País caiu de 2º
para 6º colocado. Já em 2005, desceu para a 13ª e, no mesmo ano, para
a excelente 24ª posição mundial. Em 2006, foi para o 27º lugar.
DÍVIDA EXTERNA DO BRASIL
1980 a 2008
ANO
DÍIDA EXTERNA
US$ BILHÕESRESERVAS
US$ BILHÕES1980
54
9,6
1990
96
9,4
1994
120
38
1996
142
60
1998
242
44
1999
241
42
2000
236
33
2002
228
36
2003
235
49
2004
203
53
2005
183
53,8
2006
172,5 *
85,8
2007
197,7
180,3
2008 **
180
240
(*) Valor da Dívida só aumentou no final de 2006 para US$ 197,5 bilhões devido
ao passageiro endividamento da VALE pela compra da mineradora
canadense INCO. O valor líquido foi de US$ 172,5 bilhões.
Após ter pago antecipadamente suas dívidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Clube de Paris, mudando seu perfil de devedor para credor, a partir de 2008 o Brasil deverá entrar como sócio pleno de 2 associações de credores internacionais : o referido Clube de Paris e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
(**) Previsão do ECONOMIA BR em setembro de 2008, com as
Reservas tendo ultrapassado a Dívida Externa em US$ 60 bilhões.
O Clube é uma entidade informal onde se reúnem os governos credores. Desde 1983, o montante de dívida renegociada nessa entidade alcança US$ 504 bilhões. De seus 19 membros, só a Rússia não faz parte da OCDE, espécie de clube das Nações ricas.
Os outros são EUA, Alemanha, Japão, Reino Unido, França, Canadá, Áustria, Austrália, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, Irlanda, Itália, Holanda, Noruega, Espanha, Suécia e Suíça.
Vinha favorecendo os investimentos no Brasil o fato de o Federal Reserve (FED) ter aumentado lenta e pausadamente a taxa básica de juros americanos na era de seu presidente Alan Greenspan, que aposentou-se em abril de 2006.
Em 2004, ela subiu 5 vezes, de 1 % para 1,25 / 1,5 / 1,75 / 2 e 2,5 % em dezembro de 2004. Em 2005, ela subiu 7 vezes, para 2,75 / 3 / 3,25 / 3,5 / 3,75 / 4 e 4,25 % em dezembro. Em 2006, os aumentos do FED continuaram, em 4 vezes, para 4,5 % / 4,75 / 5 % e 5,25 % em junho, quando estabilizou-se por 2006.
Somente em setembro de 2007, o FED reduziu a taxa para 4,75 %, em meio à crise do mercado imobiliário americano. Logo depois, o Euro atingiu sua máxima histórica, de US$ 1,40. Em 31 de outubro, aconteceu outra redução, para 4,5 %. Nesse momento, o Real já ensaiava chegar a uma cotação recorde de R$ 1,70 por Dólar. Com uma última redução, a prime rate americana fechou 2007 em 4,25 %.
No dia 22 de janeiro de 2008, em uma reunião extraordinária, o FED reduziu os juros básicos em 0,75 % para uma taxa de 3,50 %. Havia incertezas sobre o que FED faria na data regular de reunião, no dia 30, mas uma corrente do mercado já defendia novo corte, de 0,50 ponto percentual, o que ocorreu em seguida, ficando a taxa em 3 %.
Com o agravamento da crise americana, o 1º trimestre de 2008 assistiu a queda dos juros para 2,25 %. No final de abril de 2008, chegou a 2 % e ali ficou com a economia se enfraquecendo, e não sobe para não trazer inflação.
Os pagamentos antecipados da dívida externa e o fato de tornar-se um credor externo líquido são bem vistos por investidores internacionais e contribuem para a queda do Risco Brasil, e para a obtenção, em futuro mais próximo, do chamado investment grade (grau de investimentos) das agências de classificação de risco. Uma vez obtido o grau de investimento, o aporte de recursos no Brasil tende a crescer.
Em fevereiro de 2006, a agência americana de classificação de risco Standard & Poor’s elevou a classificação do risco soberano de longo prazo, em moeda estrangeira, do Brasil, de BB- para BB. Com isso, ficam faltando 2 degraus para o País atingir a classificação de grau de investimento, considerado seguro para investir.
O risco soberano de longo prazo em moeda local também foi elevado, de BB para BB+. O risco para investimento no curto prazo em moeda local e estrangeira ficou estável, no nível "B". A perspectiva para o País, segundo a agência, é "estável".
(Clique no mapa abaixo para ver imagem gigante)Em relação à MOEDA, com a crescente entrada de recursos externos no Brasil, a cotação do Dólar continuou em 2005, 2006 e ainda em 2007 sendo fortemente pressionada para baixo.
![]()
A explosiva Região do Oriente Médio com o
Iraque ao centro e a pequena Israel a oeste.
O Dólar ultrapassou o piso abaixo de R$ 2,00 em 15 de maio de 2007 pela primeira vez desde 15 de fevereiro de 2001. Isso aconteceu em meio a uma taxa SELIC ainda alta, a uma forte entrada de capital externo, e mesmo com toda a resistência do Banco Central a fim de não prejudicar mais as exportações.
O mercado estimava que o valor real da moeda americana em 2007 seria de somente R$ 1,50. E qual será esse valor após o tão aguardado investment grade e suas consequências ?
No dia seguinte a 15 de maio de 2007, a agência Standard & Poor's elevou a nota da dívida soberana brasileira para "BB+", a apenas um ponto do esperado grau de investimento. Neste dia, o Dólar chegava a R$ 1,95. Em 22 de fevereiro de 2008, pela primeira vez desde 1999, a moeda foi cotada abaixo de R$ 1,70.
Na véspera do feriado de 1º de maio de 2008, a Standard & Poor's (S&P), a agência mais conceituada de risco, deu finalmente o grau de investimento ao Brasil.
Esperava-se com isso uma enxurrada de Dólares no Brasil porque os principais fundos de investimento estrangeiros passaram ater permissão para investir no Brasil. Pelo regulamento desses fundos, não é permitido investir em Países de risco elevado, aqueles sem grau de investimento.
As empresas brasileiras também passaram a poder pegar empréstimos no exterior a um custo mais barato. A expectativa seria de o Dólar despencar ainda mais, mas daí agravou-se a crise financeira mundial.
Continua havendo ainda um movimento especulativo internacional contra o Dólar usando a cesta das 16 moedas mais negociadas no mundo, e entre as principais estaria o Real, pois foi a que mais se valorizou nos últimos tempos. O fato é que tem-se verificado fortes entradas de capital externo no Brasil desde novembro de 2004, forçando a expressiva valorização do Real frente ao Dólar.(**) Previsão do ECONOMIA BR em julho de 2007, janeiro e julho de 2008.
DÓLAR MÉDIO ANUAL
2004 a 2008
ANO
R$
VAR. %
2004
2,92
-
2005
2,43
- 16,8 %
2006
2,16
- 11,1 %
2007 *
1,95
- 9,7 %
2008 **
1,60
- 17,9 %
(*) Previsão do ECONOMIA BR em maio, julho e outubro de 2007.
Previsão do ECONOMIA BR em setembro de 2008 = R$ 1,65.
O problema é que boa parte desse capital vem atrás dos altíssimos e mundialmente inconcebíveis juros internos, o que acaba prejudicando as exportações com o Real valorizado.
As Exportações, o Comércio Total e o Superávit Comercial vinham atingindo cifras inéditas em um processo que colocou o ano de 2005 como bastante diferente de toda a história comercial brasileira.
Naquele ano, foram exportados US$ 118,309 bilhões e importados US$ 73,545 bilhões, com um Comércio Total de US$ 191,854 bilhões. Comparado aos US$ 159,275 bilhões de 2004, o crescimento no Comércio Total foi de 20,5 %.
O Superávit Comercial em 2005 foi de US$ 44,764 bilhões e representou um aumento de esplêndidos 32,9 % sobre os US$ 33,693 bilhões de 2004.
A corrente de comércio somou US$ 191,854 bilhões em 2005. Comparada aos US$ 159,275 bilhões de 2004, apresenta expressivo crescimento de 20 %, avizinhando e indicando novo patamar de comércio externo para o País, acima de US$ 200 bilhões ao ano.
O agronegócio mostra-se cada vez mais fundamental para o saldo total da balança comercial brasileira. E essa continuará sendo a tendência ainda por muitos anos à frente, com gigantesco crescimento nesse comércio, tendo a CHINA e a ÍNDIA como principais consumidores de nosso AGRONEGÓCIO no futuro, tanto o ALIMENTAR quanto o crescentemente importante ENERGÉTICO, ainda mais com a chegada do óleo leve do Pré-Sal
A China era exportadora líquida de 3 milhões de barris/dia de petróleo por volta de 2001 e em 2005 passou a importar liquidamente 6 milhões de barris/dia. E continua a crescer acima de 10 % ao ano, como fez em 2006, sem quaisquer freios.
Sabe-se que o déficit comercial americano com a China é maior que com a UE e tende a crescer, pois o Iuan chinês era fixo frente ao Dólar por política de seu Governo e ainda encontra-se extremamente defasado.
Embora bastante pressionada a mudar sua eterna (década de 90) cotação de 8,28 Iuans por US$ 1 - defasada em 40 %, a China manteve-se impassível entre 1994 e julho de 2005, por ser uma grande financiadora do tesouro americano, sua maior garantia contra retaliações.
Sabe-se que em maio de 2005 já dispunha da segunda maior reserva de divisas do mundo, com US$ 609,9 bilhões; a maior ainda era a do Japão. Ao final de 2005, a China já atingia a impressionante cifra de US$ 818,9 bilhões.
Finalmente, em fevereiro de 2006, a cifra foi a US$ 853,7 bilhões e a China passou ao primeiro lugar mundial. Em outubro de 2006, caiu a barreira de US$ 1 trilhão. Ainda em 2008, tal reserva deve chegar a US$ 2 trilhões.
No dia 21 de julho de 2005, terminou o congelamento do Iuan imposto pelo governo chinês, sendo a moeda imediatamente apreciada para 8,11 Iuans por Dólar. Em maio, a China já passara a aceitar fazer negócios com 8 diferentes moedas, mas não mexera nas cotações. Tratou-se de pura "maquiagem", pois em outubro de 2005 o Iuan desvalorizara-se apenas 3,5 %, estando a 8 Iuans por Dólar.
Com os grandes déficits orçamentário, comercial e em conta corrente dos EUA, além da grande crise do setor financeiro, o mundo tem reagido com menos confiança na moeda americana, situação que tende a agravar-se mês a mês.
O déficit dos EUA em conta corrente só em 2004 foi de US$ 413 bilhões e o déficit comercial foi recorde em U$ 617,6 bilhões (chegando a US$ 723,6 bilhões em 2005). O ano de 2006 teve novos recordes e uma crise ficava mais próxima. O déficit em conta corrente ficou entre US$ 800 e 900 bilhões e o comercial se repetiu.
Ver mais em A Hegemonia dos EUA e os Biocombustíveis.
O G-8 vem "recomendando" desde setembro de 2003 que Países como o Japão (além de Europeus e Asiáticos) evitem continuar mantendo suas moedas desvalorizadas frente ao Dólar.
Assim, eles deverão continuar a perder força em exportar para os EUA, abrindo novos espaços no mercado consumidor americano, de longe o maior do mundo atual, para quem mantiver-se "atrelado" ao Dólar (a China).
O atual desempenho comercial brasileiro também tem grande apoio evolucionário com a recente Reforma Tributária, embora ainda inacabada. Esse fator, acompanhado de uma boa política macroeconômica e de forte promoção comercial, poderão levar o País a obter saldos muito superiores em sua balança comercial.
Houve drástica redução do déficit do balanço de pagamentos (resultado de balança comercial, viagens internacionais, pagamento de juros e remessas de lucros e dividendos) do País e reversão para superávit a partir de junho de 2003, o primeiro em dez anos.
De fato, com o formidável desempenho das exportações, converteu-se o déficit em conta corrente de 4,6 % do PIB em 2001 em um superávit de 0,82 % em 2003, com US$ 4,177 bilhões.
Em 2004, esse superávit das transações correntes da balança de pagamentos do País dobrou e atingiu 1,94 % do PIB, com U$ 11,669 bilhões. Este foi o melhor resultado da História, estando totalmente baseado no expressivo superávit da balança comercial.
A conta de transações correntes (soma de comércio exterior, viagens internacionais, pagamentos de juros e remessas de lucros e dividendos) registrou superávit de US$ 2,592 bilhões em julho de 2005, tendo sido o melhor resultado mensal desde 1947, ano de início da série histórica. O motivo do aumento foi o resultado da balança comercial, que passou de superávit de US$ 3,466 bilhões para um saldo de US$ 5,012 bilhões.
Em 2005, as contas externas brasileiras acumularam superávit de US$ 14,2 bilhões, o que eqüivaliaa 1,79 % do PIB.
SUPERÁVIT NA CONTA DE
TRANSAÇÕES CORRENTES
2002 a 2007
ANO
US$ BILHÕES
% do PIB
2002
- 7,637
- 1,66
2003
+ 4,177
0,82
2004
+ 11,738
1,94
2005
+ 14,199
1,79
2006
+ 13,300
1,63 2007 *
+ 14,000
-
(*) Previsão do ECONOMIA BR em julho de 2007.
Esse alto e superávit corrente vinha compensando o fluxo negativo na conta de capital e financeira. Ajudava também o aumento das remessas dos emigrantes, que passaram a ser regularizadas e estimuladas (almejando-se US$ 5 bilhões ao ano).
O Brasil está hoje na 3ª posição entre os Países em desenvolvimento que mais receberam Investimento Estrangeiro Direto (IED), ficando atrás apenas de China e Hong Kong. Mesmo considerando os Países desenvolvidos, que são os maiores receptores de IED no mundo, o Brasil aparece na lista dos 10 principais destinos desses recursos.
Em 2006, foram recebidos US$ 18,782 bilhões. Já em 2007, entraram US$ 34,616 bilhões, enquanto a China recebia US$ 67 bilhões. O Brasil só perdeu para a Holanda, em 2007, na classificação de País que mais crescimento teve no IED, com um crescimento de 84 % sobre o ano anterior (US$ 18,782 bilhões).
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Inauguração da plataforma marítima
P-50 em 21 de abril de 2006.
(Foto Ricardo Stuckert - PR -150.486)
A área mais promissora para as exportações é a de ENERGIA. E o Brasil já é auto-suficiente em PETRÓLEO, iniciando-se em maio de 2005 como exportador líquido e com previsão de vir a ser um grande Player mundial a partir de 2010 com o real início da exploração da mega-província do Pré-Sal.
A plataforma P-50, inaugurada em 21 de abril de 2006, é que trouxe a real auto-suficiência ao País, com seus 180 mil barris diários de óleo.
PRODUÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PETRÓLEO
EM MILHÕES DE BARRIS / DIA
COTAÇÃO MÉDIA ENTRE US$ 80 E US$ 400
ANO
PROD.
DIÁRIA
EXP.
DIÁRIA
EXP.
ANUAL
US$ BI/ANO A US$ 100
US$ BI/ANO A US$ 150
US$ BI/ANO A US$ 200 US$ BI/ANO A US$ 300
US$ BI/ANO A US$ 400
2008
1,9
0,3
109,5
10,95
16,43
21,90 -
-
2009
2,2
0,3
109,5
-
16,43
21,90 -
-
2010
2,5
0,5
182,5
-
-
36,50
-
-
2015
5,0
2,5
912,5
-
-
182,50
237,75 -
2020
9,0
6,0
2.190,0
-
-
-
657,00
-
2022
12,0
8,0
2.920,0
-
-
-
876,00
1.168,00
Projeção de ECONOMIA BR com 12 mb diários em 2022, considerando-se
baixa demanda interna devido ao uso intensivo de combustíveis limpos.
Atualizado em junho de 2008 com cotações a US$ 140 por barril.
A inflação medida pelo IPCA fechou 2005 em 5,69 %, devido à enorme taxa de juros básica do País. Passaram a influir menos os preços com correção administrada pelo Governo. Como são corrigidos pelo IGP, que fechara 2005 em apenas 1,5 %, a pressão para 2006 foi bastante reduzida.
Apostava-se em uma inflação inferior a 4 % para 2006, mas ela superou as expectativas, fechando em inédita faixa de 3,14 % no ano. Em 2007, ela ficaria próxima a 4 %.
Aguardava-se a queda da SELIC (taxa básica de juros) para até 14 % em 2006, o que deveria ter ocorrido em 2004. A SELIC teve entre setembro e dezembro de 2004 uma elevação para 16,25 - 17,50 %, após ter permanecido em 16 % entre abril e agosto de 2004. Em fevereiro de 2005, já encontrava-se em 18,75 %, e subiu mês a mês até maio, quando atingiu 19,75 %.
Manteve-se neste patamar de junho a agosto, e em setembro veio a primeira queda, para 19,50 %. A quarta queda foi em dezembro, para 18 % ao ano.
Em janeiro de 2006, a queda foi para 17,25 %, em março 16,5 %, em abril 15,75 %, retornando ao mesmo patamar de março de 2001, em maio para 15,25 %, em julho para 14,75 %, em agosto para 14,25 %, em outubro para 13,75 %, e em novembro para 13,25 %, tendo sido esta a décima-segunda queda.
Diminuindo o passo para apenas 0,25 % de redução em cada reunião, o COPOM reduziu a taxa SELIC para 13 % em janeiro de 2007, em março para 12,75 %, em abril para 12,5 %. Em junho, voltou o passo de 0,5 %, e a taxa baixou para 12 %.
Em julho de 2007, foi mais 0,5 %, caindo a SELIC para 11,5 % ao ano. Com a crise internacional e um repique na inflação, o passo baixou para 0,25 % em setembro de 2007, chegando a taxa a 11,25 %. A partir de dezembro, houve uma parada de reavaliação. Entre dezembro de 2005 e setembro de 2007, a SELIC caiu 6,75 pontos percentuais.
Com a inflação dando repiques pelo mundo em 2008, em março de 2008 o COPOM aumentou a SELIC em 0,5 %, indo de volta para 11,75 %, e em junho foi a 12,25 %, com tendência de mais altas. Isso se confirmou em julho, com mais 0,75 %, indo a taxa básica a 13 %.
Com esses elevados patamares, a economia ficou durante 2005 e 2006 em uma espécie de recessão velada na hora errada, já que o mundo inteiro crescia bastante - tempo perdido que não volta mais. Já 2007, foi um tanto diferente e muito mais promissor, mas os melhores efeitos só viriam em 2008. Com as novas altas, tudo voltará ao campo do tempo perdido.
Enquanto isso e por conta disso tudo, o sistema financeiro vem obtendo lucros nunca obtidos na história; ao mesmo tempo, o País inteiro patinava com baixa governabilidade. Em 2005, as despesas com juros atingiram incríveis R$ 160 bilhões. Em 2006, chegaram a R$ 164 bilhões.
DESPESA COM JUROS
GOVERNO CENTRAL
2003 a 2007
ANO
R$ Bilhões
% do PIB
Var. %
/% PIB
2000
77,962
7,1
-
2001
86,445
7,2
-
2002
114,004
8,5
+ 18 %
2003
145,209
9,3
+ 9 %
2004
128,300
7,3
- 22 %
2005 160,000
8,3
+ 1 %
2006
164,000
7,2 **
- 13 %
2007 *
150,000
6,5
- 6 %
2007 **
111,000
4,8
- 32 %
(*) Previsão do ECONOMIA BR em janeiro de 2007,
supondo-se PIB de 2006 em R$ 2,323 trilhões.
(**) Previsão do Governo em abril de 2007.
O Brasil necessita ainda avançar muito em seu sistema financeiro, porque a participação do crédito bancário no PIB é de somente 37 % em 2008, enquanto que nos EUA chega a 250 % e na China é de 150 %.
Já na Coréia do Sul e no Japão, a participação é de 100 % do PIB. Até o Chile beira os 70 %. Somente taxas de juros civilizadas e produtivas levarão o País ao desenvolvimento econômico e social.
Isso deveria ter sido enfrentado pelo Governo, muito mais do que com o recente incentivo prático ao microcrédito, e somente buscando agora consultoria técnica do FMI para contrapor-se aos Bancos.
A baixa taxa de investimento (em relação ao PIB), que encontrava-se em 16,3 % em 2005 e permaneceu em 18 % em 2006, também é outro e o maior entrave a ser desmontado, pois será ideal para alavancar a economia quando chegar a 25 % (para crescimento anual acima de 5 %), o que poderá ser conseguido até 2009. A China tem hoje uma taxa de investimento superior a 36 %.
Em março de 2007, o IBGE anunciou nova metodologia para o cálculo do PIB NOMINAL do Brasil, tendo havido uma revisão dos números para cima entre 2002 e 2005, com reflexos no PIB de 2006.
Com isso, o crescimento do PIB de 2006 aumentou de 2,9 % para 3,7 %. O PIB de 2005 aumentou de 2,3 % para 2,9 %. O de 2004, aumentou de 4,9 % para 5,7 %; o de 2003 foi recalculado de 0,5 % para 1,1 %; e o de 2002 saiu de 1,9 % para 2,7 %. As previsões de crescimento para 2007 saltaram logo para números entre 4 e 4,5 %.
Os novos resultados do PIB mostraram que houve redução da proporção de investimento na economia brasileira. A taxa de investimentos caiu de 20,6 % para apenas 16,3 % em 2005, com o novo cálculo. Já em 2007, ela atingiu 17,6 %, podendo ir a 19,0 % em 2008.
TAXA DE POUPANÇA BRUTA
2003 a 2008